Capítulo 20

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Meu domingo foi de uma longa noite com Jughead à uma longa conversa com minha mãe.

Estou ciente das consequências drásticas que serão tomadas a partir do momento em que cruzar a linha que me separa do externo de minha casa. Muitas coisas precisarão ser esclarecidas.

Abro com prudência a porta vermelha e entro no casarão cautelosamente, aguardando a presença da loura impaciente.

- Elizabeth! - Ela esgoela correndo em minha direção para me tomar em seus braços. - Minha filha, você está bem!? O que aconteceu?!

- Mãe, precisamos conversar. - Contesto pensando em Jughead e papai.

Devido ao seu consenso, começo a ficar nervosa e pensando em o que deveria falar e em quais palavras usar. O medo e a ansiedade preenchiam meu espaço duvidoso.

A desgraçada dessa doença não me deixa em paz, fazendo com que pense em milhões de situações que poderiam acontecer e calcular todas as formas de sair dessas probabilidades. É angustiante e inevitável.

Cursamos as escadas até meu quarto e meu cérebro emaranhado de situações, pensa em como seria perder Jughead. De repente o ar se torna insuficiente em meus pulmões e minhas mãos começam a tremer. Tento ignorar a todo custo a irritação tensionada, empenhando-me para não trazer mais preocupação.

- Betty, você está bem? - Mamãe pergunta ao ver a expressão em minha face.

Essas crises costumam desenvolver o medo intenso de morrer ou de ficar sozinha, no momento em que pensei na probabilidade de perder Jughead, já deveria tentar me precaver de alguma crise. Perder ele seria como perder uma parte de mim.

"Você precisa relaxar. Inspire e expire lentamente. É apenas um ataque, Betty."

- Filha. - Vamos ao chão na tentativa de me acalmar. - Você... Você está tendo uma crise! - Ela finalmente afirma assustada.

Tentando se lembrar de algumas maneiras viáveis para tentar acabar com esse pânico absurdo, passamos dez minutos exercitando minha respiração.

Não posso morrer agora, sou muito jovem! Meu coração, meu ar, meu pulmão. E se meus pais se separarem? E se eu ficar grávida? E se eu não contar o que aconteceu? E se eu não procurar ajuda? E se eu ficar sozinha? E se...

Situações de minha individualidade consideradas horríveis me aterrorizam e me obrigam a procurar uma solução detalhada para todas. Seja ela evitar o problema, ou encara-lo com bravura.

- Mãe... - Gaguejo ao recuperar o fôlego. - Eu... Eu estou tento crises novamente.

Sua expressão era uma resposta certeira: preocupação aguda. Ela me leva para a banheira onde prepara um banho de água quente: como nos velhos tempos.

Minha face se fecha um pouco mais, não consigo descrever a dificuldade de reviver esse passado assustador.

Já tentei me livrar da ansiedade, mesmo que ir um segundo, de modo alcoólico, por meio das drogas e tudo que uma pessoa puder imaginar. Essa é uma coisa das quais mais me arrependo e tenho nojo só de pensar que uma vez fui uma garota de 14 anos com problemas tão adultos.

Graças a Deus, ou qualquer ser que viva pelo mundo fazendo o bem, nunca me viciei e tive o apoio de meus pais em cada etapa da minha vida. Talvez seja por isso que minha mãe se preocupa tanto.

- É horrível... - Começo enquanto a água cai sobre meus fios. - É horrível saber que o mundo pode estar perfeito, que você pode TENTAR ser linda, legal, aluna perfeita, a filha perfeita mas seus conflitos internos te fazem decepcionar a todos. No final o mais quebrado será sempre eu. São sempre batalhas travadas entre mim e mim mesma com o mesmo objetivo: me fazer sentir mal. Tento ao máximo excluir essa coisa do meu dia, mas ela está sempre ali, pronta para atacar a qualquer hora. Não sei explicar o quão horrível é acordar com medo de perder o controle ou até de morrer, porém ignorar a todo custo.

Tenha calma - BugheadOnde histórias criam vida. Descubra agora