Parceiros... [ Ermilo ]

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    Camilo e Ernesto ficaram para ajudar Luccino a terminar os últimos detalhes da estação móvel de café.

— Sem querer ofender, mas vocês dois não sabem nada sobre mecânica. — Luccino cruzou os braços quando Ernesto e Camilo disseram que podiam terminar de montar os detalhes.

— Mas sabemos de café! — Ernesto jogou o braço pelo ombro de Luccino. — E são justos esses detalhes, meu caro fratellino, — Ele fingia arrumar a blusa de Luccino. — Que faltam... E você não vai querer deixar o Major esperando, não é ? — A última frase fora dita em tom baixo.

— A-a questão não é essa, Ernesto...— Luccino sentiu o rosto ficar vermelho e se desvencilhou de Ernesto.

— Isso não é justo, Luccino. — Camilo cruzou os braços, num tom divertido. — Você aceita a ajuda do Major, mas não aceita a nossa.

Luccino sentiu o rosto queimar e pegou a chave da oficina.

— Terminem logo e isso e não quebrem nada... — Ele entregou a chave a Ernesto e se despediu dos dois, deixando o lugar antes que acabasse deixando transparecer algo.

Ernesto se virou animado para Camilo.

— Viu ? Luccino se faz de durão, mas tem um coração mole. — Ele rodopiou a chave em suas mãos e a colocou na mesa, aproximando-se de Camilo.

— Reparou como ele fica nervoso falando do Major ? — Camilo perguntou, inocente.

— Esqueça isso, principezinho. — Ernesto se aproximou e deixou um selinho nos lábios de Camilo. — Estamos sozinhos, como você queria.

— Espera...não vamos terminar a estação móvel ? — Camilo perguntou, inocente enquanto Ernesto entrava dentro do carro.

— É claro que vamos...— Ele se sentou no banco de trás, puxando o braco braço de Camilo, ajudando-o a subir. De tão repentino o gesto, Camilo se desequilibrou e caiu em cima de Ernesto. — Mas do jeito que você é desajeitado, vamos demorar muito pra terminarmos o serviço aqui. — Ele sorriu, colocando os dedos no queixo de Camilo, brincando com alguns fios de sua barba, e iniciando um beijo.

Com os troncos colados, mesmo que por cima da roupa, os dois se encaixaram dentro do carro, naquele espaço tão comprimido, Ernesto  colocava suas mãos atrás do pescoço do Camilo, enrolando, entre os dedos, tufos do cabelo loiro do mesmo. E Camilo puxava a cintura de Ernesto pra si, o pressionando pra baixo dele, ficando por cima.

  Ernesto riu.

— Em cima de mim ? Como conseguiu essa proeza ? Geralmente essa posição é minha. — Ernesto tirou os braços do pescoço de Camilo, colocando-os atrás da cabeça, e num movimento para a frente do quadril, pode ouvir um gemido baixo e quase inaudível, vindo do loiro.

— Tive aulas. Luta greco-romana. Elas ajudam a imobilizar o adversário sem que ele perceba. — Camilo se aproximava de Ernesto, quase colando os lábios dos dois.

— É aí que você errou, principezinho. — Ernesto podia sentir o bigode de Camilo roçando de leve em seus lábios. — Eu não sou seu aniversário. — E subitamente, Ernesto virou com força, fazendo com que os dois caíssem pro lado, no chão do carro, e invertendo as posições. Camilo soltou um gemido de dor pela queda. — Sou seu parceiro. — E então Ernesto deu um sorriso serelepe e se curvou, dando beijos por todo o rosto de Camilo.

  Uma das mãos de Camilo puxava a camisa de Ernesto pra si, brincando com os botões, tentando abri-los. O beijo era lento, os lábios rudes do carcamanobse marcavam a presença nos lábios serenos do loiro, deslizavam com selvageria, Ernesto explorava a boca de Camilo, com uma das mãos atrás da cabeça loira do mesmo, o italiano pressionava-a, tentando preencher qualquer espaço entre os dois.

Quando cessaram o beijo, enquanto Ernesto respirava, Camilo passava os lábios pela boca do outro, pelo nariz, queixo e pescoço, fazendo Ernesto fechar os olhos e deixar a boca entreaberta, sentindo Camilo deslizar de seu lóbulo, descer por seu pescoço e parar em sua clavícula, um toque fundido de delicadeza de seus lábios macios e a rispidez com que o bigode perpassava pela pele áspera do carcamano.Camilo deixou uma leve mordida na clavícula de Ernesto, fazendo o mesmo apertar os dedos o redor de seus fios capilares, mas Camilo continuou com as mordidas e iniciou também uma série de chupões no pescoço de Ernesto, o fazendo soltar alguns gemidos ao pé do ouvido de Camilo.

— Se continuar fazendo essas marcas em mim, terei de explicar tantos hematomas a minha mama. — Disse Ernesto, dando um beijo longo em Camilo.

— Diga que estava tendo aulas de luta greco-romana. — Disse uma voz familiar ao longe. Era Luccino, que estava enconstado na porta da oficina, sem poder ver o que os dois faziam dentro do carro, mas tendo uma ideia certeira.

Ernesto se levanta e olha para Luccino, que estava junto do Major, que segurava uma risada com a mão na frente da boca.

— Será que vocês terminaram os "detalhes" que estavam faltando ? — Perguntou Luccino sarcasticamente.

— Acho que eles tinham os próprios detalhes para resolver...— O Major sussurrou para Luccino, que riu, mas Ernesto pôde ouvir.

— Não faça chiste de mim, Major. — Ernesto escorou-se no banco da frente. Camilo tentou levantar-se, mas teve seu rosto mantido no lugar onde estava pela mão do Carcamano. Camilo mordeu a mão do italiano, que fora rapidamente tirada, libertando Camilo, que se levantou e saiu rapidamente do carro, o rosto vermelho de vergonha.

— Acho que eu já vou, até a inauguração... Boa noite. — Ele pegou seu óculos e seu chapéu e saiu, rápido e nervoso.

— Camilo, espera. — Ernesto tentou impedi-lo de ir, mas já era tarde. — Muito obrigado, Fratellino.

— O que ? Nós atrapalhamos vocês ? — Luccino colocou a mão no peito, fingindo surpresa. — Me desculpe. Eu e o Major Otávio vamos voltar outra hora.

E os dois saíram um ao lado de outro.

— Lembre de trancar minha oficina quando terminar. — Disse Luccino já um pouco afastado.

— Mas eu não sei nada de mecânica!

— Mas sabe de café, sabe tanto que até o príncipe do café estava abaixo de você.

— Não seria embaixo ? — Riu Otávio.

— Chega, antes que ele venha atrás de nós. — Os dois riram e saíram andando.

Ernesto bufou e derrubou uma ferramenta. Mas logo viu, Camilo entrar de volta na oficina.

—  Você não tinha ido embora ? — Ernesto pareceu surpreso, Camilo disse que havia se escondido atrás da oficina.

— Eu fiquei com um pouco de vergonha... — Ele se aproximou de Ernesto. — Mas acho que agora eles não voltam mais. — O rapaz se aproximou e puxou os suspensórios do  carcamano, lhe roubando um beijo.

— Não quer me ajudar a terminar isso ? — Ele apontou pro carro.

— Com prazer.

E os dois passaram quase a noite inteira naquele carro.

Contos LutávioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora