Marcella estava com a caneta entre os dedos, com o caderno aberto a sua frente e metade de uma folha escrita onde dissertava sobre termologia. Mas seus olhos, esses estavam no celular. Estavam fixos nele. Ela esperava uma mensagem de Bianca.
Desde a manhã daquele dia a morena não tinha dado notícia, e Marcella estava começando a se preocupar. Porém, por baixo de sua preocupação com Bianca, em uma camada profunda que ela tentava cobrir a todo custo, havia algo mais que prendia seus olhos ao aparelho: Vitória.
Depois que saiu da sala naquela manhã, Marcella se repreendeu por ter dado seu número a garota. Foi um impulso. Um erro. Mas já estava feito. Agora dependia de Vitória. Como ela teria reagido? O que faria com seu número? O que ela estaria pensando? Marcella tentava se convencer que a garota simplesmente deduziria que a líder do grupo de artes lhe tinha dado seu número por cordialidade. Era melhor que ela pensasse assim. Mas, e se Vitória conseguisse adivinhar sua real intensão por trás daquele ato? E se ela...
— Você não está querendo estudar hoje, não é?
Marcella tirou os olhos do celular e olhou para Rayanne. A jovem de cabelos castanhos lhe olhava com um misto de curiosidade e incômodo.
— Nós devíamos estar estudando, mas você não tira os olhos do celular. — O incômodo agora estava refletido em sua voz.
— É, eu sei. Desculpa, é que estou preocupada com a Bianca. Não consegui falar com ela o dia todo.
— Ah, Marcella, sério? Você está mesmo atrasando nosso trabalho por causa da Bianca? Parece que você não sabe como ela é. Aposto que está se pegando com alguém por aí. Uma hora ela aparece. — disse Rayanne revirando os olhos e voltando a escrever. — Você devia continuar, nós temos um prazo pra entregar esse trabalho.
Marcella ficou olhando para Rayanne por um minuto inteiro esperando que ela risse e disesse que estava apenas brincando. Mas ela não fez isso.
— Você está falando sério? — Marcella perguntou incrédula. — Nossa amiga está desaparecida e você está preocupada com a droga de um trabalho?
— Que exagero, Marcella! A Bianca é...
— É minha melhor amiga! E ela não responde minhas mensagens, e não foi pra escola hoje. E você está tentando minimizar. Quer saber? É melhor eu ir pra casa. — disse irritada, levantando.
— NÃO! — Rayanne a pegou pelo braço a mantendo no lugar. — Me desculpa. Eu só... Vamos ligar pra mãe dela, então. Quem sabe ela...
O toque do celular de Marcella interrompeu o que Rayanne tinha a dizer. Ela pegou rapidamente.
— Alô?
— "Oi, Ma. Sou eu, Bia. Você me ligou muitas vezes, o que houve? Está tudo bem com você? Algum problema?"
— O que houve? — O coração de Marcella estava aliviado em ouvir a voz da amiga, mas o pouco caso dela a irritou. — Bianca, você sumiu o dia todo! Onde estava? Por que não atendeu o celular?
— "Calma, Ma. Eu só estava... Ah, droga. Não posso dizer assim, do nada. É meio complicado."
— Está tudo bem? — Rayanne perguntou apreensiva.
— "É a voz da Ray. Marcella, você tá com a Rayanne!?"
— Por favor, Bia, não começa. — Marcella repreendeu a amiga, Bianca riu baixinho do outro lado da linha mas não comentou nada. — Tenho que desligar agora. Depois nos falamos.
Marcella pôs o celular sobre a mesa novamente e pegou a caneta enquanto Rayanne ficou esperando que ela falasse algo. Mas ela ficou em silêncio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Quando o Amor Acontece...
RomanceDepois de anos estudando em um colégio militar, Vitória começa a estudar em uma escola de ensino regular. Lá ela conhece Marcella, que vai ajuda-la a descobrir uma nova forma de amor AU
