O acidente

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Já se sentiu como se uma parte de você fosse arrancada sem a sua permissão? Era exatamente assim que eu me sentia. Minhas mãos estavam trêmulas, meu coração acelerado e a dor… eu sentia muita dor.

Quando minha mãe me ligou, eu esperava que ela dissesse que era algum tipo de piada ou trollagem, mas tudo o que ouvi foi:

— Vamos fazer o melhor para salvar ela.

Depois disso, tudo ficou escuro. Quando acordei, vi uma Billie apavorada, um Finneas com expressão preocupada, uma Maggie tentando falar algo comigo e um Patrick pedindo calma. Tudo parecia em câmera lenta: suas expressões, suas falas… e eu só tentava acreditar que era um sonho. Mas, para minha sorte, não era.

— Emma, querida, consegue me ouvir? — Maggie perguntou. Eu apenas a olhei, sem dizer nada.

— Billie, ela acordou! — ouvi Finneas dizer, e, em menos de um minuto, uma Billie apavorada apareceu no meu campo de visão.

Eu me sentei e a olhei.

— Ei, tá tudo bem? O que aconteceu? — ela perguntou preocupada. — Emma, diz algo!

E, nesse momento, eu não aguentei mais. Agarrei seu pescoço e comecei a chorar, tentando aliviar toda a dor que sentia. Eu queria que tudo aquilo fosse só um sonho ruim, que aquele pesadelo acabasse, que aquela angústia fosse embora. Chorei até que o ar me faltasse e os soluços tomassem conta.

Quanto mais eu chorava, mais Billie me apertava forte. Ela alisava minhas costas, beijava minha cabeça e dizia palavras reconfortantes.

— E-eu n-não quero que e-ela morra, Bil… — disse entre soluços.

— Ei, se acalme — Billie me soltou e me olhou nos olhos. Seu olhar era preocupado. — O que aconteceu?

— A Elle… — falei, ainda chorando. — Ela sofreu um acidente de carro e está em estado grave.

Billie olhou para os pais e para Finneas com uma expressão ainda mais preocupada. Eu me levantei e comecei a andar em direção à porta, mas Billie me impediu.

— Ei, onde você vai? — perguntou, me segurando.

— Preciso ir ao hospital, preciso ver a Elle — falei, enxugando os olhos.

Eu estava angustiada. Tudo o que queria era ir para o hospital e ver se ela ficaria bem. Elle era minha melhor amiga, minha irmã. Fazíamos tudo juntas e doía não poder fazer nada para ajudá-la. Eu tentei me soltar de Billie, mas, naquele momento, não tinha forças para nada além de ceder.

— Não vou deixar você ir assim, Emma. Primeiro, se acalme e tome um banho. Não vai adiantar você chegar lá desse jeito. Elle não iria gostar de te ver assim! — Billie disse, em tom autoritário. — E eu irei com você.

Ela suspirou, colocou a mão no meu rosto e fez um pequeno carinho. Suspirei e assenti com a cabeça.

Ficar calma não deu muito certo. Eu estava tão aflita para ir ao hospital que apenas fingi que me acalmei. Tomei banho entre choros, tentando ao máximo não chorar alto. Assim que terminei, saí da banheira, me sequei e coloquei uma roupa que Billie havia separado para mim. Quando saí do banheiro e entrei no quarto, vi que Billie falava ao celular.

— Zoe, depois te ligo — ela disse assim que notou minha presença e desligou. Veio até mim, se agachou na minha frente e segurou minha mão. — Ei, está pronta?

Não disse nada, apenas assenti.

— Certo, então vamos.

Ela se levantou e me ajudou a ficar de pé. Fomos até a garagem, onde ela destravou o carro e me ajudou a entrar. Em seguida, entrou também, ligou o veículo e deu a partida. No caminho, não falamos absolutamente nada. Apenas encostei a cabeça no vidro, olhando para o lado de fora, deixando as lembranças virem.

Ocean EyesOnde histórias criam vida. Descubra agora