Capítulo 27

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7 anos depois

- Jughead? Onde você esta se escondendo? - pergunto com um grande sorriso no rosto enquanto ando sobre um caminho de rosas vermelhas.

- Estou aqui - ele sai de trás da porta vestindo um terno inegavelmente caro enquanto segura um buquê de girassóis.


Deixe-me voltar um pouco para o passado.

Depois do dia em que Juggie me pegou na praia e dormiu em minha casa, as coisas mudaram bruscamente, mas de forma gradual, claro. No fim Jake se assumiu homossexual e apenas estava tentando se convencer de que poderia gostar de uma garota. Julgando pela gentileza que minha mãe teve com ele, achou que eu teria a mesma educação e me escolheu como seu projeto de conivência. Nada funcionou, mas fiquei feliz que mais tarde confiou-me pela primeira vez a verdade sobre seus reais sentimentos.

- Não consigo expressar em palavras o quanto me sinto honrada de ser a pessoa com quem você sentiu maior segurança para se libertar. Saiba que apoiarei e estarei com você sempre.

Apesar de as coisas não terem ido muito bem com nossos pais, mantemos contato ate os dias de hoje. Após severos episódios de xingamentos e humilhações com Albert Salvatore minha mãe finalmente percebeu seus aspectos narcisistas e com um pouco de empurrãozinho, procurou psicólogos. Aquela mulher nunca foi a mesma desde lá; agora é muito mais resolvida, madura e gentil. Conversar com Jughead sobre o passado e seu relacionamento com FP, também ajudaram. Dar um fim na historia é muito necessário no processo de recuperação e para seguir em frente.

Quanto a mãe de Jughead, infelizmente faleceu 11 meses depois de ser trazida à Riverdale. Foi um dramático e escuro episódio do qual não gosto muito de lembrar. Posso dizer que o luto de Juggie foi tão doloroso para ele quanto para mim, incluindo um sumiço de quatro meses, onde me deixou completamente surtada e preocupada de que sua duração fosse para sempre, deixando-me em algum ponto do meu drama, totalmente sem esperanças de que o veria novamente.

- Betty... - ele aparece em meu quarto e por um momento penso estar alucinando.

Seria impossível alucinar de forma tão real esses olhos únicos e intensos me observando com calma enquanto em um impulso corro ate seus braços.

- MEU DEUS! Onde você esteve? Jughead? Onde você... - o mix de sentimentos correndo sobre meu peito era tão grande e inexplicável que mal conseguia montar frases inteiras.

A força do abraço que lhe dava era em razão do tapa que queria despejar sobre seu perfeito e jovem rosto. Ao mesmo tempo em que poderia beija-ló e nunca mais deixá-lo sumir de minha visão, tudo que pensava era em como foi capaz me deixar todo esse tempo sem ter noticias e concluir que poderia simplesmente aparecer agora em meu quarto. Eu o amava, com todo meu coração e alma, mas não permitiria que tal sentimento fosse usado e jogado. Considero, claro, que a morte de sua mae não se comparava a um terço da tristeza que eu senti, mas esperava o mínimo de consideração e reconhecimento por todo meu apoio prestado durante esta fase. Por que se achou no direito de apenas se isolar e não deixar ninguém mostrar o mínimo de solidariedade nesse momento tão difícil? Nessa época, diria que estava apenas querendo chamar atenção?

- Como você pôde? Seu infeliz! Ingrat... - soco seu peitoral.

Passo os próximos tres minutos dando tapas em seu rosto e socando todas as áreas de seu corpo na tentativa de me sentir menos patética. Adivinhem? Não funcionou.

Tenha calma - BugheadOnde histórias criam vida. Descubra agora