- Thiago
Chegamos no hospital e percebo que a Bárbara está meia aéria.
- Está tudo bem? - Pergunto já sabendo a verdadeira resposta.
- Aham. - Diz ela olhando para o chão.
- Não está não. Quando é verdade você fala olhando nos olhos.
- É, mas eu estou bem sim. - Diz ela ainda olhando para o chão.
- Não vai mesmo falar?
- Não, eu estou bem.
- Tá bom.
Ficamos mais um tempo em silêncio e logo minha passagem é permitida.
Entro no quarto e me arrepio.
- Oi Brena. - Digo meio assustado e se aproximando para segurar a mão dela, afinal não é normal se arrepiar assim. - Será que os anjos de plantão podem me ouvir? Será que você pode me ouvir? - pausa. - Estamos sentindo sua falta Brena. Seu jeito, seu carisma faz com que a falta seja ainda maior. Já tem médicos falando em possível desligamento dos aparelhos, mas não vamos permitir, claro que não. - pausa. - Essa rotina de ir e vir, está sendo complicada. Pois todas ás vezes que a gente vem aqui, os médicos dizem sobre desligamento de aparelho, e o possível não acordar. Sabe, vou deixar esse assunto pra lá, sabemos que você vai acordar e tudo voltará ao normal não é mesmo? - pausa. - Acho que devo ir né, a Bárbara está me esperando. Falar nela, nossa que garota... - Sou interrompido ao sentir um aperto na minha mão. - Brena? Brena, você está me escutando? Brena? - Sinto novamente um aperto na minha mão.
Saio em disparada em direção à sala que a Bárbara estava me esperando.
- Bárbara, ela apertou minha mão. - Digo apressadamente.
- An? - Ela para e raciocina o que eu disse. - Meu Deus. - Diz abrindo um sorriso.
- Precisamos falar com os médicos.- Ela apertou minha mão. - Digo assim que vejo um médico no corredor.
- Ela está em coma. - Diz ele com uma expressão duvidosa.
- Mas ela apertou minha mão.
- Não pode ser.
- Claro que pode. - pausa. - Ela está despertando. - Bárbara.
Entramos novamente dentro do quarto onde a Brena estava e rapidamente a Bárbara se aproxima dela.
- Brena? - Diz ela segurando a mão da mesma.
- Apertou?
- Nada. - Bárbara.
- Acho que foi da sua cabeça rapaz. - Diz o médico já saindo do quarto.
- Como é que é? - pausa. - Não sei se você entendeu ela está despertando. Não sou louco ao ponto de não sentir quando alguém aperta a minha mão.
- Ok. Preciso me retirar.
- Não, você não vai se retirar daqui. - Grita Bárbara pulando na frente do médico. - Ela está despertando e eu quero médicos aqui, você está me entendendo. Fui bem clara? Espero que sim. Agora eu vou ficar aqui, aguardando você ou outro médico passar por essa porta e checar a pulsação dela.
- Já vou voltar com uma junta médica. - Diz o médico saindo em disparada.
- Nossa. - Digo assustado com a reação da Bárbara.
- Eu já não tenho praticamente ninguém nesse mundo, ainda vão querer vacilar com a única que eu tenho?
- Uma das únicas. - Digo a corrigindo. - Você me tem também. - Digo sorrindo. - Estou aqui, contigo, no que precisar. Sempre que precisar.
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Pulsar do coração
Teen FictionÁs vezes, quando estamos no fundo mais profundo de um poço emocional e social, a vida resolve nos ajudar. Talvez enviando pessoas para nos socorrerem, ou até mesmo, enviando pessoas para que nós possamos socorrer. Uma história com mistura de romance...