capítulo vinte quatro

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Um mês depois...


.Ima suspirou, olhou para as pessoas na platéia, odiava fazer discursos, mas era uma de suas obrigações como Duquesa, Gaeu também estava presente, bem como seus amigos e cunhados,  era um jantar de beneficência, a elite local se reuniu para resolver questões relacionadas ao bem estar das crianças bem como da importância da igualdade, Ima teve a ajuda de um politólogo para fazer o discurso que passaria em rede nacional, ela olhava para o papel, recheado de palavras bonitas e difíceis para leigos sobre assuntos políticos, decidiu ignorar o que estava escrito no papel e começou seu discurso:

- quando era adolescente, tive um emprego cuidando de uma criança, era uma bebê amorosa, aconteceu que eu levei ela para tomar sol, tempos depois deu a hora de voltar para casa, a menina fez birra e abriu um berreiro, um homem passou por nós, olhou pra mim e disse; “ você não vê que ela chora porque não gosta de pretos, de ela a uma pessoa branca que logo ela cala” – Ima falou calmamente, na sala todos faziam silêncio observando a Duquesa.

Ima continuou….
- eu pensei muito naquela frase nos dias seguintes, a bebe que eu cuidava tinha apenas oito meses de vida, e ela sempre foi um amor, tinha momentos de choro e claro, mas ela era a personificação da honestidade, quando estava feliz sorria quando estava triste chorava, ai uma vez eu li uma frase de Nelson Mandela, ele dizia “Ninguém nasce odiando o outro pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”. (Da autobiografia “O longo caminho para a liberdade”, 1994), a bebe que eu cuidava era a amostra viva de que ninguém nasce preconceituosa, e o homem que falou aquelas coisas horríveis e a prova que você aprende a ser preconceituoso – algumas pessoas naquela sala admiraram Ima pela sua capacidade oratória, Gaeu olhava para o palco sua esposa era uma mulher inteligente e ele amava ela.

- sou uma mulher negra, meu marido e branco, meu filho e branco e minha filha e negra, e eu daria minha vida por eles, porque assim como Mandela disse eu aprendi a mar pessoas brancas, eu não considero brancos melhores que os negros, assim como não considero negros superiores a brancos acredito que o que define a qualidade de uma pessoa e o seu caráter, o racismo bem como outras formas de preconceito ainda existem em escala incalculável, todos somos iguais, mesmo que nos digam o contrário essa e a verdade, um negro não precisa provar nada aos brancos, não precisa existir, o primeiro negro a entrar na NASA, não precisa existir o primeiro negro a ganhar um Óscar, não precisa existir o primeiro negro a fazer o que quer que seja, não somos brancos ou negros, somos a raça humana, SOMOS iguais, todos temos valor, todos somos importantes, e esse o futuro que queremos para nossas crianças!! – todos levantaram aplaudindo a Duquesa, Ima agradeceu e saiu do palco Salomé veio abraça-la.

- meu Deus Ima você foi maravilhosa estou emocionada – Salome disse enquanto abraçava a prima, pelo canto do olho Ima viu seu marido se aproximar, se desfez do abraço e olhou seu marido, Gaeu estava vestido de terno preto gravata borboleta, lindo como sempre, ele ficou perto dela, ele não tocou nela, a mais de uma um mês que dormiam em quartos separados, Ima sentia falta do toque dele, mais seus orgulho não deixava dar o braço a torcer.

- você foi expandida!! Tenho muito orgulho de você Ima – ele falou com a voz morna, Ima também sentia falta de ouvi-lo chama-la de Cacau, porém quando Gaeu estava brigados não a chamava Carinhosamente. Ima engoliu um seco.

- Gaeu eu e…. – ela foi interrompida quando sentiu mão no seu ombro, logo Lika estava do seu lado com um sorriso no rosto, depositando um beijo no rosto dela como se fosse o próprio Judas, Ima reprimiu a vontade de se afastar, aquela mulher não lhe causava boas emoções.

Gaeu no entrando estava feliz com a presença da amiga e sorriu para ela, Ima crispou os lábios.

- amei seu discurso Ima, estas de parabéns – Ima forçou um sorriso amarelo que mais pareceu uma careta, lembrou da conversa que teve com Salomé neste mesmo dia.

Entre o Amor e o PreconceitoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora