CAPÍTULO 28

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ARTHUR

Depois de ver aquela cena muito constrangedora em um quartinho qualquer, levo Jackson para uma sala, ou melhor, dizendo, um salão de treinamento ao ar livre. Vejo o menino olhando para todos os lados, Curtindo a brisa maravilhosa do lugar. Com certeza é a primeira vez dele nesse lugar. Para mim não é a primeira vez, até porque já rondei toda essa escola. Sei até que alguns alunos se escondem em um quartinho nos fundos para se divertirem um pouco.

   Algumas horas atrás foram ditos os nomes das pessoas que iriam formar duplas ou ate mesmo trios, e adivinha? Jack e eu iremos fazer isso junto. Vamos formar um trio Composto por Jackson, Leonor e eu... Pena que no primeiro dia de treino a menina saiu em uma missão. A realidade de tudo isso é que não estou me sentindo nada confortável com essa maldita situação. Sou capaz de fazer isso sozinho, sempre me virei sozinho, se duvidar posso até ensinar cosias novas para esses moleques.

   Duvido muito que eles já tenham suas armas secretas... E eu, como sou o melhor de todos, sempre tive minha arma. Mas, ultimamente ela não tá nada secreta, aparece do nada, sem ser chamada. Ela aparece sempre quando sinto que Jackson tá em perigo, e isso é uma coisa muito constrangedora para mim.

– Sim, vamos treinar com essa espada. – Dou de ombro.

– Isso é muito infantil... – Ele fala fazendo bico como uma criança mimada.

– Ok, você quer treinar com os bastões? Sei que você não é muito bom com eles, desde... – Abaixo minha cabeça quando percebo as coisas que acabei de dizer. Ele agora vai saber que sempre o observei em tudo.

– Quando éramos crianças? Desde quando você presta atenção em mim?– Ele fala sem arrodeio e logo em seguida cruza os braços.

– Vamos treinar. – Digo autoritário, tiro a espada de suas mãos, jogo-lhe um bastão e com seus reflexos rápidos, ele pega firme e já fica em posição.– Você precisa aprender a se movimentar melhor, vamos começar com o bastão mesmo.

   Fico em posição e sem demora ele vem me atacar querendo de imediato me levar ao chão, mas o bloqueio e o derrubo. Sei que Jack sempre foi mais forte do que eu, mas ele não sabe disso e nem se esforça para me superar, sempre desiste no meio do caminho.

 Sei que Jack sempre foi mais forte do que eu, mas ele não sabe disso e nem se esforça para me superar, sempre desiste no meio do caminho

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   Depois de quase 30 minutos treinando com Jackson e ele sempre sucumbindo. Percebo que o mesmo já se levanta um pouco alterado , um pouco, fora do controle.

   Para fazê-lo parar de vez, acabar por hoje esse treino muito cansativo e também dolorido para o moleque, descido deixa-lo no chão com um belo de um Game over.

   Mesmo percebendo a alteração do menino e sua raiva, o derrubo mais uma vez com uma simples rasteira, e isso foi o bastante para deixa-lo irado e constrangido.

– QUAL É O SEU PROBLEMA? – Jackson grita depois de se levantar urgentemente do chão e já partir para cima de mim.

– Calma Jackson, isso é apenas um treino. – Falo tocando seu peito para que ele se afaste um pouco.

– Você tá de palhaçada com minha cara?! – O moleque quase grita novamente e em seguida bate sua mão na minha para que eu não o toque.

— Já chega, o treino acaba por hoje. — Falo firme.

   Dou as costas para o menino e sigo em direção à porta, mas ele apressa seus passos e fica plantado em minha frente, evitando que eu der mais um passo. Viro à esquerda e tento sair normalmente, mas o menino se irrita mais ainda e logo puxa meu braço com bastante força.

— Quem disse que você é o professor dessa porra? Depois que você foi para a china, treinar com alguns idiotas, por se sentir sozinho, sem ninguém, por ter percebido que você mesmo é um tremendo lixo, você aparece querendo ser melhor que eu? – Jackson cospe as malditas palavras em um momento de raiva e apenas tento me controlar.

