Após caminhadas aleatórias pelos tubos de entrega de robôs, Kuaz começou a reconhecer a saída, ou pelo menos eles achava. Se dirigiu ao final do tubo, mas acabou chegando em uma cela fechada. Era pequena e a única iluminação que havia, era de um filete de luz nas extremidades de uma porta do tamanho do cubículo. Ele empurrou a porta de leve, forçando ela a ir pra frente, mas percebeu que ela se abre pra cima. Empurrou agora para cima e abriu a porta. Essas salas eram os depósitos dos globos. Onde eles eram levados para conserto. Era um corredor parecido com os que estavam nas celas de onde saíra, a diferença era que esses corredores tinham o chão mais fixo. Eram em torno de quinhentas portas. Um corredor imenso e bem iluminado, com luzes de Begg nas arestas do chão. Acima de cada porta, um símbolo que significava cada globo. No final do corredor, Kuaz avistou algo uma forma não definida. Algo como um emaranhado de fios se mexendo, tendo dois dos fios mais longos, encostando no chão. Ele demorou a perceber, mas a forma estava operando algo semelhante a um Painel Sintético de Interação. o P S I. É um sistema novo, que adequá qualquer usuário. Sendo ele bípede, quadrúpede, gelatinoso ou qualquer que seja.
A forma então parou de se mexer e se virou. Uma luz verde fósforo brilhava no meio do emaranhado de tentáculos verde musgo. Kuaz percebeu que o ser se aproximav. Ele cerrava mais os olhos para tentar enxergar e disse:
>onzas! Odeio onzas<
A forma saltou e formou uma lança no ar, girando em forma espiral. Kuaz desviou em direção a parede, batendo com as costas em uma das portas. Duas delas abriram, revelando dois globos cromados. Os mesmos caíram no corredor e mal tinha espaço para eles e para kuaz. As duas bolas começaram a rolar pelo corredor. Estavam desligadas ou inoperantes, mas não estavam caçando. Ele aproveitou a deixa e correu em disparada para a direção contrária das bolas. Um borrão verde musgo deixando um rastro neon de verde fósforo. o ser que o atacara antes, saltou sobre os globos e correu em sua direção.
>onzas? de todos os seres da galáxia, são os onzas que trabalham na Prandrum?< kuaz dizia para si mesmo enquanto batia nas portas, fazendo as mesmas se abrirem e liberarem vários globos cromados. Atrasando o onza que o perseguia. Ele avistou mais a frente uma porta triangular que quebrava o padrão de portais dos globos. Se virou rapidamente para ver a aproximação do onza. Calculou o tempo até a porta e socou, com a parte de baixo da mão que estava fechada, uma das portas de globo cromado. Deixou mais um último globo sair e parou na porta triangular. Ela não demonstrava nenhum painel. Nem embutido, nem a amostra.
>mudaram o sistema, ne? seus baurava! <
Ele esperou até o momento certo. Assim que o onza saltou para cima dele, formando uma broca voadora, kuaz deu dois passos para trás e esperou a forma chegar perto. No momento certo ele deu um chute no onza e o fez rodopiar de forma contrária. O onza caiu no chão quase inconsciente.
>roda igual um cometa e fica assim. na próxima, tenta vir sem girar...< Ele pegava um dos tentáculos e o aproximava da porta triangular, fazendo a mesma abrir.
De maneira bem discreta, Kuaz foi passando por todos os andares da instalação. Tomando o máximo de cuidado para não ser visto. Passava sorrateiramente por vários onza. Alguns com uma espécie de armadura enroscada em dois de seus vários tentáculos. Outros, usavam uma espécie de monóculo com antenas. Grandes corredores e salas recheadas de onzas de tamanhos diferentes, armados até os dentes, com bastões de íons que paralisam até um gigantesco paramute. Após quase ser visto duas vezes, ele consegue chegar a algo parecido com um depósito de naves apreendidas.
