No Lago Com Elefantes

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Carol conheceu ótimos personagens na aldeia de Arusi. Àquela altura, contava com material suficiente para concluir seu trabalho. Imaginou toda a estrutura:a peça seria baseada nas raízes dele, sua origem, seu trabalho na fábrica, o cuidado com que desenvolvia os produtos, o transporte até as lojas, a felicidade do consumidor final. Bam! Matador!

Ela sabia que não poderia sustentar a inverdade de um simples perfil de Arusi para uma reportagem. Estava planejando contar o verdadeiro propósito de sua viagem ao "objeto" de sua campanha. Terminava algumas anotações quando Kary, a irmã mais nova, se aproximou e com um sorriso imitou a tromba de um elefante. Através mímica, pedia para ela caminhar ao que a publicitária não estava entendendo nada.

- O que? Estamos sendo atacados por elefantes?

E Kary insistia com gestos frenéticos. Carol começou a se assustar quando Arusi chegou por traz e disse que a irmã estava dizendo que ela deveria visitar o lago dos elefantes.

- Mas para que eu vou visitar um lago de elefantes? – indagou em tom de desprezo

Arusi disse a Kary que o lago não era lugar para turistas. Carol rechaçou a alcunha de turista. Disse que era uma viajante, turista nunca! Com a negativa de Arusi, a publicitária começou a insistir para visitar o tal lago. Kary também insistiu para que o irmão a levasse ao que não lhe restou alternativa e cedeu à pressão.

Era fim de tarde e, após uma caminhada de quarenta minutos, chegaram ao destino.

- Nós vamos voltar no escuro? – amedrontou-se Carol

- Não se preocupe, eu trouxe lanterna. – ele a confortou

- Ah, isso alivia bastante. Pelo menos, saberemos o tipo de cobra que nos picou no caminho de volta – provocou.

Arusi já estava acostumado com a rabugice da colega e não dava a mínima. Começou a se questionar o porquê de ter aceitado o tal perfil, e tê-la levado para o seio de seu lar. Percebeu que seria uma oportunidade mostrar às pessoas o seu modo simples, mas feliz de vida. Em sua experiência, conheceu muitos estrangeiros que diziam que dariam tudo para levar uma vida como a dele, com menos responsabilidade, menos compromissos. A sua resposta era simples. Então faça! Mas falar era muito fácil. Ninguém realmente estava disposto a abandonar os seus estilos de vida, principalmente os que tinham filhos, para mudar radicalmente o modo de viver. Mais do que isso, aquelas palavras eram vazias, ele enxergava que as pessoas estavam sim satisfeitas com o seu modo de vida. Só que a "bolha" de uma viagem de férias era sempre mais interessante do que o cotidiano. Por outro lado, Arusi pensou por algumas vezes que a vida que levava poderia ser considerada bem sacrificante. Um funcionário de fábrica, com uma vida também regrada, mas com possibilidades limitadas. Assim como Numa, ele almejou viver em uma metrópole, mas percebeu que era uma ilusão. Entendeu que as suas limitações bastavam para o seu contentamento. E provavelmente era assim com milhões de pessoas.

A lago era grande o suficiente para não enxergar as bordas laterais. Até a outra margem devia ter mais ou menos oitenta metros.

- Cadê os elefantes? – Carol perguntou ansiosa.

- Estão atrasados. Marquei exatamente às cinco e meia e ninguém aparece. É muita desfeita!

- Haha! Muito engraçado... – desdenhou a publicitária

Arusi explicou que existia uma janela de tempo em que uma família de elefantes aparecia todos os dias para beber a água do lago. Era uma família numerosa, uns trinta membros. Disse que a aventura consistia em esperar o fim de tarde e aguardar a vinda dos seres majestosos.

- Entendi, vamos ficar aqui sem fazer nada até que eles resolvam aparecer.

- Vamos ficar aqui ouvindo o vento, nos despedindo do Sol, conversando, respirando, meditando, comtemplando – rebateu Arusi. – Nossa, como sinto falta disso daqui! – suspirou.

O Lago dos ElefantesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora