Capítulo 3

224 13 0
                                        

Fora da van agora, é possível ver que aquele grande prédio de escola está bem destruído, com traços que sugerem um incêndio. Ainda resta um pouco de fumaça saindo do lugar.

Elizabeth pega a maleta dela no carro, coloca as luvas cirúrgicas e caminha em direção à escola. Thiago puxa um cigarro do bolso, o acende e começa a fumar.

Os três seguem para dentro da escola. Parecia ser um prédio antigo que fora transformado em escola, mas a fachada era estilosa.

Ao olhar lá dentro, é possível ver que está bem destruída por causa do fogo, embora por fora não parecesse. Há vários pedaços de madeira e papéis carbonizados espalhados. Ao entrar, eles têm a visão do que restou da recepção.

O local aparentava estar vazio, mesmo sendo uma cena de crime. Os corredores estavam vazios, e o único som era um eco de uma voz que parecia vir do fim dos corredores.

Elizabeth começa a seguir na direção do eco e Thiago e Daniel a seguem. Eles viram à direita e seguem na direção dessa voz. Continuam reto e conseguem ver uma porta dupla no final de um corredor. Quando começam a se aproximar, percebem que o som dessa voz vinha de trás das portas. Acima, tem uma placa um pouco queimada, com a palavra "REFEITÓ", com o resto completamente queimado.

-Ah que beleza né, contaminando a cena do crime. É isso que a gente gosta- Elizabeth fala quando percebe que Thiago está fumando atrás dela.

-Com fumaça...-Daniel fala em seguida

-Ah... tava tranquilo...- Thiago começa.

-E cinzas né- completa Elizabeth o interrompendo.

-Já tá tudo em cinzas e em fumaça né. To acrescentando um 0,1% na cena do crime- e dá uma risadinha.

-Ah, tão tá. Então... divirta-se- fala Elizabeth- É... vocês querem entrar aqui comigo?- aponta para as portas atrás dela.

-Ãn... bora lá... vai entrar aí primeiro- Thiago indica as portas com a cabeça.

-Não senti muita confiança nesse bora lá- Elizabeth fala com ar divertido.

Enquanto os dois discutiam, Daniel percebe uma pequena camada de névoa na altura do dedão do pé, e sente que o ambiente parece estar mais frio do que deveria estar naquele dia. Ele se pergunta se a escola estava em funcionamento antes do incêndio ocorrer.

As portas ainda estão fechadas, e eles estão bem próximos a elas. É possível ouvir às vezes o eco da voz vindo de dentro.

Elizabeth olha para Daniel que se encontra ainda parado, observando e ponderando.

-É... Daniel, por que você tá aí parado? Cê tá pensando em alguma coisa?

-Eu tô analisando, e... eu percebi essa névoa. E... que o ambiente, a temperatura tá bem mais fria do que o normal.

-Sério? Eu não sinto nada de diferente- ela fala observando em volta.

-Ô Daniel, essa névoa aí. Cê acha que é do que cara?- o moreno fala tirando o cigarro da boca.

-Bom, eu acredito que essa névoa indica que a Membrana tá mais enfraquecida aqui. Como a gente tá numa escola, pode ser...muitas coisas. Pode ser uma lenda urbana que as crianças, ãn... decidiram investigar a fundo, ou ficaram com tanto medo que começaram a acreditar e... ela pode ter se tornado real. Não é a primeira vez que eu...- ele faz uma pausa, parecendo lembrar de algo- que eu veria isso acontecer.

-Rapai... Tão bora ver a origem dessa névoa aí cara? Tô curioso agora.

Antes de eles entrarem, Elizabeth dá uma olhada ao redor tentando encontrar algo útil para a investigação. Ela encontra vários livros e materiais escolares jogados por todos os lados, mas era o que ela esperaria ver de uma escola que pegou fogo.

Impulsivamente Thiago empurra a porta, agindo sob a influência da sua curiosidade, mas ela não se move. Então ele tenta puxá-la para trás a abrindo. Ele dá de cara com um emaranhado de fitas amarelas, do tipo que são usadas pelos policiais em cenas de crime.

