Capitulo 25

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"Sim, estou"

"Calum, a sério? És mesmo parvo."

"Eu sei que sou" ouço-o a rir.

"Então, o que se passa?"

"O que se passa é que eu acabei de sair de junto da minha namorada e já estou a morrer de saudades."

"Eu bem digo, és mesmo parvo." rio-me.

"Quer dizer, eu aqui a dizer que estou a morrer de saudades tuas e tu dizes que eu sou parvo? Mia, acabas-te de partir o meu coração, que fique bem claro."

"Ai, que exagero Calum. Tu sabes que se podesse não te largava um segundo. Eras meu, para sempre."

"Mas eu já sou teu, para sempre"

"Talvez."

"Talvez?"

"Sim, talvez."

"O que queres dizer com talvez?"

"Quero dizer, que nós não sabemos o futuro e aquilo que nos une hoje, pode separar-nos amanã. Talvez, nós possamos ficar juntos para sempre, mas talvez nós possamos nos separar, o que para a minha cabeça é a ideia mais terrível de sempre."

"Eu percebi... Mas quero que saibas, que mesmo que um dia, enventualmente nos tenhamos de separar eu, Calum Thomas Hood, vou-te amar para sempre."

"Tenho medo de que um dia te esqueças de mim, que um dia encontres alguém melhor que eu."

"Isso não vai acontecer, sabes porquê? Porque eu não preciso de mais ninguém, eu só preciso de ti, és o meu anjinho e eu não te troco por nada nem ninguém, percebes-te? És a melhor de todas para mim e quero que metas isso dentro dessa tua cabecinha."

"Amo-te tanto, parvo."

"Então... O que me dizes de vires aqui a casa agora?"

"Agora não dá, bebé. Tenho de arrumar e organizar as coisas para segunda, amanhã vou sair com os meus pais e só tenho tempo para fazer isso agora"

"Ok, então amanhã antes de ires passa por aqui, só para dar um beijinho."

"Está bem, amor."

"Vá, então até amanhã."

"Até amanhã."

"Amo-te, nunca te esqueças disso" ele desliga o telemóvel antes de eu poder responder e eu fico ali a olhar para o teto com um sorriso patético na cara.

Eu estava perdidamente apaixonada, perdidamente apaixonada pelo Calum. Ele fazia-me mesmo feliz e eu queria-o ao meu lado, sempre.

Levantei-me da cama, tirei as roupas novas dos sacos e coloquei-as todas a lavar. Peguei na minha mala e organizei as coisas necessárias para a apresentação, bloco, caneta, cartão da escola, cartão do transporte... Quando acabei, abri o computador e fui imprimir o horário dos autocarros para a escola, e coloquei na carteira, visto ser uma coisa pequena.

Acho que estava a ficar totalmente pronta para o inicio da escola, ou será que não? Tenho um leve pressentimento que o início das aulas vai ser mais complicado do que o normal, mas... não deve ser nada que eu não aguente, afinal, eu sempre fui capaz de ligar com aqueles desgostos todos o ano passado e tirar ótimas notas na escola. Eu gostava daquilo que fazia e completanto os dois anos que faltavam, eu ía trabalhar naquilo que gosto e naquilo que eu quero realmente seguir. Fotografia.

Tenho uma enorme paixão pela fotografia desde sempre, os meus pais ofereceram-me como prenda de anos uma máquina nova, muito melhor que a que eu tinha, e eu estava super intusiasmada por a poder utilizar nas aulas, visto que estas férias a usei muito poucas vezes, por estar... bem... bastante ocupada.

"Filha, amanhã vamos sair às 10h, por isso a essa hora tens de estar pronta."

"Ok, mãe... Mas onde vamos mesmo?"

"Surpresa!!!"

"Não é justo, não podes fazer isso comigo. Sabes que eu não aguento esperar."

"Está bem, mas desta vez vais ter de esperar para veres. Agora anda jantar para ires descançar."

Já disse que odeio surpresas? Quer dizer eu adoro surpresas, quando elas são mesmo surpresas, agora virem dizer-me que é uma surpresa é a coisa mais irritante de sempre, porque eu quero saber o que é e as pessoas têm esse hábito de nunca me dizerem nada, como se eu fosse excluída e eu odeio ser excluída.

****

São 9h e o meu querido despertador acordou-me. É mesmo castigo ter de acordar cedo no ultimo dia de férias, porque é que não posso ficar em casa o dia todo a dormir?

Levanto-me da cama, pego num par de calções de ganga, numa camisola qualquer e visto-me. Vou até à cozinha e vejo que os meus pais também já estão levantados.

Tomo o pequeno almoço e vou acabar de me arranjar. Como não demorei muito tempo, ainda tenho 15 minutos para ir ter com o Calum.

Vou até casa dele e toco à campainha. Mas ninguém abre.

Toco outra vez, e outra vez, e outra vez e sem sorte.

Estarão todos a dormir, ou não estarão em casa? Mas o Calum tinha pedido para eu vir aqui antes de ir...

Pego no telemóvel e decido ligar-lhe, mas mais uma vez, tentativa falhada, ninguém atendeu.

Mas onde é que será que eles se meteram? Porque não estão em casa e porque não atendem o telemóvel?

Olho para as horas e só faltam 5 min para as 10h, volto então para casa, pego na minha mala e vou para o carro. Coloco os fones nos ouvidos e a música a tocar no meu ipod, "How to save a life" dos The Fray é a música que começa a tocar, o que me deixa bastante contente, porque adoro os The Fray.

Os meus pais entram no carro quase logo e arrancamos finalmente.

"Falta muito?" pergunto impaciente, tirando um fone do ouvido.

"Ainda falta meia hora, tem calma, ainda há pouco tempo saimos de casa." diz o meu pai.

"Saímos de casa à 1h pai."

"Pronto, mas ainda falta um bocado, tem calma."

Coloco o fone outra vez no ouvido. Estou super preocupada com o Calum, liguei-lhe umas 10 vezes e ninguém me atendeu. Também já lhe enviei mensagens e sem resposta. Não sei o que se passa, não sei nada e esta espera para saber algo dele, está a dar completamente cabo de mim.

Até para o Luke já liguei e mandei mensagem e nada. Mas o que será que eles andam todos a fazer?

"Chegamos" diz o meu pai.

Olho pela janela e vejo que estamos num local que não me é nada desconhecido. Tem uma capelinha aqui e um enorme jardim à volta. Isto no topo de um monte. É tudo muito bonito, a paisagem é mesmo espetacular e dou graças a deus por ter trazido a minha máquina, assim não estou no tédio a tarde toda. Sim, porque já percebi que os meus pais vieram para fazer um piquenique, agora pergunto-me o que eles pensam que vamos fazer a tarde toda.

Saio do carro e vou em direção ao muro, sento-me lá em cima, visto ser pequeno e fico a observar a paisagem e fico ainda mais encantada a cada segundo que passa.

"Gostas-te do local?" a minha mãe caminha na minha direção.

"É lindo, adorei. Mas eu já estive aqui não já?"

"Sim, quando eras mais nova viemos aqui uma vez."

"Bem me parecia que este local não me era completamente estranho."

"Nunca te escapa nada, filha" ri-se e vai até ao carro onde começa a tirar um saco de comida do carro.

Decido ir também ajudar, caminho em direção ao carro, mas sou impedida por umas mãos que me tapam imediatamente os olhos.

Encontra-me | C.H.Onde histórias criam vida. Descubra agora