Capitulo 6: Revelações

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Já fazia uma semana que me encontrava com Crail todas as noites. E a falta de sono estava começando a atrapalhar minha rotina diária, como sempre ficava com ele até o sol nascer dormia apenas uma hora ou duas, e logo tinha que ir trabalhar com meus pais.
E minha mãe já havia reparado meu desempenho fraco nos últimos dias. Suspeitei que ela desconfiava de algo quando meu pai e David sairam nas buscas mas ela ficou no barco comigo. Ela estava inquieta e eu muito cansada.

_Querida, você esta bem?

_Estou sim mãe, só muito cansada, o frio não é muito minha praia só isso.

_Eu acho que devíamos voltar...
_NÃO!

_Ana? O que foi?

_Nada, é só que, o papai vai ficar decepcionado se formos embora agora, ele quer muito achar as sereias né? Não liga pra mim, eu juro estou bem.

Ela me olhou por um tempo acenou e voltou a trabalhar, mais não demorou muito até que ela voltasse no assunto.

_Filha eu sei que você tem escondido algo, e sei que se pudesse me contaria o que há de errado, mas eu pensei que nossa relação se baseava em confiança, você sabe que pode me dizer qualquer coisa não é?

Ela parecia estar magoada, e meu coração se partiu ao ouvir sua voz tão triste.

_Eu sei mãe, e eu tenho sim algo que preciso te contar, mas eu realmente não posso, não ainda, prometo que quando puder você vai ser a primeira a saber.

Ela veio até mim e juntou nossas mãos. Ela me olhou fundo nos olhos por algunas segundos.

_Vou esperar então, só não quero mais que perca as noites por isso ok? Eu não espiono você, mas se você não começar a se cuidar eu vou atrás de você qualquer noite. Combinado? 

_Combinado mãe.

Eu realmente estava tão animada que não me dei conta do que todas aquelas noites em claro estavam me custando, combinaria com Crail um dia sim dia não, algo para não ficar assim tão cansada.

O dia estava menos frio que o normal, e no fim do dia eu e minha mãe estávamos falando sobre garotos e historias da sua adolescência, coisas absurdas que eu jamais imaginaria dela.

Os ânimos do lado masculino da tripulação por outro lado estavam péssimos, meu pai a cada dia se conformava que havia cometido um erro e ameaçava desistir, mas eles não podiam ir embora, não agora que as coisas estavam indo tão bem, eu precisava de tempo, e de um plano. Precisava convencer Crail a conhecê-los.

A noite chegou e mais uma vez fui até ele, que por sua vez também aparentava estar exausto.
Nossas mãos foram logo unidas como em um ritual, não aprendemos nada hoje, apenas conversamos sobre lendas, tanto da terra quanto do mar, havia uma que eu gostara muito sobre o macho que capturasse a lula gigante seria considerado o primeiro rei dos muruins, já que desde sempre só houveram rainhas, hoje a rainha que reinava era a melhor de acordo com Crail, e pelo que ele me contou há seculos que ela governava com sabedoria e justiça, porem rígida, não permitia que seus jovens subissem a superfície de jeito nenhum.
E eu fiquei surpresa em saber que ela já havia vivido tanto.
Ele me ensinou sobre algumas de duas leis e pensei que essa rainha estava certíssima, qualquer um que os visse os caçaria e mataria não há duvidas. 
Ela estava fazendo o certo.

Ele era um bom contador de historias. Você se pega visualizando tudo que ele diz como se estivesse lá.
Mesmo sem mexer os lábios, e com a aparência que ele tem, eu já não sentia mais medo, você se acostuma, até com as garras.
Quando eu o imaginava ele tinha quase o mesmo rosto, mais não era bem como agora, mas vi o quão egoísta e errado isso era e parei de imaginá-lo assim, ele era meu amigo (acho que já podemos nos chamar de amigos) e eu devo gostar dele da forma que ele é.
Ele era mais gentil do que qualquer garotos que já conheci, era ingênuo, inocente, tinha até  mesmo um ar infantil ele era realmente especial.

MermaidsHistórias para pegar e não largar. Descubra agora