Ela é doce, sal, bala, embalada, ela dança, uma criança na madrugada, sua maquiagem, suas tatuagens são proteção, chamam atenção que seu pai não pode dá-la.
Ainda deitada, abri os olhos devagar, levantei os braços pra cima até os cotovelos se esticarem pra valer, me virei pro lado e tomei um susto.
- Meu Deus... - sussurei - O que foi que eu fiz? - bati com a mão na testa.
Levantei devagar, vesti meus sapatos, a camisa e a bermuda, peguei o celular, abri a porta e desci lentamente pelas escadas.
- Quem é você? - disse uma senhora com pijama na sala, que apareceu no canto escuro ao lado da porta.
- Eu....Hã... É que, sou amiga do Daniel. - prendi os lábios.
- Estranho. Daniel nunca trouxe ninguém aqui. - e a estranheza dela me assustou também, mas de um jeito positivo.
Que? Eu fui a única? Nossa, esse cara...
- Mas já estou de saída. Não se preocupe. Foi um prazer conhecer a senhora. - sorri e tentei parecer gentil.
- Tudo bem querida. Vá com Deus. - ela sorriu também.
Tô mesmo precisando ir com Ele, que vergonha!
Fui em direção a porta e sai bem de pressa pelo portão.
Fiquei no ponto de ônibus na esperança de encontrar um que me levasse de volta pro Méier. Incansáveis 30 minutos de espera, finalmente, entrei no ônibus.
A noite não se apagava da minha cabeça, cada flash me mostrava lentamente quem eu fui naquela noite.
Encostada com a cabeça no vidro, fechei os olhos e deixei minha mente viajar incessantemente pelas memórias anteriores.
Acordei apavorada no ponto final do Méier, me levantei devagar e sai do ônibus em disparado.
- Ana, você tá espetacular!
Dei de cara com um "peguete".
- E aí, Jean. Obrigada. - estava morrendo de dor de cabeça, por isso, acho que minha cara de cumprimento foi péssima.
- Como estão as coisas? - perguntou curioso.
- Olha... Sem você, ótimas. - ele percebeu quando revirei os olhos.
- Achei que tivesse superado. - ele sorriu
Desgraçado.
- Ah, com certeza. Qualquer um supera uma traição. - falei sarcasticamente.
- Deixa de ser boba. Podemos começar do zero.
- Que ótimo, - balancei a cabeça positivamente - Só me dá o número do seu celular que eu juro que vou te ligar.
- Mesmo? - disse esperançoso - Nove, oito, sete, sete... Vou esperar. - fingi anotar tudo.
- Pode esperar. - olhei pro chão - Mas espera sentado, otário. - dei dedo do meio pra ele e sai furiosa.
Idiota. Acha mesmo que vai acontecer, tomara que ele pise numa peça Lego!
Olhei em volta da minha casa, parecia tudo fechado, não era tão tarde assim pros meus pais estarem dormindo, ainda.
Então, janela. Entrei lentamente e vi que estava tudo do jeito que deixei, porta trancada e rádio ligado.
Tirei o tênis e toda a roupa, entrei pro banheiro e foi o melhor banho da minha vida! Demorei uns 40 minutos. Ao término, coloquei meu pior pijama. Sabe aquele meio arrebentado? Meio rasgado? E meio manchado de cloro? É, esse mesmo.
Ao destrancar a porta do quarto, desci pra sala em perfeito silêncio (a não ser pela melodia apaixonada que eu cantava na minha mente).
Quando acendi a luz da cozinha, ouvi bolas estourarem e havia muita gente cantando parabéns.
- PARABÉNS PRA VOCÊ, NESSA DATA QUERIDA! MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE VIDA! - tive um princípio de AVC!
Minha mãe veio até mim como se tivesse notado algo errado.
- Esqueceu do próprio aniversário? Você me surpreende, Ana. Vai trocar de roupa... - eu sorri de lado, meio assustada. E ela rosnava vagarosamente as palavras.
Subi bem rápido, voltei a me trancar no quarto de novo. Encostei as costas na porta e fui sentando até chão calmamente.