Lá dentro é possível ver o refeitório da escola completamente destruído. Eles veem um policial, baixinho, de cabelo escuro e jaqueta de couro, caminhando nervoso enquanto mexe no celular. Tem um homem todo equipado com roupas de proteção e luvas que estava tirando fotos das evidências, mas não parecia estar afim de trabalhar. Há vários escombros, cadeiras e mesas jogadas para longe.

No meio do refeitório tem um corpo, duro, de um homem vestido de bombeiro.

Quando a porta é aberta, o homem que estava mexendo no celular levanta o olhar para eles e fala:

-Ei! Q-quem são vocês?

Eles se aproximam do homem e Liz chega mais perto, com o distintivo falso em uma das mãos, mostrando para ele.

-Isso aqui é uma cena de crime! O-oque?- ele olha o distintivo- Que isso? S-C...Que isso?

-Com licença aí meu senhor- fala ela tentando chamar a atenção dele.

-O que é S-C-I?- ele fala com uma ruga na testa, ainda analisando o distintivo de Liz.

-Então é...

-Vocês não podem entrar aqui..- ele a interrompe, agora olhando para eles.

-A gente é do Setor de Crimes Inabituais- ela explica- e... eu sou cientista forense. Eu queria dar uma olhada no corpo.

-Desde quando eles mandaram alguma equipe pra fazer...- ele parece extremamente confuso- quê que é Setor de Crimes Inabituais? Eu nunca ouvi falar disso...

-É... então meu querido, é o seguinte, eu sou especialista em analisar essa cena do crime e... a gente pode ter uma conversa agradável aqui se você me deixar dá uma analisada no corpo- ela aponta para o bombeiro no chão- Eu não vou tocar em nada. Eu só vou recolher algumas evidências e tirar umas fotos- segura a câmera pendurada no pescoço.

Ele pega o distintivo da sua mão. Ele olha para ele e fica desconfiado.

-O-ok- balança a cabeça e devolve para ela, que agradece. Ele pega o celular e dá uma olhada tentando achar alguma informação, confuso sobre o que está acontecendo, mas não parece se importar muito.

Liz sai de perto dele e vai em direção ao corpo.

Thiago se aproxima do policial, se apresentando simpaticamente:

-Pô! E aí meu querido? Beleza?- aperta a mão dele- Thiago Fritz, aqui do... Setor de Crimes Inabituais. Bom dia aí. Qual o seu nome mesmo meu querido?

-Eu? Eu sou Gonzalez-ele tem o olhar confuso- Mas eu achei que...eu achei que...eles não iam mandar ninguém pra...-ele suspira de alívio- ao menos alguém pra trabalhar comigo. Pelo amor de Deus...-fala passando a mão no rosto.

-Pô Gonzalez, pelo amor de Deus meu querido. Cê tá ligado que a galera não ia deixar cê trabalhando aqui sozinho né cara. Pô, a gente veio aqui te ajudar. Você que é um cara que tem muito ae...

-Cê não faz ideia...- Gonzalez fala com ar de cansado.

-Pô meu- Thiago balança a cabeça- Tô vendo aí que cê tá com umas olheiras embaixo do olho, tá complicado aí pai?

Gonzalez suspira e passa a mão no rosto.

-Só...-ele faz uma pausa- Só vamo tentar resolver isso logo- gesticula para o homem falecido no chão-Eu quero ir pra casa. Eu não aguento mais...

Thiago tenta abraçá-lo mas ele dá um pulo para trás e levanta as mãos na frente do corpo, na defensiva.

-Ow! Quê que isso?! Cê tá loco?!- fala transtornado.

-Pô mano! Ô! Foi mal. Calma aí. Calminha cara. Que cê tá muito estressado. Calma aí. A gente tem que ter aqui, a gente tem que estabelecer primeiro aqui, que a gente é uma equipe, aqui é uma galera. Todo mundo junto resolvendo em prol do bem maior.

-Pela primeira vez alguém manda uma equipe pra mim...

É bem visível que Gonzalez está muito estressado com tudo aquilo que está acontecendo.

A Ordem ParanormalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora