Juliana - Narrando
Caminho rápido em direção a saída. Não olho para trás, nem se quer vejo se o Gary está me seguindo, tudo o que quero é ir para o meu apartamento e tomar um banho quente. Ao sair do Roller percebo que está escuro mesmo ainda sendo final de tarde, a resposta para aquela situação era a quantidade de nuvens que estavam tampando o céu azul. Um leve sereno tocava a minha pele descoberta e em breve uma chuva forte cairia, só espero estar em casa no momento.
Por um momento pensei que conseguiria me apaixonar novamente, abrir meu coração para o amor, mas o que isso me trouxe? Decepção, novamente. Focar no meu trabalho estava me fazendo feliz, me deixava animada, com vontade de sonhar cada vez mais, mas desde que este Gary entrou na minha vida me vi toda bagunçada, com sentimentos confusos e de certo modo perturbantes. O problema é que ainda vou ver este Gary por um bom tempo. Só sei que a pista será minha, o Roller vai existir enquanto eu estiver aqui e ninguém vai me deter.
Caminhando rápido ouço Gary me chamar duas vezes e não me viro, finjo não escutar. Em meus pensamentos atravesso a rua rapidamente e com atenção, vou andando pelo parque onde o caminho é mais curto até o apartamento.
Não paro, continuo mesmo sentindo a o sereno engroçar e começar a chover ainda que leve. Passo pelo parque e na metade do caminho ouço Gary me chamar novamente. Já tinha perdido as contas de quantas vezes ouvi meu nome.
- Juliana, espere por favor. – Ele me alcança parando na minha frente, forçando-me a parar.
- Gary por favor, eu só quero ir para casa. – Sinto um grande desanimo, não quero conversar, tudo o que preciso é ir para casa.
- Não. – Falou firme segurando meus ombros me fazendo olhar para ele. – Deixe-me contar o que aconteceu, não foi nada do que você viu.
- Ok, me explique. Não tenho opção, não é? – Olho para a sua mão que segurava meu ombro. Ele percebendo o que eu dizia logo soltou as mãos dos meus ombros.
- Não foi como você viu. Eu me levantei quando te vi, me despedi da Mariana e ia ao seu encontro quando ela simplesmente se jogou para cima de mim.
- Não foi o que me pareceu, suas mãos pareciam bem confortáveis na cintura dela. – Fixei meu olhar no dele tentando sentir se o que me dizia era real.
- Ela que pegou minhas mãos, não foi eu que as coloquei lá. Acredite em mim.
- Porque tenho que acreditar, isso não tem sentido. – Começo a pensar de fato. Como o beijo dele e da tal Mariana me afeta tanto. Gary e eu não temos nada, apenas rolou um beijo e muitos sentimentos confusos. – Gary, - Continuei falando. - Não somos um casal, você pode ficar com quem quiser, só que eu não gosto disso, não quero que me beije e depois fique com outras, para mim um relacionamento é algo sério. Temos um trabalho em comum, digamos e acho que é melhor nosso relacionamento ser só assim.
- Mas Juliana eu te falei, não aconteceu nada, eu não a beijei ela quem se jogou em cima de mim. Nunca iria te trair, seria impossível fazer isso mesmo se eu quisesse. – Ele pegou as minhas mãos segurando carinhosamente. – Te beijar foi a melhor sensação que tive na vida, me fez sentir nas nuvens. Você é incrível Juliana, de todas as maneiras.
- Palavras bonitas não vão me enganar Gary. Você é um manipulador. Não importa se beijou ou não aquela mulher, mas fingir gostar de mim é um absurdo. Você é homem, não importa a mulher, todas são iguais né?
- Não finjo gostar de você, o que digo é real. – A chuva começa a engrossar rapidamente, não tem nenhum lugar coberto por perto. – Gostei de te beijar e nunca me senti como me senti com você e não beijei a Mariana, acredite em mim.
- Eu já disse Gary, não tem o porquê de eu me importar com você ficando com alguém ou se finge ter sentimentos por mim. Não tem sentido ficarmos juntos. Agora preciso ir.
