No chat do Konoha Privê

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Neji nunca foi um bom contador de mentiras, mas sempre foi espetacular quando se tratava de mentir para si mesmo. Porém, desde o dia em que bateu na porta da prima para contar a verdade sobre o Konoha Privê, algo não ia bem. O Hyuuga não estava conseguindo fingir quando o assunto era Hinata ou o quão ansioso ficava com a possibilidade de vê-la.

Apesar de ter obtido sucesso em processar a ideia da dupla identidade de Shion, Neji ainda se sentia como um gatinho com a cara enfiada numa caixa de lenços. Não estava sendo fácil. 

Sentado no sofá como um cão de guarda, Neji esperou o retorno da Hyuuga. Balançou a perna e limpou o suor do rosto, aflito. 

Em síntese, precisaria evitar que o furacão-Hinata fizesse baderna em casa no meio da madrugada, além de levá-la para o quarto em silêncio. E por mais que o rapaz tentasse se convencer de que não tinha em mãos uma tarefa complexa, uma parte de si fazia questão de lembrar do fator álcool; se Hinata havia ligado chorando, então não estava só um pouco embriagada. 

Céus! O final daquela novela soava como uma bomba de hidrogênio. 

Mensagens de texto não foram necessárias para notificar a presença da morena. Neji ouviu o baque da porta do carro, seguido de berros e mais berros. Se ela já estava assim fora de casa, imagine quando estivesse dentro.

Sem pestanejar, Neji levantou como um raio e pulou na maçaneta da porta, abrindo-a para receber a alma embriagada. 

― Aqui pra você! ― ela gritou. ― Arrombado. 

Hinata estava tonta e furiosa. Quando ele a viu olhar por cima do ombro e mostrar o dedo para Sasuke, soube na hora o tipo de resultado que aquilo traria. Infelizmente não teve reflexo para segurar a prima no instante em que esta tropeçou na calçada e caiu no chão como uma jaca madura. 

― Eita ― berrou Ino. ― Machucou?!

Hinata não respondeu, mas também não levantou. Apenas engatinhou para dentro de casa, pois era a única coisa que conseguia fazer dada a falta de equilíbrio. Com a bunda empinada, a calcinha rosa-neon berrou para os quatro ventos, fazendo o rapaz Hyuuga corar.

 ― Tudo bem. ― ele avisou com o polegar erguido na direção da Yamanaka. 

― Ah, baitola audacioso! ― Neji ouviu uma voz familiar dizer, e ergueu os olhos para fitar o carro de Ino com mais atenção. ― A menina taca o rabo no chão e ele fica rindo. Tu acha, mulher? 

― Para de rir, Sasuke. ― bronqueou Ino. 

Por um segundo sequer, Neji sentiu os pés saírem do chão e o corpo desconectar com o ambiente. O par de olhos esmeralda encontraram os perolados, uma tempestade foi formada em algum lugar do universo apenas com tal troca. Mas Sakura levantou o vidro do carro, e o mundo silenciado voltou a girar. Neji mordeu parte interna da bochecha, nervoso. Tentou procurar um lugar para enfiar a cara, porém o corpo congelado não o obedeceria, de todo modo.

― Psiu, gostoso! ― chamou Sasuke, que deu uma piscadinha quando recebeu atenção. ― Na próxima vem com a gente, que eu sarro em você. ― e vendo o meio sorriso do amigo como resposta à palhaçada, finalizou. ― Beijo! 

― Beijo. ― Neji murmurou. 

― Neji! ― Ino chamou. ― Desculpa, viu? Eu tentei dizer pra ela não beber e eu até que pensei em fiscalizar, mas ela já tava assim quando eu cheguei. 

― Não tem problema.

― Deus te abençoe, tá? Boa noite. 

― Boa noite. 

Fechou a porta. Deu-se um mísero intervalo de cinco segundos para respirar fundo e se recuperar do baque colossal que foi ver Sakura Haruno ao vivo e em cores depois de tantos anos. Óbvio que ela ainda estava ressentida, era evidente. Mas o moreno tinha outros problemas para lidar, precisava ter foco. 

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