É melhor eu andar com isso logo, esse clima de circo só me trás má recordações.
- Então Jobi, um comerciante de um bairro isolado da capital foi morto e esquartejado, quero saber se você tem algo haver com aquilo?
Jobi tira o sorriso da cara e me encara por alguns segundos.
- Comerciantes são mortos todos os dias na capital, não é mesmo pequena Yuzu? Por que será que Jun está me acusando de algo tão terrível?
- Não minta, eu conheço aquele jeito de matar, É O SEU JEITO. Enforcar primeiro e depois esquartejar, aquilo é a sua marca.
Ele me olha com uma cara de tédio e me vira as costas.
- Vou mostrar pra você uma coisinha Yuzu-chan, vou provar que o que meu filho ingrato está dizendo é algo sem qualquer cabimento. Siga-me. - Jobi fala entrando por uma porta que parecia estender ainda mais o feitiço de expansão, levando até um corredor escuro com paredes de ferro.
- Onde ele está nos levando Jun? - Yuzu pergunta sem soltar a borda da minha capa.
- É aqui que as crianças vêm flutuar. - Ele responde antes de mim.
- Flutuar? - Ela olha pra mim mais confusa ainda.
Acho que sei que lugar é esse, isso não é bom.
A cada passo que eu dava o odor de cadáveres aumentava, até que chegamos perto de outra porta. Jobi começou a fazer gestos como se estivesse apresentando um de seus truques medíocres de magia, apontando pra porta rodando os dedos e inclinando o corpo.
- Bem vindos a minha área de diversão. - De repente a porta para qual ele apontava começa a se abrir lentamente.
O odor ficou ainda mais forte, então Yuzu e eu curiosos, começamos a andar em direção à porta, até que avistamos o que tinha depois dela. Algo difícil de se acreditar se contado por alguém, mas como estava vendo com os próprios olhos não tinha opção a não ser acreditar. Nem as minhas mãos que taparam os olhos de Yuzu depois de alguns segundos, impediram que ela se perturbasse com aquilo. Seu corpo começou a tremer sem parar, ela permaneceu calada e paralisada.
Aquele lugar que nos havia deixado tão perplexos retratava uma cena agoniante e perturbadora. Atrás daquela porta estava um galpão com centenas de crianças com cordas ligadas ao teto e amarradas em seus pescoços. Centenas de crianças enforcadas girando de um lado pro outro.
Agora eu entendi o que ele quis dizes com, "Lugar onde as crianças vêm flutuar".
- Está vendo Yuzu-chan? eu não mato adultos, eles são sempre muito chatos, prefiro me divertir com crianças. - Ele se agacha e fala no ouvido de Yuzu.
- Se afaste dela. - Exclamo puxando ela para o outro lado, sem tirar a mão de seus olhos. - Nós já estamos indo embora.
- O meu show logo irá se iniciar, por que não fica pequena Yuzu?
O olho com um olhar ameaçador fazendo ele recuar.
- Aff... - Ele desvia o olhar. - Vou acompanha-lá até a porta.
Saímos do galpão e da cabana, sempre acompanhados de Jobi com um sorriso grotesco. Yuzu ficou calada o tempo todo, sua face sem expressão demonstrava o abalo que aquele lugar havia lhe causado.
- Obrigado pela visita Yuzu, volte mais vezes para tomarmos um chá. - Jobi grita acenando de longe.
Pode ter certeza, se depender de mim ela nunca mais põe o pé nesse lugar.
Seguimos até o cavalo que estava amarrado em uma árvore não muito longe dalí. Yuzu continuou calada e sem mudar sua expressão morta.
- Estou pensando aqui Yuzu, é melhor você não ficar comigo mais, em poucos horas você viu metade do que eu vejo todos os dias e já está nesse estado deplorável. Vou levar você para um lugar onde possa ter uma vida tranquila.
- M-Mas...
- Sem mas... Você é só uma criança ainda, essa vida que eu levo não é pra você. E além do mais, eu não posso te proteger o tempo todo.
Ela só abaixa a cabeça ao escutar essas palavras e se cala de novo.
[...]
Cavalgamos pela flores por algum tempo até chegarmos em uma mansão. A mansão ficava isolada de qualquer civilização, e as lamparinas em poucos pontos a deixavam com uma aparência ainda mais sombria. Sem qualquer sinal de vida vindo dela, a casa tinha a aparência de abandonada, o que contraria isso eram as poucas luzes acesas.
- Onde nós estamos? - Yuzu pergunta olhando os arredores.
- Essa é a casa de alguns amigos meus. - Respondo abrindo o grande portão que libera passagem até o jardim mal cuidado.
Ela me olha meio desconfiada após ouvir minha resposta.
- O QUE É? Acha que eu não tenho amigos?
- Não, não é isso.
Sim, eu ainda tenho amigos, apesar de ter os abandonado a algum tempo. Mesmo com a minha maldição, consegui encontrar pessoas que carregavam o mesmo fardo que eu. Pessoas que perderam tudo por causa de suas maldições.
Eu tenho meus motivos de ter me distanciado deles, e como sempre é o mesmo, minha maldição. Apesar deles também terem seus fardos, não é nada que se possa comparar com o meu. Não é nada que prejudique todo o grupo.
- Escute bem Yuzu, a partir de hoje você vai viver aqui. Eu só vou entrar, explicar a situação pro pessoal e ir embora. Eles vão te receber bem (espero).
Yuzu só abaixa a cabeça e não me questiona em nenhum momento, contrariando sua expressão de incômodo.
Vou até à porta de entrada e então ela começa a se abrir lentamente. Percebi que ninguém estava atrás dela, então logo entendi a situação e adentrei no local junto de Yuzu. Com um pouco de dificuldade passamos pela sala que estava escura e seguimos em direção a cozinha. Quando entramos na cozinha a primeira coisa que avistamos foram os 7 Curses sentados na mesa de jantar nos encarando.
- Eae gente... Voltei... - Falo devolvendo o olhar frio para eles.
[Continua]
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C U R S E
FantasyEm um Reino Ditatorial e injusto, um garoto de 17 anos tenta sobreviver. Por essas e outras circunstâncias ele se torna um delinquente famoso, ganhando assim um nome, "Curse", ou seja, Maldição. Mas algumas coisas mudam quando ele encontra uma garo...
