Capítulo Oito

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- Me desculpe por ontem a tarde. - ele disse estendendo o copo, que aceitei já que estava explodindo de dor de cabeça depois de ter chorado toda a água do meu corpo.
- Tudo bem - eu disse depois de dar uma golada no café preto sem açúcar - Lee me contou sobre o seu modo de operar. - dei de ombros e continuei tomando o café.
- Meu modo? - ele disse dando um meio sorriso sem entender.
- O fim justifica os meios... - disse dando de ombros novamente, e ele pareceu ficar perturbado com o que eu disse.
- O que eles fizeram com seu irmão? - ele perguntou preocupado com o que eu responderia.
- Eu... não sei - disse me controlando pra não voltar a chorar - Um dia, papai saiu pra trabalhar e deixou, Daniel e eu em casa treinando. Dani disse que ia até o quarto buscar seu celular, mas ele não voltou. Eu subi pra ver o que estava acontecendo, e encontrei dois caras armados o ameaçando, que assim que me viram, pegaram meu irmão de refém - T.K parecia chocado com o que estava ouvindo - Dani disse que, não deveria me preocupar com ele, que ele ficaria bem. Mas então papai chegou, os caras se assustaram e atiraram nele. Papai caiu desacordado, e eles saíram correndo com Dani. Lembro que um deles se virou pra mim e disse:
- Isso é sua culpa garota! Você nunca terá sua família de volta, enquanto respirar.
Nunca soube o que fizeram com Dani, e quando a ambulância chegou, papai já estava morto.

Pude ver os olhos de T.K ficarem sombrios.

- Eu não... - ele disse nervoso - Eu não fazia ideia.
- Ninguém faz. - sorri sarcasticamente - Mas decidi que vou ajudar você. - disse mudando de assunto e percebi sua surpresa.
- Por que? - ele disse desconfiado.
- Porque a idiota aqui, acabou de perceber que foi o governo que levou meu irmão.


Assim que T.K disse que eu havia acordado, as garotas praticamente voaram pra dentro do meu quarto.

- Você está melhor? - disse V.K se sentando ao meu lado na cama.
- V.K nos disse o que o irmão dela fez... - disse Down revirando os olhos.
- Ele realmente é um imbecil. - completou Cassuelo, o que me fez rir.
- Então ela já está até sorrindo. - disse Eve parecendo contente.
- Veste! - disse Cassuelo jogando um conjunto de moletom preto limpo.
- Eu tô com tanta preguiça... - disse jogando minha cara no travesseiro.
- Preguiça nada! - disse Eve me puxando - Hoje nós todas vamos no estande de tiro da Cass.
- Como é que é?






E aqui estou eu.
Com fones gigantes nas orelhas, e uma AK47 nas mãos.

- Isso é mesmo necessário? - implorei para Cassuelo que estava completamente extasiada com as garotas treinando.
- Vai ser legal, Alexis. - ela disse me entregando munição - É bom pra aliviar o estresse.

E lá fui eu.
Pra dizer a verdade, foi divertido.
As garotas quase sempre erravam o alvo.
As únicas que acertaram a maioria das vezes foram: Down, Eve e eu.
A Cass teve que ficar o tempo todo ajudando Lee e V.K com a mira e o coice das armas.

- A V.K é muito cega! - disse Eve rindo.
- Você me respeita, tá! Eu não cresci com uma arma na mão! - ela parecia irritada mas não com a amiga, e sim por ser tão ruim com armamento pesado.
- Vocês pelo menos não vão ficar com hematomas... - disse Lee passando a mão sobre o ombro que provavelmente ficaria roxo.

Depois de ajudarmos Cassuelo com o equipamento, nos dirigimos ao vestiário.
Mas no caminho encontramos T.K e alguns caras conversando no corredor.
Tive impressão de ver T.K me olhando, mas assim que viu que eu havia percebido, desviou o olhar.

- Down... - disse um moreno alto cumprimentando a garota de cabelo azul.
- Hank... - ela disse e então olhamos umas pras outras.
- Down tá pegando o Hank! - gritamos em coro quando adentramos o vestiário.
- Calem a boca! - ela disse fingindo estar irritada, mas sorriu logo em seguida confirmando nossa desconfiança.

A manhã com as garotas foi incrível!
Elas eram muito engraçadas, e faziam tudo aquilo soar menos terrível.

American HackerOnde histórias criam vida. Descubra agora