A esta altura eu já estava bem molhada, meus cabelos grudados no meu corpo e o que eu mais queria era ir para casa. Dei a volta nele caminhando em direção ao apartamento e depois de apenas alguns passos ele segurou meu braço me fazendo virar rapidamente.
- Sei que se importa e sente o mesmo que eu, impossível não sentir.
Olhando nos meus olhos ele me puxou pela cintura e me beijou com todo sentimento que tinha. A chuva molhava nossos corpos que estavam grudados, se misturava com o toque de seus lábios aos meus. Por um breve momento deixei que ele me beijasse, que sentisse seus lábios brincarem com os meus e me esforcei o bastante para não retribuir, estava chateada com toda aquela situação e não queria me iludir novamente, deixar meu coração machucado por alguém que não se importa com sentimentos.
- Nem tudo se resolve com beijos Gary. – Falei enquanto as minhas lagrimas se misturavam com a chuva e meu coração se despedaçava.
Depois do banho quente senti minha garganta começar a doer provavelmente por causa da chuva que havia pegado pela tarde. Enrolada no roupão quente, preparo um chá de gengibre e casca de laranja, se prevenir de uma possível gripe nunca é de mais.
Sento no sofá da pequena sala do apartamento. Tomo um gole do chá quente e desbloqueio a senha do celular. Respondo mensagens, visualizo algumas postagens no Instagram. A noite chega e me vejo sem fome, sem vontade de fazer nada a não ser ficar embrulhada no cobertor observando a chuva cair pela janela grande da sala.
Olhar a chuva escorrer pelo vidro me voltou aos pensamentos daquela tarde, da cena do beijo que me fez acordar para a realidade e me voltar a sentir um aperto no coração. Por que tudo tem que acontecer comigo? Minha experiência do passado já não foi suficiente para mim? É por isso que não gosto de me envolver tão facilmente, não deixo me apaixonar nos primeiros momentos e costumo descobrir tudo antes de fato pensar em gostar.
O fato é que desde que parei de patinar por causa do acidente, também parei de me envolver em relacionamentos, apenas namorei por um ano e meu coração ficou despedaçado por não perceber que homens são todos iguais, fingem te amar, mas no final só querem mais uma para ter como troféu.
Porque o Gary seria diferente? Porque não me magoaria?
O que eu não compreendo é como me envolvi nisso, como deixei meu coração se iludir por um cara que nem mesmo é meu parceiro de trabalho. Um homem arrogante, cheio de si, manipulador e que só pensa em ganhar lucros e dinheiro. Nunca me vi gostar de alguém assim, então porque me vi com ele.
Por mais que seu cabelo loiro e a barba bem feita deixasse seu rosto bonito, e as expressões que fazia mostrando seu charme, além de ser alto e ter um corpo musculoso, mas na medida, eu não consigo compreender.
Nos conhecemos em apenas uma semana, foram alguns dias e muitos acontecimentos estranhos e confusos para tão pouco tempo. Odiei saber que ele queria mudar o Jam&Roller, odiei vê-lo como uma autoridade acima de mim, mas gostei de saber que ele me olhava com desejo, que me beijava com carinho como se realmente gostasse de mim, além da surpresa pela manhã. Talvez eu me envolvi de mais ou cedo de mais, deixei o sentimento me dominar, o doce sabor de um beijo bom, mas que me iludiu e me mostrou novamente que o amor é bom, porem deve-se usar a cabeça antes de deixar este sentimento ir para o coração.
Sinto uma lagrima escorrer em meu rosto, não sei se é de raiva ou por meu coração estar em pedaços, quem sabe é pelas duas coisas. O que não posso deixar é ele controlar meus sentimentos, ter o que me faz feliz. Este Gary que se cuide pois eu não vou deixa-lo vencer e ter o Roller, eu estou pronta para lutar por aquele lugar.
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Odeio te amar
FanfictionJuliana é uma mulher forte que não aceita qualquer situação que não seja do seu gosto. Tudo estava indo bem no Jam&Roller, as competições estavam chegando e em breve sua equipe competiria para ganhar e se divertir. Mexico ai íamos nós. Porem alguém...
