Uma Gentil Imune - CAP 2

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Do que essa garota está falando? Eu só tenho 17 anos, como poderia ser o pai dela?

- Desculpa, eu não faço ideia do que você está falando.

Será que ela se perdeu da família? Não, não é possível, ela aparenta ter uns 14 anos, já deve saber se cuidar. Não que isso importe agora. Ela pode não ter dirigido a palavra a mim antes, mas agora dirigiu, então ela vai morrer dentro de 5 minutos.

- Se cuida, e obrigado por ter me tirado as algemas. - Falo dando as costas pra ela acenando.

Ela meio confusa só me observa, mas logo tira seu foco de mim. Quando olha ao seu arredor, começa a ter um ataque de desespero, seus olhos assustados fixaram-se nos corpos do chão. Seu desespero era eminente, com as mãos na boca ela evitava gritar, vomitar ou seja lá o que for.

Espera um pouco, ela não tinha visto esses corpos ainda? E agora que me lembro bem, não é permito crianças nos locais das execuções, então o que ela estava fazendo aqui?

- M-Mas o que é isso? - Ela sussurra gagueijando.

Ela chegou aqui depois de todos terem morrido? Não, se isso tivesse acontecido ela teria percebido sobre os corpos, sem contar que eu perceberia se alguém estivesse se aproximando. MAS A FINAL DE CONTAS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

- Qual é o seu nome broto de gente? - Pergunto com um olhar de desinteresse.

- M-Meu nome? Meu nome é... - Ela faz uma pausa e fica meio pensativa. - Qual era meu nome mesmo?

Como eu suspeitava, ela perdeu as suas memórias. Acho que foi um choque muito grande pra ela ver todas essas pessoas morrerem em sua frente. Provavelmente seus familiares estão entre esses corpos. Coitadinha, eu sei muito bem a dor de perder uma família, mas para sua sorte isso não vai durar por muito tempo, já que só falta 4 minutos para sua morte.

- Ei garota, você gosta de cachaça? - Pergunto com um sorriso.

- Hã? Do que você está falando? Eu sou uma criança ainda, não posso beber. - Ela responde friamente.

- Aff, como você é chata. Venha comigo. - Começo a andar de novo.

- Espere um pouco. F-Foi você que matou essas pessoas?

Me viro pra ela de novo e lanço um olhar frio, tão frio que ela começou a tremer.

- Sim, mas também posso dizer que não. O que interessa mesmo é que era elas ou eu.

- C-Como assim?

- Só me segue pirralha. - Continuo a andar.

Ela me olha meio desconfiada, mas logo começa a me seguir com passos lentos. Acho que ela só queria sair dalí, ninguém gosta de lugares onde só há um amontoado de corpos.

Seguimos por um beco até chegar no bar daquele velho de antes. Entrei e percebi que ele estava vazio. Um ato tanto quanto irresponsável o meu né? Voltar ao mesmo lugar onde fui capturado, e ainda mais que o dono do estabelecimento tinha sido o responsável pela minha captura.

- Onde está aquele velho? Quero saber porquê ele me entregou. - Falo olhando de um lado pro outro. - Aff, que se dane, pegue qualquer coisa pra você beber pirralha, e também alguma bebida pra mim. - Falo sentando em uma cadeira colocando os pés na mesa.

- Hã? Isso é certo? - Ela pergunta assustada.

- Eu já paguei por essa merda, só não pude aproveitar antes porque fui capturado.

- Capturado? - A dúvida fixava em seu rosto.

- Só vá e pegue as bebidas droga. - Viro a cara pra ela.

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