Capítulo 4

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Enquanto Gonzalez e Thiago conversam, Liz chega mais perto do corpo.

Era um homem vestido de bombeiro, e pelas rugas deveria de ter uns 50 anos. Era um pouco alto, aparentando ter mais ou menos 1,80 de altura. Seu cabelo era escuro mas tinha alguns fios grisalhos que apareciam por baixo do capacete dele.

Quando ela se aproxima, consegue ver detalhes um pouco mais perturbadores que chamam sua atenção rapidamente: no lugar dos olhos dele haviam dois grandes buracos e a mandíbula dele estava completamente aberta, mais do que um ser humano conseguiria abrir normalmente.

Ela pega a câmera com as duas mãos e tira uma foto do rosto e uma do corpo inteiro.

Daniel se afasta dos outros examinando as mesas, que estavam jogadas de uma forma estranha nos cantos do refeitório.

Enquanto isso, Thiago continua a conversa com Gonzalez.

-Quando...quando que a delegacia mandou vocês? Eu nunca ouvi falar desse... desse Setor de Crimes... o que?

-Não... é que é o seguinte cara, eles falaram pra gente que aqui seria um trabalho que poderia ser um pouco complicado pra só duas pessoas né...

-Mas o que é o Setor de cri...do...de...Eu nunca ouvi falar desse setor- ele parece confuso.

-Pô meu querido, daí já não é culpa nossa né pai...Mas é o seguinte, escuta, a gente aqui é do Setor de Crimes Inabituais. A gente vai aqui ajudar vocês. Pode continuar o trabalho de vocês que por sinal é muito bem feito...

-Qual o seu nome?

-Meu nome é Thiago, meu querido, e o seu? Fala aí de novo. Só pra eu anotar aqui no meu caderninho ó- e puxa um caderninho do bolso.

-Eu sou o Gonzalez- fala agora um pouco mais calmo.

-Pronto, perfeito. Só pra eu ouvir de novo, que cê tem um nome bonito cara- fala com um sorriso simpático no rosto- E qual o nome do seu amigo ali?- pergunta apontando para o outro homem.

-Aquele...- suspira um pouco irritado- Aquele é o Douglas- e coloca a mão no rosto.

-Douglas?- pergunta anotando o nome.

-É o único que eles mandam aqui pra trabalhar comigo- fala claramente incomodado- Mas se não mandasse, também dava na mesma- ele passa a mão no rosto enquanto murmura- Eu nem sei o que eu faço ainda nesse emprego...

-Não, tranquilidade. Gonzalez e Douglas. Parece até dupla sertaneja. Vocês trabalham bem juntos.

-Trabalha bem- fala com escárnio, e depois balança a cabeça sem acreditar naquela informação.

-Não, mas o que vocês tem de informação aqui...pra gente que acabou de chegar, que cê pode ajudar a gente aqui pra gente não perder tempo?

-Honestamente, não faz diferença.

-Claro que faz. Faz toda a diferença...

-É a primeira vez em...quantos meses que a delegacia manda qualquer tipo de equipe pra trabalhar comigo.

-Ah, então ao invés de reclamar cê devia ficar feliz pô.

-Eu quero ir pra casa logo... eu tô com muita coisa na minha cabeça... Tem... uma porra dum incêndio, que o corpo de bombeiros não quer nem vim analisar porque eles tão com medo do que aconteceu. Tem...ãn...a minha equipe...nunca quer trabalhar com qualquer coisa que seja um pouco estranha. Que diferença faz a gente tentar se esforçar de qualquer jeito?

-Ah... corpo de bombeiros tentou analisar pelo visto, ma deu um probleminha ali no chão né- ele aponta para o corpo- A gente tá querendo sabê quê que aconteceu aí meu querido. Cê tem alguma informação útil pra gente aí, ou como é que vai ser?

Thiago consegue perceber que durante essa conversa Gonzalez está claramente desinteressado. Ele parece estressado e Thiago deduz que ele pode estar com muitos problemas na vida dele. Mas enquanto eles conversam ele percebe que o policial começa a se sentir melhor, como se finalmente alguém estivesse interessado no que ele tivesse para falar.

Daniel chega perto deles e os interrompe depois de ouvir um pouco da conversa.

-Por quê que o corpo de bombeiros ficou com medo? O que que eles estão dizendo por aí? O que que eles acham que aconteceu aqui?

Gonzalez passa a mão no rosto.

-Pra ser honesto, nem eu sei direito. O outro bombeiro que encontrou ele aqui, durante a madrugada, continua insistindo que ele viu um fantasma. Ele continua insistindo sem parar que ele viu um fantasma. Ele tá em choque. Nin... a Isabela tá lá fora- aponta para a porta- lidando com ele pra ver se ele para de falar baboseira sem sentido. Mas ele tá completamente em choque, e... que porra...? Que tipo de... pessoa faz isso com...? O que causou...?- ele suspira e passa as mãos no rosto, estressado e depois resmunga algo incompreensível.

-Mas fantasma não existe cara- fala Daniel.

-O que?- Gonzalez tira a mão do rosto.

-Tô falando. Fantasma não existe.

-Eu sei que não. É óbvio que não.

-Por que tu tá estressado?

-Desculpa- fala mais calmo- é que eu tô com um...eu tenho problemas mais importantes...A minha mulher...é...- ele pega o celular- Me dá um segundo.

Liz aproveita aquele momento que ele parece distraído.

-Ow seu Gonzalez! Eu já fotografei o corpo aqui. Eu posso... mexer com ele?

-Me...Oi?- ele se vira um momento para olhar para ela- Mexer?

-Eu vou investigar aqui...- aponta para o defunto.

-Faz o que você quiser.

-Opa! Brigada.

Agora, analisando o corpo com um pouco mais de atenção, ela consegue ver que existem marcas de hematomas ao redor do pescoço que indicavam um possível estrangulamento.

Ela abre a maleta e pega um palitinho, do tipo que médicos usam para examinar a boca do paciente. Ela mexe nos buracos dos olhos e na boca do cadáver procurando algo de diferente que pudesse ser uma evidência ou que indicasse a causa da morte.

Examinando, ela percebe que os olhos parecem ter sido esmagados por alguma coisa, e que a boca tem várias feridas em volta dela, além da sua desumana abertura.

Mexendo nela, ela encontra alguns fios de cabelo longos e negros. Ela coleta esses fios, achando aquilo muito incomum.

Ela desce o olhar até uma das mãos que está fechada e parece estar segurando algo.

Liz tenta abri-la usando as próprias mãos. Abrindo, ela encontra um pedaço de tecido branco, então pega um saquinho e coleta aquela evidência, vedando-o com cuidado.

Ela procura por mais alguma coisa no corpo, como sinais de violência, mas não encontra nada, apenas observa que ele está gelado e branco. Nada atípico de um cadáver.

Olhando bem para aquele homem, ela consegue ter impressão de que ele está fazendo a expressão da tela O Grito- de Van Gogh, com a boca totalmente aberta, como se estivesse completamente horrorizado. Mas talvez fosse apenas por causa daquelas feridas.

Aquela imagem era extremamente forte, até para ela que já tinha visto diversos corpos e assassinatos antes.

Aquela era a cena mais horripilante que já tinha visto na vida. Ao olhar para o rosto, ela não se sentia nada bem.
Pegando as fotos que tirou e as evidências coletadas, ela sai dali e não interage mais com o corpo, começando a procurar por mais evidências pelo refeitório.

A Ordem ParanormalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora