Fora da van agora, é possível ver que aquele grande prédio de escola está bem destruído, com traços que sugerem um incêndio. Ainda resta um pouco de fumaça saindo do lugar.
Elizabeth pega a maleta dela no carro, coloca as luvas cirúrgicas e caminha em direção à escola. Thiago puxa um cigarro do bolso, o acende e começa a fumar.
Os três seguem para dentro da escola. Parecia ser um prédio antigo que fora transformado em escola, mas a fachada era estilosa.
Ao olhar lá dentro, é possível ver que está bem destruída por causa do fogo, embora por fora não parecesse. Há vários pedaços de madeira e papéis carbonizados espalhados. Ao entrar, eles têm a visão do que restou da recepção.
O local aparentava estar vazio, mesmo sendo uma cena de crime. Os corredores estavam vazios, e o único som era um eco de uma voz que parecia vir do fim dos corredores.
Elizabeth começa a seguir na direção do eco e Thiago e Daniel a seguem. Eles viram à direita e seguem na direção dessa voz. Continuam reto e conseguem ver uma porta dupla no final de um corredor. Quando começam a se aproximar, percebem que o som dessa voz vinha de trás das portas. Acima, tem uma placa um pouco queimada, com a palavra "REFEITÓ", com o resto completamente queimado.
-Ah que beleza né, contaminando a cena do crime. É isso que a gente gosta- Elizabeth fala quando percebe que Thiago está fumando atrás dela.
-Com fumaça...-Daniel fala em seguida
-Ah... tava tranquilo...- Thiago começa.
-E cinzas né- completa Elizabeth o interrompendo.
-Já tá tudo em cinzas e em fumaça né. To acrescentando um 0,1% na cena do crime- e dá uma risadinha.
-Ah, tão tá. Então... divirta-se- fala Elizabeth- É... vocês querem entrar aqui comigo?- aponta para as portas atrás dela.
-Ãn... bora lá... vai entrar aí primeiro- Thiago indica as portas com a cabeça.
-Não senti muita confiança nesse bora lá- Elizabeth fala com ar divertido.
Enquanto os dois discutiam, Daniel percebe uma pequena camada de névoa na altura do dedão do pé, e sente que o ambiente parece estar mais frio do que deveria estar naquele dia. Ele se pergunta se a escola estava em funcionamento antes do incêndio ocorrer.
As portas ainda estão fechadas, e eles estão bem próximos a elas. É possível ouvir às vezes o eco da voz vindo de dentro.
Elizabeth olha para Daniel que se encontra ainda parado, observando e ponderando.
-É... Daniel, por que você tá aí parado? Cê tá pensando em alguma coisa?
-Eu tô analisando, e... eu percebi essa névoa. E... que o ambiente, a temperatura tá bem mais fria do que o normal.
-Sério? Eu não sinto nada de diferente- ela fala observando em volta.
-Ô Daniel, essa névoa aí. Cê acha que é do que cara?- o moreno fala tirando o cigarro da boca.
-Bom, eu acredito que essa névoa indica que a Membrana tá mais enfraquecida aqui. Como a gente tá numa escola, pode ser...muitas coisas. Pode ser uma lenda urbana que as crianças, ãn... decidiram investigar a fundo, ou ficaram com tanto medo que começaram a acreditar e... ela pode ter se tornado real. Não é a primeira vez que eu...- ele faz uma pausa, parecendo lembrar de algo- que eu veria isso acontecer.
-Rapai... Tão bora ver a origem dessa névoa aí cara? Tô curioso agora.
Antes de eles entrarem, Elizabeth dá uma olhada ao redor tentando encontrar algo útil para a investigação. Ela encontra vários livros e materiais escolares jogados por todos os lados, mas era o que ela esperaria ver de uma escola que pegou fogo.
Impulsivamente Thiago empurra a porta, agindo sob a influência da sua curiosidade, mas ela não se move. Então ele tenta puxá-la para trás a abrindo. Ele dá de cara com um emaranhado de fitas amarelas, do tipo que são usadas pelos policiais em cenas de crime.
