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No mínimo engraçado como as lembranças pegaram seu Antônio desprevenido e tornaram a caminhada daquele dia bem mais interessante. Lembranças da moça de língua quente que explorava sua boca sem pudor. Ela que em segundos assumia o controle de todo o seu corpo e o desafiava a tomá-lo de volta e quem sabe até, se merecer, ter controle sobre o corpo dela. Aquela mulher sabia como o desafiar e seu Antônio embarcava em todas provocações. Ela que com um olhar breve e direto o dizia que ali quase não haviam limites. E com um sorriso o desafiava a explorar todas possibilidades até encontrar o limite e com bastante firmeza, arregaçá-lo. A cada encontro limites eram rompidos e os desafios ficavam cada vez mais prazerosos. Ali ela já era sua razão de viver. Seu Antônio contava os segundos para pegar aquela mulher nos braços. E ela não deixava ser pega facilmente. Lembranças daquele jogo de poder e prazer que duraram meses. Certo dia ela surgiu com uma notícia que trazia um novo desafio. Este seu Antônio se negou a participar. Ali o prazer acabou. Ele jamais assumiria um filho com uma mulher daquela. Ela que se vire. Ela se virou. Partiu e nunca mais apareceu. Foi sim um período difícil, mas tudo bem, seu Antônio continuou sua vida ao lado da esposa e dos quatro filhos. O caçula nasceu bem nessa época e isso ajudou ele a esquecer aquela mulher. Às vezes as lembranças voltam, como voltou ali enquanto caminhava. Que coisa engraçada é a memória. No mínimo engraçada.