Juliana – Narrando
Lá estava ele, Lorenzo Benedito. Éramos melhores amigos de adolescência, nos conhecemos aos 12 anos na escola mesmo e desde então fomos melhores amigos, claro que não conversávamos sobre tudo, mas eu sabia que podia confiar nele e ele em mim. Como sempre fomos amigos, as pessoas achavam que tínhamos um relacionamento íntimo, mas na época eu era uma simples menina que não estava pronta para me aventurar em um romance.
O tempo passou e digamos que ele ficou interessante, bonito, charmoso e muito educado, era o queridinho das meninas. Até que na formatura do ensino médio nós dançamos juntos uma das valsas e quando percebi já estávamos nos beijando.
O namoro durou até eu terminar a faculdade de administração. Ele terminou a faculdade de música e iria viajar pelo Brasil para fazer carreira, eu estava indo para a Europa participar de concursos de patinação e me lançar profissionalmente também. Nossas histórias perderam o rumo assim como o nosso namoro no ultimo ano. O vejo como um grande amigo e um companheiro de uma das minhas épocas favoritas da vida. Vê-lo ali perto matava um pouco a saudade além de me levar ao passado.
- Desculpe incomodar. – Cheguei perto dos meninos, Pedro, Simon e o Lorenzo que conversavam animadamente. – Quero parabenizar meus meninos, vocês foram incríveis, ficou tudo lindo, muito perfeito, até mais do que eu imaginava. Fico muito feliz pelo sucesso de vocês, serio mesmo. Parabéns.
- Nós que agradecemos Juliana. – Simon falou me abraçando todo contente. – Em breve iremos gravar um disco, só precisamos de uma produtora que queira nos lançar.
- Pode deixar que eu ajudo com isso. – Lorenzo falou.
- Nos ajudaria a encontrar uma produtora? – Pedro falou animado. -Seria ótimo, você tem muita influência no meio musical, além disso é o Lorenzo Benedito, um dos grandes cantores de música country na américa latina.
- Porque não ajudaria? Quando vejo um talento como o de vocês é minha obrigação ajudar. Somos parceiros não concorrentes.
- No coração sempre cabe mais uma música. – Simon falou. Se retirando com o Pedro para continuar a trabalharem.
- Muito bonito o que você fez. Os meninos tem muito talento, fico triste por saber que um dia posso perde-los e por ainda não estarem fazendo shows e gravando, mas fico muito feliz por acreditarem em si mesmos e não desistirem.
- Obrigado Juliana. Realmente eles tem talento. Quando os vi cantar senti a música, eles cantando, o amor que tinham de estar ali, além de já terem uma música autoral muito bem feita. – Ele suspirou olhando os meninos da banda e depois voltou para mim. – Falando em bonito, você está deslumbrante, aquela menininha virou um verdadeiro mulherão. Quase não te reconheci.
- Obrigada. – Minhas bochechas coraram e eu fiquei um pouco envergonhada, mas feliz pelo elogio. – Você também mudou, está mais magro e musculoso, agora vai na academia é?
- Comecei a cuidar da minha saúde faz dois anos, estava começando a ter problemas de saúde e com as rotinas de viagens estava comendo muita porcaria, foi ai que comecei a fazer uma dieta alimentar saudável e atividades físicas.
- Aquele Lorenzo que eu conhecia não iria nunca para uma academia. Fico feliz por você estar cuidando de si mesmo, além disso agora é que as garotas vão cair em cima de você, é cantor, bonito e musculoso, impossível não ter uma que for de olho em você.
- De fato tem algumas, - ele ficou nervoso, mas tentou não aparentar. – só que não fazem meu tipo.
- Sempre tão romântico. Sempre gostei disso em você. – Percebo que falei um pouco de mais, pois ele poderia levar para um outro lado.
- E você, com esta roupa com certeza ouviu alguns cortejos, digamos assim. Além dos muitos olhares.
- Nem tanto. – Abaixei os olhos me lembrando de horas atrás quando estava com o Gary nos armários. – Mas vamos falar de outra coisa. Como anda a sua carreira? Continua cantando sr. Lorenzo Benedito?
