- Está certo, está certo – ela recuperou o fôlego. – Meu nome é Carol, sou jornalista e gostaria de fazer uma matéria sobre o seu perfil e seu trabalho na Sassy Cosméticos.
Arusi ficou atônito.
- Explico melhor - ela continuou. – Veja! – mostrou sorridente a imagem dele estampada em seu shampoo. – Vi esta imagem e tive a ideia de vir procurá-lo e conversar sobre isso. Gostaria muito de conhecer o seu trabalho
Arusi não gostou nem um pouco daquela abordagem e pensou que Carol fosse uma lunática qualquer perdida na Namíbia.
- Olhe, eu preciso ir e não tenho tempo para este tipo de coisa, até logo! – virou as costas e foi em direção ao ônibus.
Seus colegas o estavam aguardando e faziam sinal para ele se apressar. As suas passadas largas correspondiam a pelo menos cinco passos de Carol, e ela ainda tentou chamar a sua atenção, sem sucesso. Ele não se virou para atender aos últimos chamados da publicitária.
Missão totalmente fracassada. Ela voltou de cabeça baixa para o carro, a sandália de salto agora nas mãos e no rosto um certo ar de desânimo. Além de não ter conseguido a atenção de Arusi, ainda tinha mentido para ele dizendo que era jornalista. Por que fez isso? A verdade era que ela teve medo de ser descoberta. Esperava uma certa receptividade por parte dele. Que ele tivesse tempo para ouvi-la para que ela pudesse explicar tudo o que tinha em mente. Mas Arusi não deu espaço e ainda por cima foi ríspido. A única saída que viu foi usar algo mais apelativo como jornalismo. As pessoas ficam sempre ouriçadas quando jornalistas as abordam. Mas nem aquilo havia dado certo. Impulsividade.
- Angalia, missão não cumprida – suspirou.
- Não se deixe abater, Madame. Amanhã é um outro dia!
- Mas era só o que me faltava – murmurou. – Eu no meio do nada, em um lugar totalmente estranho, com um homem desconhecido me consolando e ainda citando Scarlett Ohara! – referiu-se à personagem do clássico "E O Vento Levou..."
- O que quis dizer, Madame?
- Nada, Angalia, nada! Vamos voltar para o hotel. –recostou a cabeça na janela do carro e adormeceu durante toda a volta da viagem.
- Chegamos – disse o motorista referindo-se ao hotel. – Planos para amanhã?
- Obrigada, Angalia. Na verdade ainda não tenho nenhum plano. Eu te ligo qualquer coisa, ok? Pode ir.
Carol lembrou que não comeu nada o dia inteiro e que o hotel não servia refeições. Angalia tinha partido e ela não quis incomodar o motorista. Já eram nove horas da noite.
Decidiu ir ao bar novamente para jantar. O caminho até lá era agradável e seria bom se exercitar um pouco.
- Marie! – Carol chamou a bartender enquanto sentava-se no banco do balcão.
Marie avistou-a e seguiu em sua direção. Perguntou se gostaria de uma taça do vinho que havia bebido na noite anterior ao que Carol aceitou.
- Dia difícil – comentou.
Pegou a taça, tomou um gole e ao olhar para o seu lado direito qual não foi a sua surpresa ao avistar Numa! A guia da Sassy Cosmeticos acenou para ela chamando-a para sentar-se à mesa. Numa estava com um amigo da Inglaterra de passagem pelo país para fotografar modelos para um artigo de uma revista de moda. Quando adolescente, Numa fizera trabalhos como modelo e foi daí que a amizade surgiu. James era seu nome. Um sujeito simpático, cabelos castanhos escuros na altura do ombro. Sempre com uma câmera na mão, seu hobby era tirar fotos chamadas jornalísticas, especialmente em preto e branco.
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O Lago dos Elefantes
General FictionCarol é deliciosamente impetuosa e tem uma carreira profissional brilhante na metrópole. Após uma epifania decide repentinamente viajar à Namíbia no intuito de investigar uma das fábricas de seu cliente, a Sassy Cosméticos, para desenvolver uma nova...
