- Primeiro você me persegue e depois me dá o cano? – reclamou Arusi com a publicitária quando retomaram a entrevista
- Desculpe, Arusi, tive uma emergência em casa, não vai acontecer de novo.
- Mas está tudo bem? – perguntou sem jeito.
- Tudo resolvido! – ela abriu um sorriso encantador.
- Bem, onde paramos? Ah, sim, você! Me fale sobre o seu trabalho na Sassy.
Arusi se mostrou satisfeito com a empresa em que trabalhava. Bom sinal para um garoto propaganda autêntico. Disse que teve boas oportunidades lá, que as políticas favoreciam os funcionários. Contou que os benefícios eram bons e que todos se respeitavam. "Que benção" – pensou a publicitária.
Carol quis saber mais sobre o seu trabalho no controle de qualidade e foi quando ele deu um suspiro.
– Bem, poderia ser melhor... – disse com o olhar vazio
- Como assim?
Ele pareceu se recobrar e disse que o trabalho "sempre pode ser melhor". Carol ficou com a sensação de que algo o incomodava, mas não podia afirmar com certeza. Ela sabia que tinha tocado em dois temas bastante sensíveis: o casamento e o trabalho na Sassy. Um homem articulado como ele deveria poder discorrer sobre temas tão universais. Mas por alguma razão ele conseguia comentar sobre o assunto. Talvez porque Carol era uma desconhecida para ele. Talvez porque ele tivesse marcas não superadas.
- Arusi – Carol chegou mais perto de seu corpo e pôde sentir um cheiro delicioso e fresco de sândalo. Ela se desconcertou por um momento. – Que perfume é esse? É da Sassy?
- Não, claro que não! Este é o cheiro de minha terra Natal. Minha irmã prepara toda vez que vou para lá, e eu trago comigo para lembrar de casa.Aliás está acabando e devo buscar com ela neste final de semana
- O quê? – Carol quase caiu do banco – Posso ir com você? – Carol viu a oportunidade de se ver livre de Arthur.
- O quê? Você está louca?
- Não, não estou louca, eu sou louca! – deu uma sonora risada – Por favor, acho que pode ser legal para o projeto – ela queria conhecer mais sobre as raízes de Arusi para incluir em sua campanha.
- Não vou passar somente o final de semana. Na semana que vem é o "Kuska Festival" em Swakopmund, uma festa aonde todos vão para as ruas celebrar com música, comidas e dança. Não gosto de multidões então aproveito este feriado para ir ver a minha família. Devo passar os próximos três dias lá.
- Perfeito! – ela saltou do banco. – Pode avisar a sua família que você levará uma convidada.
- Carol, você não tem ideia de como é por lá? Você vem de uma cidade cosmopolita, e na minha aldeia não tem nem luz elétrica.
- Como assim? Voltamos à Idade Média? – ironizou
- Mais ou menos isso. É assim que gostamos que seja. Contato total e irrestrito com a Natureza.
Carol pensou por um momento. Ela tinha horror à Natureza, Swakop já era suficientemente natural para ela. Mas ir para um lugar que não tinha sequer luz elétrica? Pensou novamente e lembrou que Arthur estava a caminho. Precisava ganhar tempo longe dele. Então, decidiu ir.
Arusi achou inusitado mas ao mesmo tempo divertido ter uma visitante do outro lado do mundo em sua terra natal. Combinaram de sair no dia seguinte, sábado pela manhã. Ele tinha a passagem de ônibus comprada e ela iria com Angalia. Eles se encontrariam em uma conhecida encruzilhada ao norte e a partir dali Arusi os guiaria até o seu povoado.
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O Lago dos Elefantes
General FictionCarol é deliciosamente impetuosa e tem uma carreira profissional brilhante na metrópole. Após uma epifania decide repentinamente viajar à Namíbia no intuito de investigar uma das fábricas de seu cliente, a Sassy Cosméticos, para desenvolver uma nova...