- Sim, apenas diminui a minha rotina. Quando paramos de nos encontrar fiz muitas turnês pelo Brasil e outros países, mas agora estou com um projeto diferente, isso já faz dois anos executando e uns quatro de planejamento. Canto mais em bares e restaurantes, alguns famosos outros nem tanto, além de ir em lanchonetes pequenas fazer algumas apresentações de voluntariado.
- Nossa, que legal o que está fazendo. Mesmo adulto você ainda continua o mesmo.
- E você o que faz aqui? Sei que parou de patinar pelo seu problema no joelho depois de um acidente e acabou mudando de nome e de vida.
- Pois é. – Olhei para baixo recordando de cada momento. – Foi em um dos ensaios para uma apresentação importante na Italia, iriamos nos apresentar em um festival de patinação e como sempre eu queria fazer mais, confiei de mais, isso me levou a ter coragem para fazer um passo difícil e arriscado me fazendo cair de mal jeito no chão e machucar o joelho me impedindo de patinar. O mais difícil foi saber que demoraria muitos meses, talvez mais de um ano para voltar a colocar os patins nos pés, isso me deixou triste e mexeu com o meu psicológico. Depois das cirurgias, fisioterapias, acabei voltando para o Brasil onde fiquei por um tempo até me recuperar.
- Porque mudou de nome?
- A Marisa era sonhadora, corria atrás dos sonhos, era divertida, animada, forte, fazia acontecer. Eu já não me sentia assim, com isso decidi mudar de nome. A Juliana nasceu então, foquei na minha carreira como administradora e me mudei para a Argentina em busca de esquecer de vez da Marisa. Acabei conseguindo um emprego bom, mas isso me fazia retornar anos atrás, fiquei sendo a treinadora da equipe de patinação aqui do Roller assim como administradora deste lugar.
- Pelo visto fez um bom trabalho. Este lugar é incrível, tem uma energia muito boa, é como se tivéssemos em casa.
- É sim. Acredita que no começo eu era toda rabugenta, uma chata, só pensava que eles deveriam ser os melhores dos melhores e sempre tentava achar defeito em algo. Nem imagine.
- Não imagino mesmo, você de cara fechada, brigando com todo mundo, não com certeza essa não era a Marisa que eu conheço.
- Mas estar aqui me mudou, conhecer a equipe, me unir a eles os vendo crescer e aprender, achei isso lindo. Desde que me mudei para este país eu não sentia o que era ser amada, então coisas aconteceram e acabei descobrindo que a minha equipe me amava de uma forma incrível, mesmo eu sendo tão chata e exigente.
- Eles viram o aprendizado, até onde você os levou. Talvez você fosse realmente muito chata, mas porque estava pensando no que era melhor para eles, como uma mãe faria.
- Isso, talvez foi isso. Desde então este lugar tem sido único para mim. – Uma gota de lagrima escorreu pelo meu rosto contornando minha bochecha descendo até meus lábios que formava um sorriso enquanto observava o Roller.
- Está ficando tarde, acho melhor eu ir indo, você tem muitas coisas para fazer.
- Sim, claro. – Saímos da mesa ficando de pé. – Temos muitas coisas para fazer, você seus shows e eu este lugar.
- Porque não marcamos para jantar um dia destes? Seria bom relembrar algumas coisas do passado.
- Sim, seria. Eu te passo o meu número e você decide o dia e a hora.
Nos abraçamos e ele enfim foi embora. Foi muito bom revê-lo, conversar com alguém que fez parte do meu passado, além disso ele sempre foi o meu melhor amigo, um companheiro das minhas maluquices, dava saudades daquela época. Estar junto com ele hoje me fez voltar a lembrar de muitas coisas do passado e recordar um pouco de mim mesma. Como eu amadureci nestes últimos anos, e ainda tenho tanto a aprender.
Olhei para aquele início de noite, entrei no meu carro e fui para a casa descansar.
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Odeio te amar
FanfictionJuliana é uma mulher forte que não aceita qualquer situação que não seja do seu gosto. Tudo estava indo bem no Jam&Roller, as competições estavam chegando e em breve sua equipe competiria para ganhar e se divertir. Mexico ai íamos nós. Porem alguém...
