Enderson da Cunha Botafogo era o menino mais rico dentre os quatro jovens. Mais conhecido como Ender, seu talento nas aulas era tão alto quanto sua arrogância. Crescido na cidade grande, mimado como um riquinho. Sua família voltou para a pequena cidade de Rocha Branca, não porquê acham um belo lugar para morar, mas sim porque o pai, João Herculino e a mãe, Dona Ingride, eram viciados em apostas. Ela era viciada em bingos. O ele, em corridas de cavalos. Uma bela criação para um jovem. Os únicos familiares que eles ainda possuíam eram um casal de velhinhos que moravam na parte mais afastada de Rocha Branca. eram os tios de Ender por parte de pai.
Os três chegaram em um Ford Escort GL vinho. As vozes em alto tom dos dois adultos do carro quase escondia o barulho do motor 1.8. Ender, um jovem louro de olhos azuis, lia uma historia em quadrinhos do justiceiro. Ignorando as frases de insulto entre seus pais, ele tentava ler.
- ...E o caminho? pelo menos isso você sabe?- Disse Ingride a seu marido, que retrucou com uma resposta ríspida.
- Sei ate de olhos fechados. Você, ate de olhos abertos, se perde dentro de casa, com um mapa!-
Ender deu um leve riso.
Ele deu uma olhada pela janela do banco de trás. Olhou três crianças brincando na rua com uma "bola de leite". as três crianças olharam para ele de volta.
Ele ignorou elas.
As três estavam de boca aberta com o carro que nunca tinham visto antes. Parecia novo. ano 1996. Ano passado. Praticamente um carro de rico. os três jovens ficaram admirando o carro ate ele fazer a volta na rua de barro e ir para a esquerda, passando pela padaria três pães.
Esperaram o carro aparecer novamente.
Ele não apareceu.
Voltaram a jogar bola.
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Os pais de Ender tiravam suas malas de dentro do carro e nem para isso, paravam de discutir. eles agora reclamavam do tempo que demorou a chegar e o quão afastado da "civilização " era aquele lugar. Ender via sua tia ajudar a carregar suas malas pesadas, enquanto eles apontavam problemas entre um e outro. Ele viu um senhor sentado na varanda da casa, que era um padrão de casas de subúrbio. muro baixo de quase um metro e meio, com pequenas calhas em cima dele. separados por uma pequena portinhola de ferro que fazia um barulho incomum. O quintal era um gramado muito bem cuidado, cercado por flores de vários tipos diferentes. três caminhos de concreto cortavam o quintal, criando passagens que levavam à entrada da casa ou as laterais da mesma. as laterais tinham o mesmo caminho que levava ate os fundos da casa. As paredes do pequeno muro eram em salmão, desbotado do sol. A casa tinha um amarelo desbotado também, mas parecia ser a terceira vez que recebera uma mão de tinta.
O senhor de idade bem mais avançada que o normal para alguém, não tirava os olhos do garoto. tinha os olhos fixos nele. Ender tentava tirar os olhos dele e desviar o olhar, mas o senhor era preciso e focado. parecia que queria dizer algo para o garoto. seus pais continuavam a gritar e brigar ate que foram interrompidos pela senhora. Ender olhava para sua hq do justiceiro, sem perceber onde entrava. Em súbito, sentiu que estava sendo observado. e teve sua confirmação ao olhar para o lado e ver o velho senhor que estava na varanda a lhe observar com uma cara completamente seria e fechada. Os seus olhos pareciam rasgar a alma do menino, que não se deixou abalar e continuou a encarar o velho. Ele deu uma levantada no nariz e continuou a encarar o velho, que não havia movido um músculo.
- Meu filho, venha com a tia, vou te mostra "seus" quarto. - dizia dona Neuzete. uma senhora com ar de tranquilidade, mas era possível ver um pouco de energia enquanto ela levava as malas do menino. usava um avental de cozinha e alguns panos enrolados na cintura. aparentava ser mais velha do que realmente era.
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CHROMA ZERO
Science FictionEm uma busca digna de uma infância perdida, quatro crianças seguem pelo espaço, a bordo de um contêiner , numa corrida mortal em busca do cristal mais valioso de todo o universo, o Chroma zero . Uma aventura cheia de mistérios, descobertas, planetas...