Embaixo do visco

442 25 77
                                        

  Dia 10 de dezembro.

  O natal estava se aproximando rapidamente, e seria o primeiro natal que Luccino e Otávio passariam juntos.

  — Então, já decidiram o que vão fazer no natal ? — Mariana ajudava Luccino na oficina.

— Eu não tive muitas idéias, e Otávio não fala nada.

— Talvez ele esteja planejando uma surpresa. — Mariana sorriu.

— Duvido, o Major não gosta muito de surpresas, ele gosta de saber o que vai acontecer. — Luccino intercalava movimentos com a chave de fenda e o martelo enquanto estava debaixo do carro.

— Que controlador... — Mariana riu.

Luccino saiu debaixo do carro, e limpou o rosto sujo de graxa com um pano.

— Mas e você e o Coronel ?

— Ah, mamãe fará um enorme jantar com toda a família e eu e Brandão obviamente fomos inti- digo, convidados a participar. — Disse a amiga com humor. Depois de rirem, Mariana piscou como se tivesse tido uma idéia. — É isso! Por que você não dá a ideia de passarem o natal com sua mãe ?

— Eu...eu não sei, Edmundo e Ema estarão lá provavelmente e eles não sabem sobre mim e Otávio. Não queria ter de fingir no natal.

— Mas, Luccino, esse não é o primeiro natal sem o seu pai ? Com certeza sua mãe vai querer todos os filhos com ela.

— Por esse lado...é, eu vou falar com Otávio hoje a noite.

[...]

Durante o jantar delicioso que Luccino preparou para os dois, Otávio comia e apreciava a refeição.

— Luccino, isso está incrível! — Ele engolia um pedaço de carne, ao direcionar o olhar pra Luccino, percebeu seu rosto fluindo entre esperança e apreensão. — Há algo que queira me contar ?

— Bom, é que o natal está chegando e eu queria saber se você pensou em alguma coisa. — Luccino disse com uma voz cautelosa, Otávio baixou os olhos e deu uma nova garfada.

— Eu não comemoro o natal.

— Por quê ? — Luccino franziu as sobrancelhas e se aproximou.

— Primeiro, porque é uma festa familiar, e eu não tive família pra comemorar. Segundo, não vejo nada demais nesse dia, nem nascimento de algum salvador nem embrulhos deixados por um velho barbudo. — Otávio disse tudo com calma, enquanto Luccino arregalava os olhos com a declaração do companheiro.

— Bom, família agora você tem, ou vai dizer que pretende me deixar comemorando o natal sozinho ?

— De certo que não, meu bem. —  Otávio colocou a mão sobre a de Luccino. — Se você quer comemorar, podemos fazer algo.

— Então...estive pensando nisso. — Luccino firmou a mão na de Otávio, pois era hora de falar. — E se passássemos o natal na casa da minha mãe ?  — Otávio franziu as sobrancelhas mas não soltou a mão de Luccino.

— Como assim ? Dona Nicoleta nos convidou para passar o natal com ela ?

— Não, mas eu acho que poderíamos ceiar lá, afinal é o primeiro natal sem meu pai, não queria deixá-la sozinha.

— Ué, seus irmãos não vão ?

— Devem ir, mas seria melhor se todos estivéssemos lá. — Otávio suspirou, e olhando fixamente para seu prato vazio, pensava sobre isso. — Se você não quiser, tudo bem. Podemos fazer algo aqui mesmo, só nós dois e...

Contos LutávioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora