— Mesmo? — perguntei, surpresa, para minha mãe.
— Sim, era um tumor enorme! — minha mãe disse, animada.
Estava em casa, e minha mãe preparava o jantar enquanto contava sobre seu dia de plantão. Depois do beijo, simplesmente olhei para Billie, sorri e saí do banheiro como se nada tivesse acontecido. Voltei para a mesa e comecei a comer. Cerca de cinco minutos depois, ela apareceu e se sentou também. Enquanto conversávamos, recebi uma ligação da minha mãe e precisei voltar para casa. Agora, aqui estamos, rindo e conversando como não fazíamos há um bom tempo.
— Emma, querida, pode colocar a mesa para nós? — minha mãe pediu.
— Claro — respondi, pegando os pratos e levando-os para a mesa de jantar. Enquanto eu os arrumava, minha mãe apareceu com uma vasilha de salada.
— Então, como está o Jacob? — perguntou. — Soube que ele já voltou de Los Angeles. Achei estranho ele não ter vindo aqui assim que chegou.
— É porque eu fui para a festa no mesmo dia em que ele estava voltando, lembra? — sorri. — E ele não pôde ir. Então, nos vimos na escola, e, assim que a aula terminou, ele foi para o treino.
— Nossa, eu tinha esquecido completamente da festa — ela fez uma careta. — Falando nisso, como foi? — perguntou, me observando.
— Foi legal, me diverti bastante — sorri, lembrando dos acontecimentos.
— Encontrou alguém especial por lá? — perguntou de forma divertida, e imediatamente pensei em Billie.
— Mãe, eu namoro o Jacob, lembra? — respondi.
— Emma, você acha mesmo que vocês vão durar? — ela ergueu uma sobrancelha.
— Já não estamos durando? Quero dizer, estamos juntos há dois anos — disse, óbvia.
— Dois anos, e ainda acho que você não o ama — comentou com desdém, me fazendo erguer a sobrancelha.
— Por que acha isso?
— Porque, filha, você não tem aquele brilho no olhar quando está com ele.
A encarei, pensativa.
— Vamos mudar de assunto, sim? — falei, colocando o último copo na mesa.
Assim que terminamos de organizar a mesa, meu pai chegou, nos cumprimentou e começamos a jantar.
— E então, filha, como foi seu primeiro dia? — meu pai perguntou.
— Foi legal. Hoje anunciamos o Festival das Luzes na escola, e agora precisamos encontrar um cantor para se apresentar — falei, frustrada.
— Vocês vão encontrar quando menos esperarem — ele sorriu, me tranquilizando, e retribuí o sorriso.
— Assim espero — murmurei.
O resto do jantar foi recheado de sorrisos e das piadas do meu pai. Eu os admirava muito. Apesar da vida corrida que levavam, sempre faziam questão de termos um momento juntos em família, por menor que fosse.
Assim que terminamos de comer, ajudei minha mãe a retirar a mesa e subi para o meu quarto. Tomei um banho quente e demorado. Ao sair do banheiro, me sequei, coloquei o pijama e deitei na cama. Foi quando senti meu celular vibrar na escrivaninha.
Número desconhecido
Para alguém que estava assustada por beijar uma garota, estou admirada com sua atitude 😉
Me:
Billie?
Número desconhecido:
Sim, olhos de avelã.
Me:
Olhos de avelã?
De qualquer forma, isso não vai acontecer novamente. Foi só um deslize.
Ocean Eyes:
Sério mesmo? Bom, vou aguardar ansiosamente por um segundo deslize.
Me peguei sorrindo ao ler a mensagem. Quando estava prestes a responder, ouvi batidas na porta do meu quarto. A cabeça do meu pai apareceu pela fresta. Sorri para ele, que entrou e se sentou na cama. Fiz o mesmo.
— Só vim te desejar boa noite, filha, e dizer que estou orgulhoso de você — disse, sorrindo.
— Orgulhoso de mim? Mas eu nem fiz nada… — abaixei a cabeça, sem graça.
— Ah, não fez? Está organizando um festival! E, por mais que o ano só tenha começado, sei que ele vai ser incrível.
Levantei a cabeça para encará-lo, e ele fez um carinho na minha bochecha.
— Acha que vou conseguir dar conta, pai? — suspirei. — Tenho medo de me sobrecarregar e que tudo aconteça de novo…
— Ei, isso não vai acontecer. Você não está sozinha, e, por mais que ser presidente do grêmio estudantil seja uma grande responsabilidade, sei que você vai dar conta.
Ele sorriu, amigável.
— Obrigada, pai — sorri, sentindo lágrimas se formarem nos olhos, e o abracei.
— Não precisa agradecer, macaquinha. Eu acredito em você. Agora, descanse. Amanhã tem aula, mocinha — ele disse, soltando-me e sorrindo.
— Sim, senhor — brinquei, me ajeitando na cama.
Meu pai me cobriu, beijou o topo da minha cabeça e desligou o abajur.
— Boa noite, macaquinha — disse, levantando-se e caminhando até a porta.
— Boa noite, pai — sorri, vendo-o sair do quarto e fechar a porta.
Meu pai sempre foi muito protetor comigo. Me dava conselhos e ficava bravo quando eu fazia algo errado. Eu amava quando ele estava em casa, pois sempre trazia suas brincadeiras, como guerras de bexiga d’água. Fazíamos tudo juntos. Ele era meu melhor amigo e meu herói.
Sorri comigo mesma antes de, finalmente, me entregar ao sono.
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Ocean Eyes
FanfictionEmma é uma garota amável, divertida, inteligente, cheia de amigos e popular da escola, em uma certa noite vai para uma festa de despedida do verão, afinal seu último ano iria começar, o que a Emma não contava, era que um par de olhos de oceano iria...
