Capítulo 9

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-É...Daniel? É o seguinte, eu lido com coisa que tá morta. Isso aqui não tá morto não- fala Elizabeth.

Daniel se encontra muito assustado. Ele nunca tinha visto uma criatura paranormal na sua frente, e aquela era a primeira vez que isso estava acontecendo. Isso estava deixando-o chocado.

Ele tenta se lembrar de algum conhecimento sobre aquela criatura, e constata que aquele era o que a Ordem chamava de Zumbi de Sangue. Aquilo acontecia quando um corpo ficava por muito tempo em um lugar onde a Membrana estava sensível. Entidades da outra dimensão começam a tomar conta e transformar o corpo em uma criatura com garras grandes, uma boca enorme e muito vermelha. Logo a transformação acabaria, e no lugar do bombeiro, estaria um monstro muito agressivo.

Daniel sabia que eles tinham no máximo um minuto e meio até aquilo virar uma criatura sedenta por sangue e carne. E sabia também, que não havia muito mistério para matar, mas que não seria fácil, pois o monstro era forte.

Ele explica brevemente sobre isso para Liz que ainda estava próxima ao cadáver.

-Daniel! Seguinte, ele tá...ele tá tremendo aqui no chão. O que...o quê que ele faz? O quê que a gente pode fazer?- Liz pergunta um pouco nervosa.

-Ok. Primeiro sai de perto, e segundo, tu é policial né?

Aos poucos o corpo começa a ter espasmos mais fortes, subindo e descendo diversas vezes.

-Tá. É o seguinte Daniel, o plano é o seguinte: cada um pega num braço e a gente vai arrastar ele pra fora daqui o mais rápido que a gente puder. Quanto tempo a gente tem?

-Elizabeth, fica longe dele. Fica longe dele e me responde, tu é uma policial né?- fala começando a ficar irritado.

-É...então...é que é meio que eu não trouxe minha arma né...- fala se afastando um pouco.

-Que show de bola que você não trouxe sua arma. Muito inteligente não é mesmo?- fala em tom de deboche.

-Caramba. A gente foi num café. Como que eu ia trazer minha arma num café?- fala ficando um pouco irritada.

-Eiii! Não use bons argumentos contra mim! Não use bons argumentos contra mim. Esse bicho vai tentar devorar a gente.

Ela abre a mala e vê que, por muita sorte, que tinha guardado de uma evidência de outro caso, uma faca que foi usada em um crime que já tinha sido resolvido.

-Esfaqueia- fala Daniel com convicção quando vê aquele objeto nas mãos de Liz.

-Onde eu esfaqueio ele?

-Na cabeça, pra garantir- Daniel vai para cima do corpo para segurá-lo.

O cadáver começa a mudar, ganhando uma forma mais monstruosa, enquanto começa a se mexer mais intensamente e começa a dar pequenos rosnados monstruosos.

Daniel consegue ver que a boca da criatura parecia estar sendo costurada pela própria carne e pelas veias que estavam pulsando anteriormente.

Os dedos estavam pontiagudos, formando garras. Não havia nada naquela monstruosidade que lembrasse que um dia aquilo tinha sido um ser humano.

Em um instante, o monstro tenta atacar seu pescoço, mas ele consegue segurar a garra no último instante, forçando-a para baixo e segurando firmemente no chão. Mas aquela não era uma tarefa fácil e Daniel não sabia por quanto conseguiria segurá-la.

A besta parecia ficar cada vez mais forte.

-Pelo amor de Deus! Onde...em qual lugar especificamente eu esfaqueio?- Elizabeth pergunta nervosa, se aproximando com a faca.

-NA CABEÇA! CABEÇA PELO AMOR DE DEUS!

-Tá bom!

Ela chega por trás da cabeça do bicho para atacar e ele vira a cabeça fazendo com que ela quase errasse, mas Daniel segura e a coloca de volta na posição anterior, fazendo com que Liz enfiasse a faca com tudo no olho da criatura.

Pela primeira vez ela sente que está realmente lutando contra uma criatura viva, em um termo completamente diferente do qual ela conhecia.

Assim que a faca é enterrada na cabeça do monstro, Daniel começa a fraquejar, e uma das garras se solta das mãos dele acertando em cheio sua costela. Ele consegue sentir os dedos perfurando a sua carne.

Naquele momento, tudo em que Daniel acreditava tinha sido desmentido. A vida inteira tinha acreditado que seres paranormais não passavam de lendas, e agora, além de estar cara a cara com uma criatura sobrenatural, ele tinha acabado ser atacado por uma.

Sua vida passa diante dos seus olhos e de repente ele cai na realidade, tendo em sua frente uma criatura grotesca e terrível, enfiando as unhas em sua costela, que agora começa a sangrar. Não era humano aquilo que estava enfiando algo dentro dele, e ele sente como se estivesse sendo envenenado pelo conceito de irracionalidade que não devia estar acontecendo.

Ele estava completamente transtornado com aquela situação. Prestes a sair fora de si.

Elizabeth ainda está segurando a faca que está no olho da besta. Ela retira e enfia novamente algumas vezes, mas ele ainda continua lutando. Ela vê que a garra continua enterrada na costela de Daniel. Parece que o monstro está tentando arrancar um pedaço dela.

Ela retira a faca do olho dele com toda a sua força, se preparando para tentar decepar a mão que está enfiada dentro dele.

Ela segura o pulso do bicho, passando a faca por ele. A carne é facilmente rasgada, quase como se fosse um salame. Os ossos da criatura pareciam ter sido desmanchados, se transformando em uma espécie de membrana que facilitou o corte.

Ao cortar a mão, o braço se abre, e ela aproveita o impulso para enfiar a faca com tudo na cabeça dele, na testa, bem acima do nariz.

A criatura dá mais alguns pequenos rosnados antes de desfalecer, voltando aos poucos à sua forma antiga e humana, do cadáver, mas agora com uma mão humana decepada e uma faca enfiada na testa.

Ela arranca a faca, agora cheia de sangue do bombeiro Jorge.

Daniel, sangrando, não consegue descrever o alívio que sentiu ao não ter mais aquela garra perfurando seu corpo. Era quase como ter um orgasmo invertido.

Ele ainda estava em choque, achando que poderia ter morrido naquele momento.

Elizabeth retira-o de cima do cadáver e pega da sua maleta alguns pedaços de gaze que tinha para emergências, estancando a ferida em seguida, segurando no lugar até que pare o sangramento. Depois pega uma fita durex, que era a única fita que tinha no momento, para prender os esparadrapos no lugar.

-Obrigado, obrigado, obrigado- Daniel fala quase sem fôlego.

A Ordem ParanormalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora