Eclético Parte III

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O suor das mãos de Hinata não conseguia ser absorvido pelo tecido sintético que compunha o vestido, assim como a súbita aparição de Hanabi não conseguia ser processada pelo cérebro da irmã mais velha. Engoliu a seco, retribuindo o abraço caloroso e animado que cheirava a cerveja e Cecita. E por mais que esbanjasse um sorriso de boas-vindas, cada molécula do corpo da morena berrava em pânico; era a primeira vez que tantas coisas inesperadas aconteciam em um curto intervalo de tempo.

― Como você tá? 

― Tô bem. ― respondeu Hinata com a voz a ponto de falhar. ― E você? 

― Melhor. ― apenas disse. 

Com o abraço cessado, mantiveram o contato corporal ao segurarem as mãos uma da outra. O olhar que trocaram, porém, deixou ambas pouco à vontade. Hinata sentiu-se como no dia em que foi calçar seus sapatos velhos e descobriu que, por mais que ela se tentasse, eles não lhe serviam mais. Quer dizer, muita coisa deveria ter mudado durante todos aqueles anos, e chegar junto da irmã tão como se ainda possuíssem a mesma ligação soava como forçação de barra. 

Mas o desconforto não parou por aí. 

― Cadê o Neji?

Esforçando-se para não desfazer o sorriso, Hinata virou para o barman.

― Ô, consagrado! ― exclamou a morena a fim de chamar a atenção do funcionário. ― Duas tequilas, por favor. 

― Não tomo tequila ― disse Hanabi, sem graça. 

― Mas eu tomo. 

Nem de longe Hanabi esperava ser recepcionada com tal humor, mas tinha de ser honesta e admitir que não fazia a mínima ideia de como as coisas estavam em Konoha. Coçou a cabeça, sentindo-se como um peixe fora d'água; ou fora do deserto, que era Suna. Mas tentou seguir o ritmo de Hinata para que houvesse possibilidade de se entenderem. Claro que não se via dando passadas tão longas, então pediu outra cerveja. 

Quando Hinata tomou a primeira dose, lambeu o sal e chupou um pedaço de limão, Hanabi grudou a boca no gargalo da long neck. Recuperando o fôlego, ainda se submeteu a pedir ajuda, com um olhar suplicante, para casal de amigos que estava ao lado, mas tanto Shino quanto Kiba negaram com as cabeças e se afastaram, dando espaço as duas. 

Mesmo que a ideia de estar ali não tivesse sido dela, a moça aceitou de bom grado voltar à Konoha para falar com a irmã. Mas pelo visto Hinata ainda não curtia muito esse lance de surpresas. Seria melhor admitir logo que estavam desconfortáveis e pronto.

― Estranho, né?

― É, sim. ― respondeu Hinata, que aproveitou a deixa para desafogar o coração. ― Desculpa por ter me afastado e tal. Não foi de propósito. É que a faculdade exige muito tempo. 

― Eu sei. 

― Sabe? ― a morena indagou, um pouco surpresa. Não esperava ser compreendida logo de cara. 

― Sim. ― Hanabi tomou mais um gole. ― Sou universitária também. 

― Tá cursando o que? 

― Psicologia. 

― Meus parabéns. ― disse Hinata, sincera. Com a morte de um assunto, catou o primeiro tópico que lhe veio a mente. ― E como tá a tia Hamura?

― Sei lá. ― deu de ombros. 

― Ué, mas você não foi mandada pra a casa dela? 

― Então… 

Com a hesitação e o sorriso amarelo, Hinata respirou fundo e ergueu o indicador, pedindo um segundo para virar outra dose de tequila. Com uma careta e a sensação de calor no peito, Hinata gesticulou para que a irmã fosse adiante. 

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