Um olhar do paraíso

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Cochichos e caras de pena eram exatamente o que eu estava evitando durante os dois dias em que fiquei em casa. Meus pais até tentaram me convencer a ficar mais um dia, mas já estava na hora de voltar. Eu precisava ocupar minha mente de alguma forma.

Nesses dois dias, Billie ficou comigo o tempo todo. Assistimos a séries, filmes e brigamos por causa da pipoca. No final do dia, acabávamos dormindo uma sobre a outra no sofá até meus pais chegarem. Eles insistiam para que ela dormisse lá em casa, mas Billie sempre dizia que tinha algo para fazer no dia seguinte, prometendo voltar assim que terminasse seu compromisso.

Agora, eu estava no carro do meu pai, em frente à escola, observando os alunos entrarem e me preparando psicologicamente para o que estava por vir.

— Sabe que não precisava vir hoje, macaquinha — meu pai disse, me olhando preocupado.

— Uma hora eu teria que voltar, certo? — dei um meio sorriso.

— De qualquer forma, não precisava ser hoje, filha — suspirei e encarei a escola novamente.

— Hoje volta a reunião do grêmio, e eu preciso estar lá. Além disso, tenho um festival para organizar e... — olhei para ele — Vai dar tudo certo, pai.

— Caso não esteja se sentindo bem, não hesite em me ligar, ok? — balancei a cabeça, confirmando.

— Tchau, papa — disse, dando um beijo em sua bochecha.

— Até mais, macaquinha — ele respondeu, e então saí do carro, indo em direção à entrada da escola.

Assim que entrei, como já esperado, vários olhares se voltaram para mim. Suspirei e continuei meu caminho até o armário, abrindo-o para pegar o que precisava para a próxima aula. Antes de fechá-lo, dei de cara com uma foto minha e de Elle, sorrindo no dia da excursão da escola no ano passado. Senti meus olhos se enchendo de lágrimas e fechei o armário rapidamente para evitar um colapso ali mesmo. Ao me virar, dei de cara com Jacob, que me encarava com uma expressão séria.

— É bom ver você, Emma — ele disse, sério.

— O que você quer, Jacob? — perguntei, já me preparando psicologicamente para uma discussão.

— É assim que fala com seu namorado? Você nem deu notícias! — ri, sem humor.

— Você só pode estar brincando, né? Nem sequer procurou saber se eu estava bem. Não mandou uma mensagem, não foi até minha casa, e agora quer cobrar a forma como eu falo com você? — balancei a cabeça, indignada.

— Você não precisou de mim, esteve o tempo todo com sua querida amiga! — apontou o dedo para mim. — Eu estive no enterro, e você ao menos me olhou!

— Você está se ouvindo? Eu estava no enterro da minha melhor amiga! Acha mesmo que eu tinha condições de ficar observando quem estava lá ou não? Me poupe, Jacob! — senti algumas lágrimas escorrendo e tratei logo de limpá-las. — Eu vou para a aula, que é o melhor a se fazer.

Olhei em volta e percebi que um grupo de pessoas observava a discussão.

— O show acabou! — disse, saindo dali sem olhar para Jacob.

(...)

Já sentada na sala do grêmio, rabiscava distraidamente meu caderno, sem vontade alguma de estar ali. Depois do episódio com Jacob mais cedo, eu o evitei. Não estava com paciência para as cobranças dele — nem para ele mesmo.

Mas uma coisa me incomodava até hoje: o que eu vi no ginásio naquele dia. O que aconteceu para ele e Mônica estarem discutindo sobre a Elle? Por que Brandon parecia tão estranho no hospital? O que realmente aconteceu naquela noite? Minha cabeça estava cheia de perguntas, tentando juntar as peças, mas havia algo que simplesmente não se encaixava.

Ocean EyesOnde histórias criam vida. Descubra agora