O Desabrochar

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A festa seria em dois meses. Neste meio tempo, Meke mudou-se para Swakopmund e Carol voltou para New York para iniciar a estruturação da empresa. Checando os seus e-mails um dia antes de voltar à Namíbia, teve uma surpresa. Um email de Arthur com o seguinte assunto: "Agora que não somos mais colegas de trabalho..."

Ficou extremamente curiosa e mais que depressa abriu o conteúdo. O texto continuava assim: "Aceita tomar um drink comigo?"

Mordeu os lábios. O que podia significar? Depois de tantos anos de rivalidade... É certo que logo que chegou na agência se sentiu atraída por ele. "Mulheres, via de regra, gostam de homens confiantes" – pensou.. Ele era bonito mas não de um jeito plástico. Sua beleza aflorava de seu charme. Admitia que era cativante. Bem no começo, ensaiaram uma paquera que nunca chegou a evoluir. Era um jogo de sedução divertido, uma distração para aliviar a loucura da rotina na agência.

Mas tudo mudou com o maldito roubo de sua ideia. Ela se sentiu traída e o entusiasmo por ele morreu ali. Continuou tratando-o com profissionalismo, mas nos happy hours dos colegas de trabalho fazia questão de se distanciar dele. Começou então o jogo da rivalidade, as provocações mútuas no dia a dia. A atração transformou-se em irritação. Agora que seguiu um caminho completamente diferente, será que havia espaço para algo mais com Arthur? Ela estava disposta a descobrir. Marcaram então um drink naquela noite, em um pequeno bar que possuía a melhor vista para a cidade.

"Claudia, você não vai acreditar, o Arthur me chamou para tomar um drink" – Carol mandou uma mensagem para a amiga.

"Nooooossaaaa!!!! Que evolução! Vocês dois finalmente vão conversar como adultos? Acho ótimo! Ele está indo bem aqui na agência, o pessoal da MacNamanra está gostando das ações dele."

"Ah, é? Bom, vindo da MacNamara não me espanta nada que estejam gostando. São um bando de sanguessugas arrogantes, bem o perfil de Arthur!"

"Olha você se deixando contaminar" – advertiu a amiga. – Coloque o seu melhor vestido e ouça o que ele tem a dizer.

"Vamos ver" – estava forçando um ceticismo pois não queria criar expectativas.

O lugar era incrível. Poucas mesas pequenas e redondas dispostas próximas à fachada de vidro do 80º andar de um edifício. A iluminação ficava a cargo das velas cuidadosamente acesas pelo garçom no momento em que as pessoas sentavam. Um bar pequeno no centro do lugar oferecia drinks das mais variadas origens e os bartenders do mundo todo disputavam uma temporada dentro daquele paraíso etílico. Ao fundo, um jazz no volume exato para não atrapalhar conversas nem se deixar notar. Era o ambiente perfeito.

Carol estava com um vestido preto elegante com decote em "V" na medida certa para que as curvas de seus seios não se revelassem, mas que ao mesmo tempo poderia despertar a curiosidade em Arthur para saber o que havia escondido ali.

Ela chegou primeiro e pediu uma margarita. Em seguida, Art apareceu. Tinha deixado a barba crescer. Estava muito bonito! Vestia calça e camisa pretas, o que o deixou bastante elegante.

- Quem diria que nos encontraríamos numa situação dessas? – ele brincou para quebrar o gelo.

- Pois é – Carol retrucou.

Cumprimentaram-se e Art sentou-se. Olhou para ela por um momento e comentou com a cabeça inclinada e franzindo as sobrancelhas:

- Você está diferente.

- Diferente como?

- Não sei, mais bonita – elogiou.

Carol disse que a barba lhe caíra bem. Contou sobre a sua nova empreitada e como estava feliz em poder atuar em algo que fazia a diferença para ela. Ele disse que sabia das notícias através de Claudia, ao que ela ficou feliz em saber que ele se interessava pelo que andava fazendo.

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