- Como eu pude esquecer do MEU aniversário? - fiz cara de lesada.
Coloquei um short jeans qualquer e uma blusa branca, pra demostrar toda minha sanidade.
Saí do quarto e tentei parecer simpática, cumprimentando todos os primos e primas, tios e tias, avô e a vovó.
Enchi a barriga de salgadinhos e gelatina, enquanto isso meus primos de dezesseis anos jogavam UNO na mesa da sala. Os primos mais velhos só podiam me cobiçar, incluindo o mais safado de todos, Júlio.
- Aí Ana, você rouba meu coração toda vez que eu te vejo!
- Se eu roubasse o seu coração você não estaria mais vivo. E sabe o que eu acho? Seria uma maravilha. - sorri ironicamente, peguei meu copinho de refri e saí de perto dele.
- Mãe? - fui pra perto dela - Como você faz uma supresa assim? Eu podia estar pelada.
- Então todo mundo ia te ver. - continuo seu deboche.
- Sabe que isso é horrível.
- Que horas você chegou ontem? - drasticamente ela mudou o assunto.
- Não foi tarde. Promessa de escoteira. - cruzei os dedos atrás das costas.
- Sabe... - ela se virou e olhou nos meus olhos - Seu pai está preocupado. Tenho medo de te perder...
- Quer saber? Meu pai não é nada pra se preocupar, inclusive ele nem tá aqui. Prefiro você, faço tudo por você.
- Eu sei, Ana. Mas a Clara não é menina pra você andar.
- Ah mãe, qual é? A gente já falou sobre isso. - deu um suspiro do fundo da alma.
- Ela frequenta qualquer tipo de festa! Vai saber o que ela faz nessas festinhas. - disse num tom raivoso.
- Nada de mais. Eu já fui com ela, não tem nada. Só música e a paz que eu não encontro aqui. - joguei o copo na pia, de raiva - Todo mundo merece outra chance, deixa a Clara em paz.
Saí de perto, fui pra sala, liguei o som no último volume. Sentimental, adivinha? Jota Quest - Dentro de um abraço.
Sentei no sofá de olhos fechados e deixei minha vente vagar. Todo mundo me reparava, devia estar parecendo uma psicopata.
Torci pra que aquele momento "feliz aniversario, Ana" acabasse logo. Ia me livrar de todo mau fazendo mais tatuagens. Resolvi, abria o meu cofrinho e pagaria as que eu já devia, desculpa Vanderlei, vou te encher de moedas!
Depois de bastante chatisse e puxação de assunto comigo, subi pro quarto. Contei minhas moedinhas bem devagar, deu setecentos reais, eu só devia a metade pro Vanderlei, e aí sobrava bastante pra mim me rabiscar mais.
Saí de casa e fui pro studio rapidamente.
- Assaltou um mendigo? - eu ri alto.
- Mais ou menos... Vim te pagar e fazer mais!
*finge aquele barulhinho de whatsapp*
- Ana? Tá viva? Saiu e nem me acordou.
- :( você parecia tão feliz, kkkkkk resolvi não acordar...
- Sonhei com você a noite toda, mesmo você não estando aqui
- Isso é bom ou ruim? Rs
- Tá de brincadeira? Isso é ótimo. Nunca me senti assim
- Não brinca comigo, Daniel.
- Não!!!! De forma alguma, é tão sério
- Tudo bem........acredita que hoje eu faço 17 anos? :O
- Temos que comemorar!
- Mas já comemoramos tanto...
- Para, você ainda não viu nada. Te pego às 20hrs na praça, bjao.
Só peço que eu não perca a fé no amor.
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linda, louca & mimada [1] - Caroline Raicco
Teen FictionPRIMEIRA TEMPORADA. Essa é uma ficção. PRIMEIRA fic com esse nome. NÃO AO PLÁGIO! Fic inspirada na canção da banda de Rap Oriente. Ela só quer viajar, ela só quer viajar Da night pra praia, da praia pra casa, da casa pro lar No drop alucinante c...
![linda, louca & mimada [1] - Caroline Raicco](https://img.wattpad.com/cover/25317545-64-k239937.jpg)