Quanto mais Ana Paula corria pelas pequenas ruas e becos até chegar em sua casa ela se lembrava um pouco de sua história. Não tinha como ela pensar muito bem. Estava acordada desde cedo. Tinha ido para a escola, trabalhado a tarde toda e ainda tinha ido trabalhar na reunião principal das oito horas da noite. Ela estava cansada, suas pernas pediam socorro, mas ela ainda se obrigava a andar mais rápido. Dobrava todas as esquinas desejando que fosse a última. Vinha tropeçando, suando e andando cada vez mais rápido.
Quando chegou em casa, a jovem subiu correndo para seu quarto. Janice, sua mãe veio atrás mas a jovem não a escutava. Ela estava com sua cabeça num certo alguém. Ícaro. Ela pegou o celular e apressadamente digitou o número dele de novo. Esperou que o telefone chamasse várias vezes até cair. Sua mãe apareceu na porta, entrou e sentou ao lado de Ana Paula. A jovem era muito amiga de sua mãe. As duas confiavam uma na outra e não havia nada que Ana Paula pudesse esconder de sua mãe. Ela a conhecia muito bem pra que Ana Paula pudesse mentir pra ela.
-Filha, o que aconteceu? -Janice passava a mão pelos cabelos suados de Ana Paula em um tom de preocupação. Não era normal que Ana Paula entrasse naquele estado.
-Mãe, eu não sei como que eu vou te... -Ana Paula foi interrompida pelo toque de seu telefone novamente. Era Júlia dessa vez. -Espera um pouquinho.
Ana Paula se levantou mais uma vez e desceu para a área. Atendeu Júlia que disse que estava no portão de sua casa.
-Eu espero que você me dê uma boa resposta sobre sua ligação e sua correria pra sair sem ter me esperado. -Júlia fez uma cara de brava que logo se desfez no sorriso cabisbaixo de Ana Paula.
A jovem voltou para seu quarto onde sua mãe ainda estava a esperando sentada na cadeira que havia de frente pra sua mesinha.
-Oi Júlia, tudo bem? -Janice a cumprimentou assim que viu a figura de Júlia na porta.
-Oi tia, estou bem sim e a senhora? - Júlia a respondeu e Ana Paula ainda estava de um lado para o outro dentro de seu quarto. - Ana meu amor, quem sabe você não se senta e não me conta o que que está te acontecendo?
Ana Paula puxou seu banquinho e começou a contar o que ela já tinha sobre Ícaro. O jovem não a ligava e também não a respondia.
-Ok então, você quer me dizer que alguém misteriosamente te ligou e você atendeu e a pessoa se chama Ícaro Carvalho e está em algum lugar alto e tu deduz que ele quer se matar... É isso que eu entendi? - Júlia disse medindo as palavras e em um certo tom de deboche.
-Sim, é essa a história até aqui. Eu preciso que ele me ligue de volta, mas ele não ta atendendo. Eu estou nervosa e com medo do que pode estar acontecendo com ele. Eu já passei por isso e eu sei como que ele está se sentindo. Isso me dá medo.
-Calma amor, vamos confiar em Deus e vai dar tudo certo. Já tentou ligar pra ele de novo? -Janice disse em um tom compassivo. Ela se lembrava de quando Ana Paula tinha quase se suicidado. Ela não desejava isso pra ninguém.
-Eu já, mas ele não está me atendendo! -Ana Paula disse preocupada. Ela tinha medo do que poderia vir a acontecer com ele.
-Tive uma ideia! -Júlia disse se levantando. -Já tentou procurar no Facebook ou Instagram quem ele é?
-Júlia é uma boa, mas eu não sei a aparência dele ou o jeito dele ou...
-Já ouviu falar em dedução? -Júlia fez uma carinha esquisita. Ana Paula tinha a melhor amiga, e tinha uma vidente.
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CORRA
SpiritualÍcaro tem vinte anos e está prestes a cometer o suicídio quando tem um único desejo, falar tudo aquilo que está guardado dentro de si a anos, toda a tristeza, todo o fardo que as pessoas ao seu redor não conseguem entender. Pais, amigos, namoradas...
