Capítulo 5: E começam as aulas

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A vida tinha que seguir naturalmente, então me empenhei em demonstrar o menos possível sobre as minhas mudanças repentinas, naquela mesma noite quando conheci Crail, passei a noite pensando no que ensinaria a ele e em como diabos ensinaria algo útil a ele, então obviamente passei a noite em claro pesquisando e montando algo para trabalhar com ele.

Meus pais voltaram a procurar por ele, e fiquei bem tentada a lhes contar tudo, mas primeiro tinha que vê-lo e pedir sua permissão, afinal de contas esse segredo não era meu para contar.

A cada minuto que me via sozinha, estava bolando coisas e perguntas para ele, e mal prestava atenção no trabalho a minha frente, quando a noite chegou estavam todos muito animados, haviam encontrado algumas das focas 8 ao todo e todas elas com algum problema, devido a exposição aos dejetos da sonda petrolífera, foram mandadas para a cede ambiental local para tratamento, e agora eles podiam pedir o fechamento da área, porém havia a questão do povo do Crail e eu posso garantir eles não iriam embora sem vê-lo, não ainda.

Todos se recolheram para dormir e eu me esgueirei para fora fazendo o mínimo barulho possível com pilhas de papéis nas mãos e um tablet que achei que seria útil.

Fui para a popa e esperei, já eram 00:15 e eu pensei que, ou ele não sabia exatamente quando era meia noite ou ele não viria, quando de repente ele saiu do cantinho onde estava escondido e espirrou água em mim, levei um susto e o encarei furiosa.

_Crail! Que droga?

Ele estava se mexendo de um jeito estranho, e eu podia jurar que sua boca tinha virado um pequeno risco como se ele estivesse sorrindo.

_Ah você acha isso engraçado?

Eu estava ensopada e com uma sereia rindo da minha cara acabei me rendendo e comecei a rir também, uma gargalhada deliciosa que a muito tempo eu não dava, ele de fato era muito estranho e rindo não melhorava muito, ele deve ter pensado algo parecido porque ficou imóvel me encarando com a cabeça virada como ele sempre fazia quando algo o deixava curioso.
Me aproximei da beira e me sentei com as pernas dentro d'água, pedi suas mãos e ele as estendeu para mim.

Com os dedos entrelaçados logo senti a pequena fisgada decorrente desse tal plug que se conectava através do toque.

_Oi Crail.

_Majulaim Ann.

_O que isso significa? Você disse o mesmo ontem, passei a noite inteira pensando no que significa

_Mujulaim?

_Sim.

_Mujulaim é se você acordou e tá ainda vivo, você fica feliz. E quando você descansa, teve todo o dia e não morreu.

_Justo, gostei, então Mujulaim Crail.

Ele meio que fez uma pequena reverencia com a cabeça, e eu retribui o gesto.

_Bom, eu tenho um milhão de perguntas mas você não pode responder e eu entendo isso portanto quero saber apenas uma coisa primeiro. Meus pais são pessoas que cuidam de todos no mar, quando se machucam ou quando outros como nós jogam coisas na água que prejudica vocês, eles ajudam entende? Eles ainda não foram embora porque estão procurando você. Eles podem te conhecer?

_Não. Nem Ann pode ver Crail. È proibido. Mais Crail não vê Ann má. Minha família não sabe de Ann, Se souber não vejo mais Ann.

_Entendo.

Isso era decepcionante, eu sabia que meus pais guardariam seu segredo, e que morreriam de felicidade apenas por conhecê-lo e ver tudo o que ele era capaz de fazer, suas habilidades. Porém se o fato de contar a eles pudesse fazer com que nem mesmo eu pudesse mais vê-lo, eu guardaria esse segredo de bom grado. 

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