Ao anoitecer fui até o celeiro. Dessa vez não era só para assistir o show de horrores, mas também para participar. Com duas espadas nas costas, poções de cura e um pouco de dinheiro que meu havia me dado, até porque eu não poderia ficar alí depois do que iria fazer.
Aindei lentamente até a porta do celeiro e a abri com um forte chute. Logo avistei os dois homens que sempre acompanhavam o cliente desgraçado, mas ele mesmo não estava no local.
- ONDE ESTÁ AQUELE OUTRO HOMEM? - Grito furioso.
- Quem é esse moleque? - Um pergunta para o outro.
Esse era de pele e cabelos brancos, com um porte físico bem definido, e roupas pretas que lembravam um terno.
- Talvez seja o filho do Aventureiro. Não se preocupe com ele senhor Thomas, irei eliminá-lo rapidamente, parece que ele viu coisa de mais. - O segundo responde.
Já esse aparentava ser anos mais novo que o outro, mas tinha o mesmo estilo e porte físico de seu parceiro. O que lhe diferenciava era sua espada negra na cintura que logo apontou pra mim.
- Fique a vontade Marx, não acho que Jobi irá se estressar se matarmos essa criança. - O que correspondia como Thomas olha fixamente para mim.
Puxo as duas espadas e aponto uma delas para a garota amarrada na cama. Com um olhar desafiador começo a falar com voz de superioridade:
- Me entreguem ela e tenham uma morte indolor.
Marx me olha com um sorriso de dó e então move sua espada em minha direção, e só com a pressão do vento sou jogado à metros do celeiro, mas mesmo assim me mantenho de pé.
- Hahaha Esse garoto é durão, conseguiu ficar de pé mesmo depois da pressão que você fez. - Thomas exclama sorridente.
- Vamos ver se aguenta o próximo. - Marx se posiciona novamente.
- Não... Agora é a minha vez. - Falo levantando as duas espadas e com um rápido movimento as abaixo de novo, fazendo assim a pressão do vento provocada por mim desabar todo o celeiro em cima deles.
- Isso deve ter ao menos os desmaiado. Agora preciso tirar aquela garota dos escombros. - Falo me aproximando do que antes era o celeiro.
De repente algo começa a se revirar nos escombros. Segundos depois pude perceber que eram Thomas e Marx.
- Tsc... Você conseguiu me irritar agora garoto. - Thomas fala batendo a poeira de suas roupas.
- IMPOSSÍVEL, COMO VOCÊS MAL SE ARRANHARAM? - Pergunto assustado.
- Eu quebrei um braço... Aff, que má sorte. - Marx fala cortando um de seus braços.
O que? A única coisa que consegui fazer nele foi quebrar um braço? M-Mas ele se livrou dele como se não fosse nada.
- Melhor assim... - Ele diz parando seu sangramento com um tipo de feitiço.
O que são esses caras? Algum tipo de monstros? Será que consigo enfrentá-los com a minha atual força?
- Garoto... Você veio aqui para salvar a menina não é? - Thomas pergunta com um olhar fixante.
- Sim, e para matar vocês também.
- Humm... Então por que desabou o celeiro em cima dela também?
Troco minha expressão de raiva por uma de tédio, e então o respondo:
- Não tentem me fazer de idiota. Eu sei que aquela garota é imortal. Todas as coisas que ele sofreu não se comparam a uns pedaços de telhas caindo por cima dela.
Isso mesmo. Eu ouvia os diálogos deles todas as noites enquanto a torturavam. Descobri muitas coisas, como que ela é imortal e também que é irmã da Bruxa Stella.
- Muito bem... Isso prova que você não é só um garoto estúpido que veio desafiar a seita da bruxa. Está determinado a usar qualquer método para nos vencer. - Ele Puxa sua espada da cintura e retoma a fala. - Por isso... EU O ACEITO COMO MEU ADVERSÁRIO.
