A Hora Da Verdade

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O dia amanheceu fresco com o Sol despontando no horizonte, uma bola vermelha que lembrava Marte. Talvez a poeira do ar estivesse ofuscando os raios, dando esta impressão.

Arusi, Numa, Carol e Arthur estavam prontos para partir. Kary e Meke já estavam acordadas também. Meke pegou nas duas mãos de Carol e sussurrou sem seu ouvido:

- Boa sorte! E não desista!

Numa achou aquela proximidade bastante estranha. Deu um abraço na irmã de Arusi e prometeu voltar com mais tempo. O clima não estava dos melhores entre os quatro e a caminhada até a encruzilhada foi banhada pelo silêncio. Vez ou outra, as cólicas intestinais de Arthur quebravam a calmaria de tão altas que eram. A verdade é que na noite anterior ele estava aos beijos com Numa em sua cama, ela já de sutiã quando de repente veio uma diarreia arrebatadora e atrapalhou o seu momento sexual. Quando voltou, Numa estava dormindo e os planos foram arruinados.

- Os quatro guerreiros estão de volta! – Angalia acenou feliz com seu chapéu.

- Ai, graças a Deus, você veio com um carro decente e não com aquele jipe de guerra – agradeceu Arthur.

Angalia cumprimentou Arusi, Numa e Carol.

- Madame, aproveitou a savana?

- Angalia, já te disse que não sou madame! – repreendeu.

- Espantou até cobra, Angalia – comentou Arusi. – Mostrei a ela o lago dos elefantes.

- Ah! O lago dos elefantes! Não tem espetáculo maior na Natureza!

- Que por sinal fui eu quem descobri – emendou Numa.

- Verdade, não me lembrava disso – comentou Arusi.

- Você não deve se lembrar de muitas coisas – observou novamente.

- Bem, eu vou ficar por aqui para esperar o ônibus. – Arusi queria ter o seu momento de paz

- O que? De jeito nenhum! Você volta conosco para Swakopmund- indignou-se Carol.

- Obrigado, Carol, mas a minha passagem já está comprada e assim como eu vim de ônibus, vou voltar – ele ainda estava desconfortável com a situação.

- Deixe ele Carol, acho que você já o incomodou o suficiente – disse Art.

- É isso então? – Carol pareceu desanimada.

- Sim, você já conseguiu seu material, não? – respondeu Arusi.

- Sim, é verdade – disse a publicitária cabisbaixa. – Em breve, a agência entrará em contato com você para as peças publicitárias. Ela percebeu o distanciamento dele.

- Isso se a campanha for aprovada – lembrou Arthur.

- Claro – se a campanha for aprovada.- Carol concordou

Arusi percebeu que a publicitária demonstrou humildade pela primeira vez desde que esteve com ele. Sentiu um certo alívio.

- Então, todos a bordo! – Angalia abriu a porta do carro e fez um gesto com a mão para estimular a turma a entrar.

Carol ligou o celular para captar o primeiro sinal possível. Sentou-se ao lado do motorista pois não suportava Arthur. Durante o percurso, decidiu se desculpar com Numa. Virou para trás para enxergá-la:

- Quero te pedir desculpas por ter dito que trabalhava em um guia de viagens. Vim despreparada para este projeto e esta viagem. Não era a minha intenção magoar alguém. Você me recebeu tão bem e eu dei essa mancada. Eu sou assim, impetuosa.

O Lago dos ElefantesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora