Capítulo 24

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 Quando o chicote cortou o ar e estalou em minhas costas pela primeira vez um grito escapou por minha garganta e meus joelhos cederam, exclamações de aprovação encheram o ambiente antes que eu voltasse a me levantar, trinco meus dentes e fecho meus punhos ao lado do corpo impedindo que minhas lágrimas caiam mantenho meus olhos fixos no do imperador a minha frente.

 Ele mantém sua postura e muitos o elogiam por sua misericórdia por dar uma punição leve a uma traidora, como se eu pertencesse a ele, ergo minha cabeça determinada a não gritar ou implorar, o homem faz novamente o sinal com a mão e sinto outro rasgo se abrir em minhas costas e meu corpo cai novamente, sinto o gosto de sangue invadir minha boca, apoio as mãos no chão e volto a me erguer, sinto minhas costas arderem e sangue quente escorrer, quando a dor começa a ficar suportável mais uma vez ele faz o sinal com a mão trazendo de volta a dor.

- Majestade!

 Quando começo a me erguer novamente vejo um homem ajoelhado ao meu lado, ergo meus olhos e vejo Chang, ele está de joelhos perante seu imperador e em momento algum olha para mim.

- Não cumpri bem a missão dada a mim e isso trouxe preocupações para sua majestade e quase perdemos uma importante peça, mereço ser punido, por favor majestade me castigue no lugar da gōngzhǔ.

  O lugar se enche de murmúrios dos oficiais, por que ele está fazendo isso? Eu não quero que ele me salve, não mais uma vez.

- Chang wángzǐ se levante.

 O imperador parece perder o interesse em mim assim que o assassino se levanta, o sigo com os olhos e percebo que ainda estou no chão, sinto minha garganta secar, observo a postura de Chang quando ele agradece por se erguer, seu rosto continua o mesmo inexpressivo porem a certa tensão em suas costas.

- O Wángzǐ ja fez mais conquistas para nosso reino do que qualquer outro, por que eu deveria puní-lo? De repente me sinto exausto vou me retirar por hoje, pode levá-la.

O Imperador se levanta e escuto todos os oficiais se curvarem.

- Obrigada majestade!

Chang fala e se abaixa ao meu lado, ele fica alguns segundos me observando como que esperando que eu falasse algo.

- Coloque um braço em volta do meu pescoço, vou te tirar daqui.

 Apesar de contra minha vontade o obedeço antes que o imperador mude sua mente e decida continuar sua sentença. Sinto meu corpo ser levantado com facilidade  e cuidado pois ele não toca nas feridas abertas em minhas costas. 

 Ele me leva de volta a sua mansão e de volta a meu quarto, em todo caminho observei seu rosto suas linhas retas se emolduram perfeitamente com as mechas de pura escuridão que caem sobre seus ombros mas diferente das outras vezes onde havia apenas noite em seus olhos hoje eu pude ver centenas de estrelas nos mesmos. Ele me coloca sobre minha cama.

- Por que fez isso? Não pedi que me salvasse.

  Ele segura meu rosto com uma mão o anilizando por alguns segundos e então o solta, sinto meu coração bater forte em meu peito.

- Deveria ser mais grata a quem a salvou tantas vezes.

Ele fala proximo a mim e por alguns instantes a dor em minhas costas se torna apenas uma ardencia.

- Eu não precisaria ser salva se não tivesse me roubado... contudo hoje sou grata por mais uma vez ter salvo minha vida, mas não pense que esquecerei tudo que fez se eu tiver uma oportunidade eu o matarei.

 Digo com a voz firme e sem recuar quando novamente sua mão se aproxima de meu rosto mas dessa vez apenas coloca uma mecha de meu cabelo atrás d minha orelha.

- Quando estiver grata seria melhor apenas agradecer ao invez de fazer ameaças que não tem o poder de cumprir, a menos que você já tenha esse poder?! Se esse for o caso tenha em mente que não facilitarei para você gōngzhǔ.

 Suas palavras soam calmas e suaves mas o que dizem são como finas laminas, então ele se levanta logo que um homem velho que parece ser o médico entra junto com uma jovem.

A queda de LíangHistórias para pegar e não largar. Descubra agora