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Esperei a sala esvaziar antes de me aproximar do Prof. Doug com meu desenho da maçã. Deixei sobre a mesa dele e caminhei para a saída.

— Espere! Tenho que falar com você... Vitória, certo?

— Sim. — Respondi levemente surpresa com aquela abordagem inesperada.

Ele olhou para mim inexpressivo balançando a cabeça.

— O que está fazendo aqui? — Ele perguntou.

Meu rosto deve ter assumido uma expressão de completa confusão porque ele logo tratou de se explicar:

— Você não deveria estar fazendo algum curso de desenho avançado? — perguntou levantando de súbito e quase me causando um ataque cardíaco, ele se sentou na mesa. — Por exemplo, esta maçã. — Ele apontou para o meu desenho.

— Sim?

Um sorriso se infiltrou no rosto dele. Ele saltou da mesa, o que me deu mais palpitações, e então pegou alguns outros desenhos, abriu espaço sobre a mesa e colocou mais três ou quatro.

— Percebe alguma coisa?

Fitei-os por um instante tentando pescar algo além de simples desenhos de maçãs.

Prof. Doug franziu a testa.

— Não consegue ver a diferença?

Eu conseguia. Quero dizer, o meu era… abrangente. Assim como todos os outros, eu havia desenhado a maçã. E então me dei conta.

— Ah, você queria só a maçã?

Prof. Doug deixou a cabeça cair para trás e gargalhou.

— Pensei que você queria que desenhássemos o banco e a mesa também.

Prof. Doug deu um tapa na própria testa.

— Meu Deus, ela é uma excelente desenhista e nem sabe disso!

Meus olhos baixaram para os desenhos. Comparei o meu com os outros de novo. Era melhor. Parecia mais realista. Eu havia feito alguns desenhos por conta própria ao longo dos anos, só como passatempo, retratando animais e pessoas. Era o que me fazia relaxar em momentos de ansiedade. Mas nunca pensei em mim como uma "excelente desenhista".

Prof. Doug observou mais uma vez meu desenho e me falou:

— Vitória, você deveria considerar se juntar a alunos com o mesmo telento que o seu, ter contato com pessoas que estão mais avançadas em desenho. Aqui você não vai ter nada além das aulas de arte de nível básico. Talvez você deva ir para o Grupo de Artes Cênicas & Visuais da escola. Alunos telentosos como você vão para lá.

Ponderei sobre a proposta. Não por muito tempo. Me visualizei chegando na turma para alunos talentosos. Uma amadora. E se fosse necessária uma audição? E se eu não me saísse bem? E se rissem de mim? E se...? Minha ansiedade começou a gritar muito alto só por imaginar aquele cenário e eu não estava preparada para as futuras críticas.

— Vou ficar só nessa turma, professor. Eu preciso saber o básico. Com certeza vou aprender alguma coisa. Além disso, eu já estou acostumada.

Ele pegou meu desenho e me mostrou mais uma vez.

— Tem certeza? — Olhando assim ele parecia realmente muito bom. — Escuta, Vitória, eu sei do que estou falando. Você pode não saber ainda, mas tem muito talento! Por favor, considere a grupo de artes. Faça isso pela arte. Por favor.

Mais uma vez olhei para o desenho nas mãos de Prof. Doug e depois para ele. Como eu odiava não ser capaz de decepcionar qualquer pessoa, decidi por um:

Quando o Amor Acontece...Onde histórias criam vida. Descubra agora