Lá dentro é possível ver o refeitório da escola completamente destruído. Eles veem um policial, baixinho, de cabelo escuro e jaqueta de couro, caminhando nervoso enquanto mexe no celular. Tem um homem todo equipado com roupas de proteção e luvas que estava tirando fotos das evidências, mas não parecia estar afim de trabalhar. Há vários escombros, cadeiras e mesas jogadas para longe.
No meio do refeitório tem um corpo, duro, de um homem vestido de bombeiro.
Quando a porta é aberta, o homem que estava mexendo no celular levanta o olhar para eles e fala:
-Ei! Q-quem são vocês?
Eles se aproximam do homem e Liz chega mais perto, com o distintivo falso em uma das mãos, mostrando para ele.
-Isso aqui é uma cena de crime! O-oque?- ele olha o distintivo- Que isso? S-C...Que isso?
-Com licença aí meu senhor- fala ela tentando chamar a atenção dele.
-O que é S-C-I?- ele fala com uma ruga na testa, ainda analisando o distintivo de Liz.
-Então é...
-Vocês não podem entrar aqui..- ele a interrompe, agora olhando para eles.
-A gente é do Setor de Crimes Inabituais- ela explica- e... eu sou cientista forense. Eu queria dar uma olhada no corpo.
-Desde quando eles mandaram alguma equipe pra fazer...- ele parece extremamente confuso- quê que é Setor de Crimes Inabituais? Eu nunca ouvi falar disso...
-É... então meu querido, é o seguinte, eu sou especialista em analisar essa cena do crime e... a gente pode ter uma conversa agradável aqui se você me deixar dá uma analisada no corpo- ela aponta para o bombeiro no chão- Eu não vou tocar em nada. Eu só vou recolher algumas evidências e tirar umas fotos- segura a câmera pendurada no pescoço.
Ele pega o distintivo da sua mão. Ele olha para ele e fica desconfiado.
-O-ok- balança a cabeça e devolve para ela, que agradece. Ele pega o celular e dá uma olhada tentando achar alguma informação, confuso sobre o que está acontecendo, mas não parece se importar muito.
Liz sai de perto dele e vai em direção ao corpo.
Thiago se aproxima do policial, se apresentando simpaticamente:
-Pô! E aí meu querido? Beleza?- aperta a mão dele- Thiago Fritz, aqui do... Setor de Crimes Inabituais. Bom dia aí. Qual o seu nome mesmo meu querido?
-Eu? Eu sou Gonzalez-ele tem o olhar confuso- Mas eu achei que...eu achei que...eles não iam mandar ninguém pra...-ele suspira de alívio- ao menos alguém pra trabalhar comigo. Pelo amor de Deus...-fala passando a mão no rosto.
-Pô Gonzalez, pelo amor de Deus meu querido. Cê tá ligado que a galera não ia deixar cê trabalhando aqui sozinho né cara. Pô, a gente veio aqui te ajudar. Você que é um cara que tem muito ae...
-Cê não faz ideia...- Gonzalez fala com ar de cansado.
-Pô meu- Thiago balança a cabeça- Tô vendo aí que cê tá com umas olheiras embaixo do olho, tá complicado aí pai?
Gonzalez suspira e passa a mão no rosto.
-Só...-ele faz uma pausa- Só vamo tentar resolver isso logo- gesticula para o homem falecido no chão-Eu quero ir pra casa. Eu não aguento mais...
Thiago tenta abraçá-lo mas ele dá um pulo para trás e levanta as mãos na frente do corpo, na defensiva.
-Ow! Quê que isso?! Cê tá loco?!- fala transtornado.
-Pô mano! Ô! Foi mal. Calma aí. Calminha cara. Que cê tá muito estressado. Calma aí. A gente tem que ter aqui, a gente tem que estabelecer primeiro aqui, que a gente é uma equipe, aqui é uma galera. Todo mundo junto resolvendo em prol do bem maior.
-Pela primeira vez alguém manda uma equipe pra mim...
É bem visível que Gonzalez está muito estressado com tudo aquilo que está acontecendo.
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A Ordem Paranormal
Mistério / SuspenseO original RPG de mesa criado por Cellbit, mas adaptado para livro. Todas as descrições e edições presentes são de minha autoria, e todas as falas são originais dos episódios. Sinopse: Um pequeno grupo formado por três pessoas, com nada em comum, s...
