PROPOSTA DE TRABALHO

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Após um fim de semana bem agitado com Júlia, Anne começava a rotina da semana em seu trabalho. O problema com o código fonte, referente ao novo projeto da empresa, havia sido solucionado. Mas a engenheira ainda tinha algumas pendências a serem resolvidas.

Assim que pisou no escritório, Anne foi cumprimentada pelo seu chefe que veio ao encontro da jovem para conversar.

- Bom dia Anne! Obrigado por sexta feira. Aquela bagunça veio de Seul, foi lá que perceberam a falha. – Afirmava Hector. – Então acabaram mandando para nós. Acho que sabiam que iriamos resolver para eles.

- Precisam prestar mais atenção, serem mais cuidadosos. Esse tipo de falha pode comprometer todo o sistema operacional e de quebra todo o sistema segurança do aplicativo. Gente!!! A pessoa que fez essa cagada ainda continua lá?? Eles são tão rigorosos - Perguntava Anne indo em direção a sua mesa, com Hector ao seu encalço.

- Se continua na empresa, não sei, a única coisa que eu sei é que querem você lá em Seul. Eles estão trabalhando no lançamento do novo telefone, e esse código fonte bagunçado é parte do sistema operacional dele. Alguns funcionários das outras filiais também irão. Quero você representando o escritório aqui do Brasil

Anne olhou para Hector, incrédula pela proposta de trabalho que estava recebendo. Da última vez que o chefe propôs que Anne fosse trabalhar em alguma filial tinha sido em Nova York. O que seria 15 dias virou 4 meses 

- Hector, acabei de voltar de Nova York, não pode pedir ao Antônio para ir à Seul em meu lugar? Ele é especialista em Segurança de Informação. E outra,  meu coreano não é lá essas coisas, você sabe. Lembra da gente na imersão da empresa? Cortei um dobrado lá para entender o que o povo falava. 

- Mas olha! Dona Anne Barcelos rejeitando um novo desafio? Tudo bem eu passo o trabalho para o Antônio, afinal ele fez uma grande amizade em Seul, então...

Anne olhava para Hector que falava e se dirigia à sala de Antônio, quando a jovem teve um estalo momentâneo.

- Eu vou!

Voltar a Seul seria uma boa, pois da primeira vez que Anne esteve lá, foi por cerca de 1 semana e praticamente não teve tempo. Chegava tão cansada das palestras e reuniões com a equipe do escritório de Seul, que a única coisa que fazia quando chegava ao hotel era dormi. Mas também, foi uma época bem complicada para a jovem. Estava no meio de uma de suas muitas crises de ansiedade. Ela quase teve que voltar ao Brasil, logo que colocou os pés na Coreia. Nessa hora Hector e Antônio foram de grande ajuda para a jovem, com palavras de incentivos e carinho e que fez com que aos poucos Anne fosse passando pela crise. 

Dessa vez seria diferente. Anne queria fazer diferente. Segundo Hector a jovem iria ficar 3 meses, mas dependendo de como as coisas poderiam ficar, a estadia poderia ser estendida por mais 3 ou 4 meses. Todas as despesas seriam pagas pela empresa,como era de praxe quando Anne viajava a trabalho. Além disso, a funcionária iria receber uma bonificação em seu salário. Foi nessa hora que os olhos de Anne brilharam. Um aumento agora, seria uma ótima!

- Anne você reclama do seu coreano, mas é fluente em inglês. Qualquer coisa você pode se comunicar no escritório de lá na língua inglesa. Seu serviço daqui vou repassar para os outros analistas, assim você viaja com mais tranquilidade. Então não precisa se preocupar com nada. – Afirmava Hector todo animado, pois estava fazendo uma excelente escolha.

- Tá mais quando embarco? – Perguntava Anne. – E outra, vou está na terra de outra pessoa, o mínimo que eu possa fazer é conversar na língua materna do local.

- Eu vou confirmar com o pessoal do RH, mas acredito que dentro de uma semana. Você consegue?

- Preciso de uns dias para deixar tudo certo. Afinal serão 3 meses que podem vir a ser 6, então tenho que me organizar. O Gasparzinho não vai habitar meu apartamento e pagar minhas contas. – Respondia Anne rindo.

- Vamos fazer assim: você trabalha hoje e amanhã e tira o resto da semana para ajeitar tudo. Vou resolvendo com o pessoal do escritório de Seul e com o pessoal do RH daqui. Acredito que na Segunda, no mais tardar na Terça, você embarca.

- Pode ser. Nossa já vou comprar meus florais. Sempre fico ansiosa, você sabe.

Hector riu, mas ao mesmo tempo ficou apreensivo. Ele sabia do problema de Anne. Foi quando colocou suas mãos nas de Anne e olhou com carinho para ela.

- Falando como chefe: Anne você é muito competente, sei do seu potencial e acredito em você, por isso te indiquei. Não precisa ficar ansiosa, preocupada com a mudança. Faça seu trabalho, como você faz muito bem aqui no Brasil. Você é muito responsável. Agora falando como amigo: deixe suas preocupações aqui. Vá para Seul, trabalhe, mas também, tente se divertir.

- Olha! Não recomende que vou ter mais diversão do que trabalho. – Respondia Anne.

- Estou falando sério. Tente passear, conhecer lugares, pessoas. Faça amizades. Isso vai fazer bem para sua alma. Não fique entocada em um quarto de hotel como da última vez. Eu aproveitei. – Afirmava Hector.

- Você não conta. É um bon Vivant. Mas prometo entregar um excelente trabalho, mas também aproveitar para conhecer Seul. Quem sabe até arrumo um coreano lá.

- Aí também não né. Não quero perder uma das minhas melhores funcionárias. Pode arrumar um brasileiro mesmo.

Os dois começaram a rir e discutiram mais alguns pontos da viagem para Seul. Ao ir embora do trabalho, Anne novamente ia para a estação do metrô e parou em um farol para atravessar uma movimentada avenida. E lá estava o pôster na banca de jornal que ela havia visto na última sexta feira.

- Sehun, me aguarde estou chegando em Seul.

Ao abrir o farol, Anne correu até a entrada da estação do metrô. Mal sabia que suas palavras seriam concretizadas. Ele não sabia, mas inconscientemente aguardava a chegada dela.

***


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