Capítulo 10

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Alguns minutos antes:

Thiago está empurrando Gonzalez para longe da sala.

-O quê que tá acontecen... o quê que foi? O quê que foi isso?- pergunta Gonzalez completamente confuso.

-Cara, pra te falar...

-Bom, eu trouxe o bombeiro que você pediu.

-Mano, é que o Daniel...Deixa eu falar o que aconteceu. Mano, o Daniel tem muito medo de aranha, cara. Apareceu uma daquela caranguejeira gigante ali no chão, aí na hora eu achei que era alguma coisa se mexendo ali. Mano, eu me confundi, falei bobagem. Só ignora irmão. Só ignora. Não é problemação não.

-Ãn...tudo bem. A gente tá aqui pra conversar sobre as evidências.

-Hm... Tá. Bora, bora.

Eles conseguem ouvir um som estranho que parecia ser de dor- dor essa que era de Daniel sendo atacado- e rapidamente Thiago tenta disfarçar, fazendo um som parecido, fingindo tossir.

Gonzalez que estava caminhando na frente dele se vira ao escutar o estranho som.

-Eita! Tá acontecendo alguma coisa ali dentro?

-Não, não. Eu tossi. Minha garganta...É que eu...antes de sair daqui eu não...não comi. Eu já fumei uns três cigarros antes de chegar aqui.

Wesleynardo, que estava quieto, vira para o Gonzalez e fala:

-Por favor...me deixa ir pra casa, velho. Eu não aguento mais.

-Ô irmão. É o seguinte. Ãn... todo mundo aqui quer ir pa casa. Ninguém quer ficar aqui vendo...o meninão lá com os buraco no olho- Thiago percebe o erro que cometeu ao falar daquele jeito-Desculpa aí, lembrar teu amigo assim. Foi mal. Eu tenho certeza de que ele era gente boa- Wesleynardo parece um pouco afetado e algumas lágrimas aparecem- Má mano...não chora, não chora não. Fo...foi mal, foi mal irmão. Ô...ô Isabela. Cuida do menino aqui pô, pelo amor de Deus.

-Ah! Tá! Sim- Isabela fala colocando a mão no ombro dele- Vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem.

Thiago sente que está conseguindo a confiança deles o suficiente para conseguir influenciá-los facilmente.

-Aqui, ô Gonzalez. Ajuda o cara também pô. Tu que...tu que é o brabo pô. Chega lá. Dá um helpinho pro cara. Dá um ajuda.

-Tudo bem, tudo bem. Vamo lá pra fora, vamo lá pra fora, e dá uma respirada. Aqui é um ambiente...

-Sim. Bora todo mundo lá, bora todo mundo lá- Thiago interrompe Gonzalez-Deixa eu... Eu vou ver ali rapidão como tá a caranguejeira, tá ligado. Aquela caranguejeira grandona, tá ligado. Uns dois metro de altura. Parecia aquele filme que as aranha cai e mata todo mundo...

-Ok, ok- fala Gonzalez.

-Valeu. Obrigado viu...viu Gonzalez. Cuida aí do cara. Pô irmão, desculpa lembrar aí teu brother.

Quando Thiago fala isso, Wesleynardo vira para trás e fala:

-Dá uma olhada...é... Vê, vê a cozinha, tem...eu acho que o vazamento de gás veio da cozinha.

-Da cozinha...Rapai, tu podia ter falado isso...nanana, esquece. Desculpa viu irmão. Fica de boa. Eu entendi que você perdeu o brother. Não tem problema. Ô! Bora todo mundo dá um abraço em grupo aí no Wesleynardo, que o cara tá triste.

Os três então se abraçam e Gonzalez fala:

-Não, vai ficar tudo bem. Minha mulher acabou de me trair também, tá tudo uma merda aqui. A gente tá todo mundo junto.

-É isso irmão. Pô irmão, falar pra vocês, se cêis ficarem aqui uns cinco, dez, vinte minutinhos aqui, todo mundo se abraçando, vai ser uma coisa linda véi- Thiago fala e eles começam a caminhar para fora, para tomar um ar- Pronto. Perfeito- ele manda um beijo para o grupo- um beijo pra vocês. Já volto. Vou ver como é que tá a aranha lá.

Thiago então volta para o refeitório e se depara com a cena de Liz segurando uma mão e enfiando uma faca no rosto do monstro.

Ele olha para cena um pouco pasmo.

-Carai... Quê que rolou aqui meu querido?- ele passa a mão no rosto e se aproxima dos dois- Então rapaziada, desculpa aí eu ter saído aqui, ma quê que aconteceu aqui?

-Opa! Fala Thiago!- Elizabeth fala terminando de cuidar do ferimento de Daniel- Então né...é...chega aqui, chega aqui.

-Eles foram embora Thiago?- pergunta Daniel com o machucado exposto.

-Ah, eles tão lá fora. O Wesleynardo tá numa bad bruta. Que o rapaz aí...

-Eles não podem entrar aqui. Eles não podem de jeito nenhum entrar aqui, porque isso vai ferrar todo o nosso...nosso objetivo de não... de não expor o mundo sobrenatural. Eles tariam em perigo tanto...tanto quanto a gente.

-É...Thiago, é o nosso momento de ajudar o Daniel- fala Liz quando percebe que Daniel está um pouco abalado- É...Daniel, você sabia que esse momento ia chegar. Que a gente ia ter que lidar com o sobrenatural, e é a nossa função lidar com isso da melhor forma possível. Eu sei que é difícil, eu sei que é a primeira vez, é a minha primeira vez lidando com isso também, mas a gente vai conseguir tá bom?

-A primeira vez é sempre- ele fala transmitindo dor na voz e depois limpa a garganta, falando em um tom mais normal- traumática, se é que me entende- e dá uma risadinha.

Thiago bate palma para o discurso de Liz.

-Isso aí mano. Força. Vamo trabalhar junto.

-Ow! Pensei que você ia ajudar aqui irmão- fala Liz.

Thiago dá uma olhada no bombeiro, que agora tinha voltado ao normal, exceto que agora estava sem uma das mãos e com um buraco à mais no rosto, depois na costela de Daniel, examinando o curativo e se assegurando de que estava tudo bem.

-Mano...o bombeiro já tava mal sem olho e sem boca, agora tá sem braço...? Como é que...e...ow...ãn... A galera não pode mais entrar aqui não, ô velho. Eu vou tê que...Ô, vou fazer o seguinte, ô Liz, cê tá conseguindo cuidar do Daniel aí de boa?

-Já, já, já tá indo já.

-Tô bem já. Brigado- Daniel fala e dá uma fungada.

-Ó! Eu vou... Eu tenho uma informação importante pra vocês. Eu tava trocando com a galera lá- Thiago aponta para a porta- e, por um acaso do destino, o rapaz lá que tava triste, ficou um pouquinho de boa por um segundo, falou que na cozinha deu algum problema.

Eles se viram e conseguem ver a cozinha por uma porta.

-Sim! Daniel? Lembra que eu falei do vazamento de gás?- Daniel apenas assente com a cabeça- A gente precisa verificar isso agora.

-Ok, ok, ok- ele responde um pouco baixo.


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