- 6 Meses!!! Vou ficar 6 meses longe de você??? Amiga pode parar, sou cardíaca, isso não se faz. - Dizia Júlia, enquanto se jogava na cama de Anne, caindo por cima de todas as roupas.
- Sai daí sua doida, vai amassar todas as minhas roupas. - Enquanto enxotava Júlia, Anne ia explicando para a amiga sobre o trabalho em Seul. - Não serão 6 meses. Serão apenas 3 meses. Caso a equipe com quem irei trabalhar não consiga, aí sim poderei ter a estadia estendida.
- Bom então nesse caso nem irei sentir sua falta. Com você na equipe e esse QI de 500, em duas semanas você estará de volta ao Brasil. - Zoava Júlia enquanto tentava dobrar as roupas amassadas.
Anne deu uma olhada para Júlia, que a mesma saiu de perto das roupas e foi em direção a cômoda. Mas algo chamou a atenção da amiga de Anne. O card. Julia pegou o celular nas mãos e virou automaticamente para a outra que tentava fazer muitas roupas caberem em apenas em uma mala.
- Quer dizer que você terá companhia nesta viagem? E não sou eu. – Afirmava Julia apontando para o card na parte de trás do telefone de Anne. – Quem é esse moço bonito? Aposto que é cantor de uma daquelas bandas que você gosta.
- Grupo!! Grupo!!- Dizia Anne, enquanto tirava o telefone das mãos de Julia. – Esse é Sehun, do Exo. Achei esse card, nem lembrava que tinha ele. E não sei porque, olho para essa foto e sei lá, me dá um negócio. Deve ser coisa da minha cabeça.
Julia ficou um tempo olhando para a cara de Anne, que parecia perdida olhando para o card em suas mãos. Recolocou o telefone sobre a cômoda e foi novamente arrumar as roupas.
- Com um homem desse me olhando assim, até eu sinto um negócio. Vai ser lindo assim para um .... Mas me conta, você vai sozinha ou o bonitão do seu chefe vai também? Porque se ele ficar, por favor amiga, não esqueça de mim. – Pedia Julia, com as mãos juntas, como se tivesse em oração.
Anne sabia que a amiga achava seu chefe bonito, até ela mesmo achava, mas não imaginava que Júlia tinha uma queda por Hector. Mas queria ver a amiga longe dele, pois o rapaz tinha uma fama de machucar corações alheios. E isso era algo que não gostaria.
- Eu vou sozinha, pode ser que mais no final do trabalho ele vá, mas ainda não é certo. E se eu fosse você eu tirava o cavalinho da chuva. Hector tem fama de ser um Bon Vivant, então se quiser uns pegas, apresento, se não, corre três quilômetros dele. É furada.
Julia começou a rir de Anne, que por sinal ria também. A engenheira não estava em posição de dar conselhos amorosos, pois seu coração andava fechado a algum tempo. Tinha uns casos aqui e outros ali, mas nada muito sério. Nunca teve uma decepção amorosa, mas já chorou por alguém.
Depois de arrumar a mala, pediu a Julia que cuidasse do apartamento enquanto ficasse fora. Os pais de Anne iriam passar alguns dias em São Paulo, então sempre teria alguém no apartamento. Julia, não pensou duas vezes em concordar. Anne sabia que poderia contar com a amiga para tudo. No outro dia ela e Julia foram até a cidade dos pais de Anne para que a mesma pudesse despedir-se deles. Eles moravam em uma cidade à cerca de 200km de São Paulo, então sempre que podia, Anne estava por lá. Ao voltar para casa, cheia de recomendações e uma lista de presentes, Anne pensava em como era afortunada em ter os dois em sua vida. Enquanto isso Julia lia a lista de apetrechos que Anne deveria trazer de Seul.
- Nossa Anne, sua mão está pior que eu, pedindo presentes. Mas o que é Osulloc's tea? Han-j? Aff sua mãe tem uns pedidos estranhos. Eu só quero um Kai, pode ser?? – Dizia Julia no banco do carona de Anne.
- Osulloc's tea são saquinhos de chá produzido e empacotado na Ilha de Jeju e Han-j é uma técnica de fabricação de papel, que remonta a Coreia de 3 séculos. Eu trouxe da última vez que fui lá, ela gostou e pediu para trazer novamente. Agora quanto ao Kai, aí amiga esse vai ser difícil. Muito disputado.
Anne deixou Júlia em sua casa e despediu da amiga. Prometeu voltar logo e com muitos presentes para ela. Ao retornar para casa, deixou tudo pronto para o dia seguinte, já que seria a viagem. Acabou retornando uma ligação de Hector, que desejava boa sorte no trabalho à amiga. Quando deitou, Anne pegou novamente o card em suas mãos e ficou minutos observando o olhar de Sehun.
- O que tem por trás desses olhos rapaz? Sei que as vezes sentimos pressionados a mostrar sempre a nossa perfeição. Mas não se culpe, você não é perfeito, assim como eu ou como qualquer pessoa. Somo imperfeitos. E tudo bem ser assim. Não carregue o peso do mundo nas suas costas. Livre se dele. E seja feliz.
Anne sorria para aquele card, e conversava como se ele fosse o Sehun em pessoa. Acabou adormecendo com ele em mãos. No outro dia, foi para o aeroporto e embarcou rumo a Seul. Estava ansiosa. Não sabia o que esperava do outro lado do mundo. Seriam quase 20 horas de viagem. Entre conexões até chegar ao aeroporto de Incheon. Em praticamente toda a viagem, escutava música, lia e sempre que podia olhava para o card. Ele acabou virando seu amuleto da sorte. Sehun seria a sua sorte em Seul.
***
- Ele vai ficar bem? Será que vai vazar para a imprensa? Quanto tempo ele vai ficar no hospital? Por que você não me responde Hyung!!
Baekhyun parecia realmente preocupado com Sehun, assim como todos os membros que estavam em volta de Junmyeon, reunidos no hotel, ainda em Osaka. O semblante de todos era de preocupação. Estavam preocupados com o maknae. E com razão. Após encontrar Sehun caído, a primeira coisa que o líder fez foi ligar para o manager deles. Precisava tirar Sehun daquele hotel o mais rápido possível e leva-lo a um hospital. Mas como fazer isso sem chamar atenção de fãs e imprensa? Seria um prato cheio para todos que gostariam de ver o grupo acabado. Suho realmente se assustou com o que encontrou, pois Sehun havia ingerido alguns comprimidos. Se tivesse demorado a chegar no quarto, nem queria pensar o que poderia ter acontecido. Mas como tranquilizar 5 pessoas, sendo que nem ele estava tranquilo.
- Vai ficar tudo bem com Sehun. Ele já foi medicado e precisará de repouso. Conversei com nosso manager, vamos informar que Sehun teve um mal-estar, por causa de um resfriado. Não pode vazar o que aconteceu. – Pedia Junmyeon.
- Porque ele iria fazer isso? Ele é tão cheio de vida! Onde estávamos que não percebemos o que acontecia? – Dizia Jongdae.
O líder simplesmente não soube o que responder. Ele ainda se fazia a mesma pergunta, onde estava que não viu o maknae caindo em uma tristeza profunda. Enquanto olhava pela janela do hotel, as luzes de Osaka, sussurrava baixinho para si mesmo.
- Eu não sei onde estávamos! Eu não sei...
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Primavera Coreana
FanfictionAnne é uma Engenheira de Computação com especialização em telecomunicações, trabalhando e morando no Brasil. A jovem recebe uma proposta para ajudar no desenvolvimento de um novo telefone na matriz de sua empresa em Seul. Durante os 3 meses que Anne...