De repente ele começa a se mover com uma velocidade impressionante e gira sua em minha direção. Com a espada da mão esquerda paro o seu golpe e contra ataco com a direita. Mas sem sucesso em meu contra ataque, golpeio o vento. Logo depois sinto uma mão pesada sobre minha cabeça e meu rosto é afundado no chão, fazendo uma enorme rachadura no mesmo.
- Então é só isso que você tem há oferecer? - Thomas fala espremendo minha cara ainda mais no solo.
- Permita-me dar o golpe final senhor. - Marx fala sacando sua espada novamente. - É o mínimo que ele merece por me obrigar a arracancar o meu braço.
- Fique a vontade. - Ele tira sua mão da minha cabeça e vira as costas.
Com um rápido movimento, aproveitando sua guarda baixa, me levanto e cravo minhas duas espadas em suas costas.
- Sabe de uma coisa... Eu pedi meu pai para me ensinar a usar espadas, mas eu já tenho bastante experiência em lutas. Minha arma favorita sempre foi arco e flecha, mas achei que não conseguiria matar vocês usando isso, por isso treinei com espadas. Não é lá muito o meu forte mas estou me adaptando.
- D-Desgraçado. - Thomas fala tentando virar o seu rosto para mim.
- Você também é imortal não é? Os seus arranhões causados pela queda do celeiro já se cicatrizaram. Mas e se eu te cortasse tanto que não houvesse tempo para se curar? O que aconteceria? - Falo com um sorriso sádico. - Acho que vou testar uma coisa.
- SEU DESGRAÇADO TIRE AS MÃOS DELE. - Marx corre em minha direção.
- Magi Elemento Vento: 1 milhão de lâminas de pressão. - Conjuro o feitiço.
De repente Thomas arregala os olhos e desaba no chão, mas na forma de um amontoado de carne moída coberta por sangue.
- O-o q-que você f-fez com ele? - Marx se ajoelha perto dos restos de Thomas tremendo.
- Humm... - Me agacho e cutuco os restos de Thomas com a espada. - Então é isso que acontece se eu usar esse feitiço com uma espada, é ainda melhor do que com o arco e flecha hahahaha.
- ME RESPONDA, QUEM É VOCÊ? - Marx pergunta aos prantos e choros.
Olho para ele e faço silêncio por alguns segundos.
- Sabe Marx, meu pai é um aventureiro bem famoso na cidade. Ele é o único com título de Hero. Nenhum com o título de Platina é páreo para ele, é o que todos pensam. Na verdade ele está no nível Ouro. Mas acho que já dá pra imaginar o porquê dele ser Hero não é?
- Porque ele t-tem você?
- Exatamente. Na maioria das vezes eu que faço os feitos inacreditáveis por ele, e ele leva todo o crédito.
- M-Mas por que?
- Por que? Não há um porquê, é simplesmente assim que acontece. - Falo voltando a cutucar aquela coisa. - Ele sempre me disse que os membros da Seita Da Bruxa eram muito fortes, que nem mesmo eu deveria comprar briga com eles. Mas olha só, esse não parecia tão forte.
- O senhor Thomas acabou de ser promovido a membro oficial, e-então os outros não se comparam a ele.
- Entendo... Então quem se torna membro oficial recebe o poder da regeneração. Mas parece que não é tão eficaz assim não é mesmo hehe. - Falo sorrindo.
- S-Sim... - Ele tenta puxar um sorriso também.
Hã, era isso mesmo?
- Então se o seu braço não se regenerou, quer dizer que você não é um oficial não é mesmo? - Pergunto com uma expressão psicopata.
Ele se aterroriza com meu olhar e tenta recuar.
- Acho que você vai sofrer apenas 10% do que aquela garota sofreu. Que pena... Mas vai valer a pena...
- P-Por favor, não... POR FAV-
[Continua...]
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C U R S E
FantasyEm um Reino Ditatorial e injusto, um garoto de 17 anos tenta sobreviver. Por essas e outras circunstâncias ele se torna um delinquente famoso, ganhando assim um nome, "Curse", ou seja, Maldição. Mas algumas coisas mudam quando ele encontra uma garo...
