Capítulo 2 - Conhecendo Gary Lopez

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Juliana - Narrando

A saia midi azul escura que marcava meu quadril e levemente se abria até o joelho, me deixou elegante juntamente com a camisa social preta de borboletinhas brancas que vinha até meu cotovelo. Uma roupa perfeita para uma reunião de negócios com a empresa.

Respirei fundo e entrei no carro. Ao som de Caro Emerald fui a caminho do centro de Buenos Aires onde ficava a sede da empresa. Durante o trajeto fui pensando nos momentos em que me sinto confusa, olha que normalmente eu não fico, tenho uma certa mania de sempre ser perfeita, acertar em cheio, mas em certas situações me sinto com medo e me vejo pensativa. E este é um daqueles momentos.

Faz um tempinho que quero pedir algumas verbas para projetos no Jam&Roller, só que conseguir uma reunião somente para pedir algo que para eles não faz tanto sentido não é fácil, então qualquer brecha deve ser aproveitada.

No estacionamento deixo meu caro em um lugar coberto e caminho brevemente até a recepção, ainda faltando alguns minutos antes de começar. O lugar não era grande, porem era bem acomodado. Algumas cadeiras almofadadas, ar condicionado, sala cheirosa e limpa, alguns pequenos quadros de decoração, café com alguns biscoitos na mesa ao lado do bebedouro e a mesa da recepcionista morena aparentemente jovem.

Ao entrar reparo nos três rapazes vestidos de terno no canto da sala, dois de cabelos castanhos muito bem cortados e aparentemente de meia idade. Um deles é conhecido de vista, é administrador de uma das filiais, o outro deve ser algum advogado da empresa ou de algum dos sócios. O homem loiro que estava de costas eu nunca havia visto, talvez fosse o tal do Gary Lopez. Ele é alto, tinha alguns centímetros a mais que eu e isso porque sou alta. Tem ombros largos e aparentemente deve fazer academia. Deu para perceber depois de tirar o paletó e ficar apenas de camisa social azulada.

- Posso ajudar moça? – A recepcionista perguntou um pouco confusa.

- Há, sim pode. Me chamo Juliana vim para a reunião com os sócios. – Saí da minha leve hipnose e olhei para a moça de cabelos escuros e olhos claros.

- A moça do telefone?! Só para contar, aquele é ele mesmo. – Ela apontou para o homem loiro que agora dava uma leve risada com os outros homens. – É um gato, de tirar o folego. – Ouvi o suspiro da moça que estava com o rosto apoiado na mão em cima da mesa. Olhei para ela assustada com aquela afirmação, que logo voltou a me olhar envergonhada. Mas de fato ele poderia ser um tanto atraente, ao menos de costas. – Desculpe. – Ela escreveu algo no computador. – Pode entrar, a sala fica no final deste corredor, virando a direita, a primeira porta. O banheiro e bebedouro ficam no caminho.

- Obrigada pelas informações. – Levanto a minha bolsa e começo a caminhar. No caminho me pego olhando para trás, aquele homem era um tanto curioso.

No banheiro feminino retoco a maquiagem leve e o batom rosado, arrumo meus longos cabelos lisos que estavam perfeitamente bonitos naquele dia e olhando no espelho me acho ainda mais bonita. Até que entram duas meninas, provavelmente outras secretarias e juntas comentam sobre o homem loiro.

- Ele é muito bonito, será que é casado? – Uma delas falou. Me escondi dento de um dos sanitários.

- Acho que não, viu a mão dele? Sem aliança. – A de voz mais fina comentou.

- Pena que ele nem olha pra gente, somos meras secretarias. – Debochou a outra.

- Viu como ele olhou para aquela mulher de cabelos escuros? – Sussurrou uma delas, mas ainda dando para escutar.

- A de saia azul? Que entrou no banheiro agora a pouco?

- Shhii, mais baixo, ela ainda está aqui. – Falou nervosa quase não dizendo as palavras. – Era como se ele estivesse a devorando só com um olhar.

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