>Terminal! preciso de um terminal pra achar ela...<
kuaz havia conversado com os internos alguns dias antes do motim. Discutiam as novas aquisições da instalação. Desde novos equipamentos, até novos prisioneiros. Entre várias conversas, uma delas acabou sendo sobre uma nova apreensão de uma nave sem identificação. Era uma de formato nada comum, pelo menos nada antes visto vagando o espaço. O que mais chamou a atenção de Kuaz não foi o formato, mas sim a falta de qualquer sistema de identificação. Era como se a nave não existisse. Não possuía nenhum acesso de rede por fora. A única nave que poderia ter uma habilidade dessas era a
>COM-AIV!< kuaz gritou após achar nos terminais a nave que procurará. Era uma nave sem registro e sem acesso mais complexo. A sua única descrição era possuir mais aceleradores de fusões que as naves comuns e um dispositivo de dobra de espaço, onde kuaz relembrou que eram naves que possuíam um tamanho X por fora, mas tinham um número infinitos de quartos por dentro. Podendo até abrigar castelos e fortalezas em um espaço ridiculamente minúsculo. A dobra de espaço nunca foi testada e há quem dizia que o mesmo era lenda, tal qual a nave COM-AIV. Era possível se ouvir histórias de todos os cantos da galáxia sobre a tal nave. Não se sabia quem tinha feito. Outros diziam que foi um grande cientista uratutanico que morreu, assassinado pelas grandes corporações ou empresas construtoras de naves. No geral, boatos eram contados e a grande maioria não tinham fundamentos para oficializar as histórias. Mas a lenda da grande nave, que poderia fazer percursos impossíveis e aguentar a todo o tipo de ambiente, ainda percorria nas conversas galáticas.
>Seção 13-B...< kuaz procurava com cautela no estacionamento enquanto repetia em tom baixo a localização da nave. Rodeado por veículos de vários tamanhos e utilidades. Até que achou um contêiner com as marcas da empresa Siougma. Estava bem avariado. As partes dianteiras estavam amassadas e tinha uma grande ranhura na parte lateral. Indicando um choque abrupto. A cor laranja forte já começava a se desfazer, mostrando a ferrugem em outras partes. Era um exemplo maravilhoso de peça de lixo .
> certo... tem que ser essa!<
Ele começou a tatear as partes do contêiner. Procurou por cada aresta e superfície que podia do contêiner, atrás de algum terminal ou interface que ele pudesse interagir até que ouviu:
>USUÁRIO NÃO SINCRONIZADO!<
Ele se surpreendeu. Teria ele achado o console de integração da nave? O que ela queria dizer com "usuário não identificado"? muitas perguntas para um momento bem breve. Aos poucos segundos de encontro com a nave, Kuaz percebe alguém se aproximar.
>CADÊ VOCÊ? sei que entrou aqui!<
Era um onza armado com um bastão de ion. Morte certa. Kuaz se escondeu atrás do contêiner, onde o onza não conseguiria vê-lo e começou a pensar o que poderia ser essa de usuário. Se lembrou do resto da conversa de Okuroso com uns outros prisioneiros
">...foi encontrada perto da orla Buz. Território de humanos. Uns quatro filhotes de humanos estavam juntos. Mercadoria de primeira...<"
>É isso!< sussurra Kuaz< As crianças devem ter acessado o sistema de identificação e o dna delas está sincronizado. Essa nave é o que a fama diz mesmo! Só pode ser ela...< Kuaz ria consigo mesmo enquanto se dava conta da dificuldade de passar por um onza armado.
>...ja são difíceis desarmados. Armados então...<
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CHROMA ZERO
Science FictionEm uma busca digna de uma infância perdida, quatro crianças seguem pelo espaço, a bordo de um contêiner , numa corrida mortal em busca do cristal mais valioso de todo o universo, o Chroma zero . Uma aventura cheia de mistérios, descobertas, planetas...