Descobertas

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Eu andava de um lado para o outro. Fazia tempo que não me sentia nervosa. Quer dizer, fiquei assim uma vez, quando falei para os meus pais sobre o meu primeiro namorado e, por incrível que pareça, eles super apoiaram.

Já se passaram das cinco da tarde desde que mandei a mensagem para Brandon. Eu nunca entendi por que ele havia mudado comigo. Então, nos afastamos completamente. Mas ele era a única pessoa que podia me ajudar naquele momento.

Ouço a campainha tocar e corro até a porta para abri-la. Assim que faço isso, dou de cara com Brandon. Ele estava tão diferente... Estava um pouco mais magro, sua aparência parecia cansada, com olhos um tanto fundos e olheiras roxas. Fico me perguntando o que aconteceu para ele chegar nesse nível.

— Err... — forcei uma tosse. — Obrigada por ter vindo.

— O que aconteceu? — foi direto.

— Preciso de ajuda, e você é o único que pode me ajudar — disse, sincera. — Entre. — Dei passagem para ele, e ele entrou.

— Manda. — Ele se sentou no sofá e me encarou.

— Você me conhece desde pequena, sabe o quão difícil é para mim aceitar novas situações e... — suspirei.

— Eu sempre te ajudei nisso — ele completou, e eu assenti com a cabeça. — Emma, não sei o que está acontecendo e muito menos o que está se passando na sua cabeça, mas você precisa enfrentar o que quer que seja de cabeça erguida — suspirou. — As coisas na vida não são fáceis, mas se aparecer um obstáculo, você tem que enfrentá-lo por si só.

Começo a notar que Brandon está inquieto. Sua perna direita se mexia freneticamente, e ele passava as mãos na calça a cada cinco minutos. Estranhei aquele comportamento vindo dele, pois ele nunca ficou assim antes, a não ser que...

— Brandon, tá tudo bem com você? — Por favor, que não seja o que estou pensando.

— Por que a pergunta? — foi direto.

— Você está agindo... bom, meio estranho. — Reparo que sua pupila está dilatada.

— Está tudo bem, Emma — fala, se levantando. — Preciso ir agora. — Ele vai em direção à porta.

— Brandon, espera! — Segurei seu braço. Ele se virou para me fitar, e eu olhei em seus olhos. — Por que está distante? Por que mudou comigo? Sinto sua falta... — abaixei a cabeça.

— Me desculpe, Emma, mas assim é melhor — ele se soltou.

Sinto uma lágrima escorrer dos meus olhos. Fico me perguntando o que aconteceu com Brandon, por que ele mudou comigo, por que está tão diferente da pessoa que eu conheci. Suspiro, limpo as lágrimas que teimam em cair e vou até a porta para fechá-la. Assim que chego em frente a ela, vejo Brandon sentado na pequena escada. Vou até lá, me sento ao seu lado e começo a encarar os carros que passam.

— Me desculpe por estar agindo assim — ele quebra o silêncio. — Mas há coisas acontecendo que você nem imagina. — Olho para ele.

— Que coisas? — Ergo minhas sobrancelhas.

— Elle... — Ele me olha.

— Brandon, o que tem a Elle? — Ele se levanta, e mais uma vez seguro seu braço, dessa vez com força. — Me fala, Brandon! O que tem a Elle?

— O acidente dela não foi acidental, Emma — soltou de uma vez. — Ele foi causado por ela ter visto demais. — Ele se solta e sai andando. Dessa vez, fui atrás.

— BRANDON! — gritei. — Me conta o que aconteceu agora! — Minha garganta estava se fechando, o soluço entalado. A sensação de que Elle poderia estar viva me deixava tão mal que senti ódio de quem fez isso com ela.

Ocean EyesOnde histórias criam vida. Descubra agora