"Sobre nós, they won't know"
#9 - Braga (22/05/2020)
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Se desejas ler e...
Acordei com o som de uma mensagem, rolei sobre a minha cama e estiquei o meu braço sobre a mesinha de cabeceira onde peguei no meu telemóvel.
Mi amor ❤
Bom dia amor, achas que conseguias vir ter ao Vianna para falarmos?
Bom dia, a que horas?
Pode ser agora se puderes
Okay, até já
Pude sentir o clima entre nós bastante tenso, mesmo pelas mensagens. Levantei-me da cama, fui tomar um banho e de seguida vestir-me para ir ter com o Simão ao Vianna. Depois de me encontrar pronta, peguei na minha mala com os meus pertences e saí de casa em direção ao local marcado. Quando lá cheguei o Simão ainda não tinha chegado e por isso resolvi escolher uma mesa e fazer o pedido do meu pequeno-almoço.
- Vai indo que eu já vou lá ter contigo - ouço uma voz conhecida falar enquanto esperava pelo meu pedido. Levanto a cabeça e vejo o Pedro à porta do café, logo de imediato baixo de volta a cabeça para que este não me visse mas sem sucesso.
- Eu já te vi - continuo de cabeça baixa na esperança que estivesse a falar com outra pessoa, mas novamente sem sucesso - Aurora - quando este proferiu o meu nome apercebi-me que não valia a pena continuar a fazer de conta que não o estava a ouvir. Acabei por levantar a cabeça e encará-lo - o que é que fazer por aqui? - pousa as suas mãos sobre a cadeira à minha frente.
- Estou à espera do meu namorado - respondi-lhe.
- Ele é de cá? - pergunta com um ar curioso.
- Ele e eu - digo sem nunca tirar a cara trancada.
- Tu és de cá? - puxa a cadeira onde tinha as suas mãos e senta-se na mesma.
- Sim, qual é o espanto? - continuo com a cara trancada - Nenhum, só nunca esperei que fosses justamente de Braga. - O que é que tem eu ser de Braga? - pergunto com o mesmo tom de voz do início da nossa conversa. -Nada, é só que não deixa de ser curioso seres da cidade do clube onde eu vou jogar. Eu vou jogar no Braga. - Eu sei. - Tu sabes? - pergunta surpreendido. -
Sim eu sei, eu vi o teu jogo de apresentação ontem. - Viste? - tenta pousar a sua mão sobre a minha que estava sobre a mesa, mas sem sucesso visto que a mudei para outro lugar da mesa. - Sim vi. - Porque é que tu és assim comigo? - pergunta com o ar triste. - Acho melhor tu ires andando, o meu namorado deve estar aí a chegar e ele não ficou a gostar muito de ti - mudo o assunto da nossa conversa. - Tu és tão complicada, Aurora. - Pedro, por favor - peço. - Okay, já vou. Só mais uma coisa. Se precisares de alguma coisa a qualquer hora sabes onde me encontrar - pisca-me o olho e reviro os meus à conversa dele. Levantou-se e tirou um cartão com uma morada antes de sair em direção ao seu anterior destino.
Logo depois do Pedro ter saído vejo o Simão entrar pela porta do café e pude sentir a tensão aumentar rapidamente.
- Olá - cumprimenta-me assim que chega ao pé de mim - posso sentar-me? - Sim, força - um silêncio constrangedor que nunca houvera entre nós instalou-se até que o quebrei - ahm, então o que é que me querias? - Queria pedir-te desculpas, fui um estúpido contigo. - Já estou habituada - falo baixo, imperceptível pelo Simão. - Quê? - Disse eu que fiquei admirada. - Porquê? - Por teres vindo pedir desculpa mais nada. Só não estava à espera que fosses pedir desculpa. - Fui um parvo. -Pois. - Não sejas assim comigo, por favor. - Queres que esteja como? Nunca te dei motivos para desconfiares de mim e ultimamente é só o que mais tens feito. - Desculpa, tu sabes que eu sou inseguro... - Simão eu também e não é por isso que ando por aí com desconfianças sobre ti. - Eu só queria saber quem era aquele, só isso. - E eu expliquei-te quem ele era, difícil de perceber? - digo num tom um pouco mais agressivo. - Não me fales assim - agarra fortemente a minha perna por baixo da mesa. - Estás a magoar-me Simão, larga-me - peço. - Largo-te quando deixares de ser engraçada e a falar em condições comigo percebes? - aperta um pouco mais o que faz com que umas lágrimas surjam nos meus olhos. - Larga-me por favor - peço. - Que ninguém fique a saber disto, percebido?É bom que percebas quem é que manda nesta relação - larga a minha perna e começa a percorre-lá até cima o que me deixa bastante desconfortável. Levanto-me e preparo-me para sair, mas este agarra-me o braço. - O meu beijo - dei-lhe um bate chapas e saí do café com o passo bastante apressado. Nunca senti tanto nojo de alguém que já me trouxe tanta felicidade.
Assim que cheguei a casa subi as escadas e tranquei-me no meu quarto por horas a olhar para as paredes brancas do mesmo. Durante todas aquelas horas em que estive trancada naquele quarto pálido e que no momento me parecia aterrorizador passou-me pela cabeça ligar à Inês e pedir-lhe ajuda, mas não a queria por em risco, vi que o Simão não estava a brincar quando disse que era melhor ninguém saber do que se passou e seria melhor para mim também. Pela primeira senti que aquela relação já não fazia sentido.
Pela hora de jantar juntei-me à minha avó e progenitores para a realização da refeição, mas com tudo o que se havia passado à minha fome era nula. Andei com a comida para trás e para a frente até que decidi voltar para o meu quarto. Voltei a deitar-me e cerca de meia hora depois por puro acaso coloquei a mão no bolso do meu vestido e pude sentir um papel no mesmo, retirei-o do bolso e só pela parte de trás percebi o que era. Fiquei imenso tempo a pensar o que fazer ao mesmo tempo que quase sem intenção me levantei.
- Já vai Moura tem calma! - pede do outro lado da porta após ter tocado duas vezes consecutivas à campainha. Depois de ouvir as suas palavras respirei profundamente - Aurora!? - não respondi. Apenas fui em direção a ele e beijei-o com uma vontade que nem sabia que tinha.
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Olá babez🧡 Tudo bem? Mais um capítulo, desta vez com bastante emoção, o que acharam?