— Não estou querendo ser melhor que você, estou tentando ajudar você. – Confesso tudo que estava fazendo anteriormente em apenas onze palavras extremamente sinceras.

— Ajudar? – Ele deixa um sorriso sarcástico escapar. – Quem precisa de sua ajuda? Você que precisa de minha ajuda, ou melhor, dizendo, de meu ombro pra chorar, assim como uma menina chorando a morte de seus pais. Até onde sei, o presidente John disse que sua mãe era apenas uma... Prostibula que morreu como uma mulher qualquer.

   As palavras do menino foram o limite para toda a minha paciência que estava tentando manter.

   Sem pensar duas vezes, dou-lhe um soco bem forte no estomago e o mesmo cai de joelhos perante mim, com toda certeza sentindo muita dor.

— Eu estava tentando manter minha postura, mas você é muito insuportável. – Viro meu rosto e quando me olho pelo vidro da porta, vejo minha íris completamente azul. Então percebo que o poder dentro de mim está falando mais alto nesse momento de raiva. – Porque você faz isso comigo, moleque? – Me refiro à raiva que o menino acabou de despertar em mim.

— Quero ver você treinando comigo do jeito certo. – O menino se coloca de pé e quando levanta sua cabeça, vejo sua íris vermelha e sua esclera totalmente negra.

— O que... Seus olhos. – Sussurro a ultima parte a porto do menino quase não escutar. Meu sangue no mesmo segundo gela e todos os fios de cabelo do meu corpo ficam em pé.

— Ah, você achou lindo? – O menino sorrir sarcasticamente e começa a flutuar, me deixando um pouco assustado.

— Vamos parar agora, isso já foi muito longe. – Digo dando um passo para trás.

— Parar, eu estou apenas começando. — Diz ele com um sorriso no rosto.

   O menino ergue seus braços e uma vasta tempestade junto com raios, se aproxima instantaneamente. Gotas de água começam a descer e atingir o solo junto com trovoes tão forte a ponto de sentir a terra estremecendo e raios quase caindo.

  Quando viro meu rosto a esquerda, vejo os alunos que estavam na floresta treinando assim como a gente, correndo para dentro do castelo dado como escola. Todos percebiam que aquilo não era uma tempestade qualquer, que alguém muito poderoso estava a provocando.

— Vamos Arthur, lute comigo agora. – O menino fala com sua voz muito fria e vazia.

— Jack... – Tento falar, mas me calo quando percebo que estou sendo um tremendo covarde. Tentei ajuda-lo de muitas formas, hoje. Mas acho melhor me tornar frio assim como ele, não quero deixar minhas emoções me atrapalhar.

   Sem pensar duas vezes, empunho minha grande lança negra e espero o inimigo me atacar primeiro. Logo o menino vem com toda velocidade em minha direção, com todo o poder que se faz presente em seu corpo, com toda sua força e sem encostar um dedo em mim, me acerta em cheio, fazendo com que eu bata com muita força em um pilar.

   Quando penso em me levantar, Jackson aparece de repente em minha frente, pega em meus cabelos e me lança bem longe, me fazendo sentir uma dor insuportável. Mas, antes do menino chegar até mim novamente, me levanto rápido e ao mesmo tempo com dificuldade. Giro minha lança duas vezes pra direita e uma pra esquerda, digo palavras que ninguém na terra é capaz de interpretar, e assim faço com que apareça um grande anel de fogo a minha frente, um fogo a ponto de não se apagar com uma simples água caindo do céu.

   Coloco minha mão dentro do suposto circulo e retiro de lá um grande martelo vermelho, vindo diretamente das profundezas do inferno. Encaixo o martelo com a lança negra e os dois se juntam perfeitamente, como se fossem almas gêmeas.

   Vejo Jackson se aproximando de mim sem demora e sem pensar, penetro toda a lança junto com o martelo no meio do garoto, fazendo o mesmo parar e a chuva retornar as nuvens.

BLACK ROSE - Escola de anjosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora