Sexta lamúria

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O ar saia condensado das narinas do corcel, criando uma pequena névoa diante de si enquanto cavalgava no limite de suas forças. O duque guiava o cavalo sem saber direito a aonde ir, tudo que via diante de si era a desolação branca do inverno nortista. Não conhecia a região e, por mais arriscado que fosse, embrenhava-se na mata mais densa, tinha certeza que ao menos um grupo de homens os procuraria nas estradas principais. Precisava parar em algum lugar, achar alguma região com o mínimo de recursos para montar um acampamento, principalmente quando sentia o sangue quente do general manchando suas vestes.

O som da água corrente deu um rumo ao monarca, cavalgando até encontrar uma pequena clareira próxima ao rio quase congelado. Não fazia a menor ideia de qual corpo hídrico era aquele, não tinha a noção se estava mais próximo de Daegu ou de Busan, se havia alguma cidade ou vilarejo nas redondezas onde pudesse abastecer os suprimentos – que, por sinal, eram escassos. O general não carregava quase nenhuma bagagem consigo, seu corcel devia sempre carregar pouco peso para que pudesse ser ágil – e isso provavelmente havia salvado a vida deles – porém a velocidade do corcel em nada ajudava na sobrevivência dos dois em meio à neve. Eles mal tinham tecido o bastante pela uma barraca pequena, apenas a água do cantil do general e comida que não duraria nem a primeira noite.

Jimin nem mesmo sabia como movia seu corpo. Estava apavorado, isso não era segredo algum, mas não se deixava parar por nem mesmo um segundo, a mente completamente focada em todo treinamento que recebera de seus mentores quando era mais novo, especialmente quando ouvia a respiração do militar ficando cada vez mais fraca. Cavara na neve com as mãos nuas, sentindo os dedos congelarem no processo, ficando vermelhos e rígidos, precisava abrir um buraco na neve grande o bastante para a tenda o mais rápido possível e forçara os galhos que achara na floresta contra o solo congelado, batendo ferozmente com a maior pedra que achara. Por mais precária que fosse a cabana, ela ao menos deveria ter uma base firme para que não voasse com o vento. A barraca foi montada às pressas com a enorme bandeira do clã cinzento que o general carregava consigo, provavelmente seria entregue ao príncipe do clã negro, e a pequena fogueira de gravetos foi acessa dentro dela.

O nobre fez tudo o mais rápido que pôde e, agora, tirava com cuidado o corpo do general de cima do corcel. "O coração ainda está batendo!", não sabia o porquê de estar tão aliviado com o timbre ritmado que o peito do militar emitia, depois de tudo que havia passado nas mãos do general, ele deveria querê-lo morto, justificando-se com um mero: "Se alguma tropa expedicionária nos achar talvez não me matem se eu estiver com ele.". Tropeçando pelo peso do alfa, Jimin foi capaz de trazer o corpo inconsciente para dentro da tenda improvisada. A temperatura do lado de dentro estava consideravelmente mais agradável, embora o ar ainda chegasse gelado em seus pulmões, o Park posicionou o general o mais próximo possível da fonte de calor e saiu à procura do rio que escutara, precisaria ter o mínimo de recursos que quisesse fazer o que pretendia.

O monarca se movia tão rápido que nem mesmo sentia seu corpo. Não era consciente do que fazia, sua mente se focava apenas nas memórias de seus tutores, especialmente nas recordações do Sr. Gye, general aposentado do exército cinzento que o duque Park, antes de sua morte, havia deixado como responsável por repassar ao jovem Park Jimin ao menos o básico para sua sobrevivência em batalha. Jimin nunca havia pensado que as aulas traumatizantes do velho Gye lhe serviriam para algo, mas ali estava ele, mexendo em meio às posses do general Min à procura de material para retirar a flecha de seu corpo.

Voltara à cabana junto da única bolsa de bagagens do militar, despejando todo seu conteúdo no chão da tenda e analisando o que ela continha que poderia ser útil. Achara apenas um pequeno frasco de vidro contendo um líquido cor de âmbar, o odor não negava o teor alcoólico que possuía e era a única coisa que poderia ser útil em meio às posses do Min. "Como um general não leva consigo nem mesmo uma faca? Voltar pra casa o deixou despreparado.", pensava Jimin buscando o próprio punhal em meio às vestes, "Yoongi já estaria morto se eu não tivesse decidido trazer a lâmina comigo!". Suas mãos tremiam enquanto retirava cuidadosamente o uniforme do miliar, os dedos frios formigando sem nem ao menos tocar a pele do Min, sua respiração estava ofegante e o coração pulsando desesperadamente em seu peito.

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