[N/A] Me desculpem pela demora pra postar um novo capítulo, eu tenho tantos planos com essa história que as vzs nem sei por onde começar, mas eu finalmente comecei. Pra me desculpar preparei esse capítulo com 3000 mil palavras que deu muitooo trabalho, mas que eu amei escrever cada palavra. Se preparem porque esse capítulo é tenso e a história só vai melhorar com tudo que eu tenho planejado. Se gostarem, pfvr, me deixem saber!
Morrone estaciona o carro rapidamente, desce com pressa e abre minha porta, segura meu braço com força e me arrasta enquanto reclamo ao seu lado. Ele está vermelho, as veias saltadas e os nós de seus dedos estão brancos de tanta força que faz. Seus empregados param para presenciar a cena, mas assim que Morrone olha para um deles, todos fingem que tem algo melhor a fazer.
Michele me arrasta escadas acima, em total silêncio e me joga na cama de seu imenso quarto, que parece mais a suíte Presidencial de um hotel de luxo. Todo ar que eu estava segurando sem saber é solto em uma única lufada de ar, um misto de surpresa, tesão e medo me dominam e me fazem tremer da cabeça aos pés. O que ele vai fazer comigo?
Morrone chaveia a porta e se vira lentamente, seus olhos negros encontram os meus e faíscas são soltas, estamos conectados de alguma forma que eu não sei descrever. Ele desabotoa a camisa enquanto caminha em minha direção, a joga no chão, tira os sapatos, as meias e seu cinto, a lentidão me mata um pouco mais.
- Eu vou te dar uma lição para você entender de uma vez por todas… - Ele me segura e me vira com força, como se eu fosse uma boneca de pano, levanta meu vestido calmamente até revelar minha calcinha de renda branca, então acaricia minhas nádegas levemente. - Que enquanto você estiver aqui, você é minha. - Sua voz rouca e irritadiça me arrepia e antes que eu possa processar qualquer coisa, ele me dá um tapa com toda sua força.
Eu grito de surpresa e de dor, tento escapar, mas ele me segura mais forte.
- Você não vai a lugar algum até eu terminar com você. - Engulo a seco e me seguro nos lençóis da cama.
Morrone acerta outro tapa forte, massageia e da outro e repete até que eu esteja cansada e dolorida demais para gritar, quando dou por mim há lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas e uma sensação ruim no meu peito. Michele me vira abruptamente quando termina, mas para quando seus olhos encontram os meus. Tudo para.
- Porque você está chorando? - Sua voz sai baixa com um tom de surpresa, ele não entende ou não está acostumado com isso.
- Não é nada. - Digo, mas fico envergonhada quando minha voz sai embargada, não estou acostumada a chorar na frente de outras pessoas e muito menos a elas me perguntarem o porquê. Tento levantar da cama em vão, pois Michele segura meu braço.
- Foi porque eu te bati? - Ele continua com sua postura dominadora, sério e contido, mas há algo em seus olhos que eu não havia percebido antes.
- Eu já apanhei outras vezes, não sei porque isso aconteceu. - Ele entende rapidamente e me solta, da dois passos para trás.
Mentir para ele não me faz sentir melhor ou mais confiante como geralmente faz, me sinto mais pesada e o ar fica ainda mais tenso. Eu já apanhei antes, por motivos parecidos, mas em outros contextos, por isso eu sei exatamente porque eu chorei. Aquela noite nunca saiu da minha cabeça, eu a empurro constantemente para o fundo da minha da minha mente, mas ela sempre volta a superfície, mais forte, mais clara e mais amarga.
Passo as mãos pelos meus braços, me sinto suja como me senti naquela noite, me sinto usada, me sinto um objeto descartável. É patético estar assim na frente de Morrone, não sou paga para ter sentimentos ou traumas, sou paga para ser seu brinquedinho enquanto ele quiser e tudo que ele conseguiu foi uma puta com sentimentos.
Engulo a seco tudo que estou sentindo, toda dor, toda sujeira e toda mágoa e me levanto da cama como se nada tivesse acontecido. Caminho até Michele que está silencioso, apenas me observando e passo minhas mãos sobre seus ombros e desço para seus braços fortes e tatuados, minha boca se encaixa na curva do seu pescoço e começo a beijá-lo lentamente, mas apesar do seu suspiro, ele me afasta de uma vez só.
- Amanhã nós continuamos. - Ele diz firme e eu fico parada encarando-o, tentando entender. - Vá descansar. - É tudo que recebo como resposta e ele se vira para deixar claro que não temos mais nada para conversar.
Confusa, saio do seu quarto e volto para o meu, tiro toda minha roupa, meus saltos, minhas jóias e entro para no box do chuveiro que é do tamanho do meu banheiro inteiro, deixo a água me levar, como se a sujeira que carrego pudesse se esvair e mesmo sabendo que isso nunca vai me deixar, eu continuo. Embaixo do chuveiro deixo as lágrimas caírem junto das gotas de água, a dor aperta meu peito e eu soluço e gemo como se fosse uma dor real e não só a dor que carrego pelo que já vivi.
Saio do banho e me enrolo em um roupão de banho, deito como estou na cama e adormeço cansada pela perturbação da minha mente.
∆
Acordo com olhos inchados e doloridos, tenho que passar mais maquiagem para tentar esconder e coloco um óculos escuro para ajudar, visto um vestido solto e curto de verão e prendo meu cabelo em um rabo de cavalo alto. A noite anterior me deixa insegura, coisa que eu não costumo sentir com meus clientes, mas Morrone é diferente de alguma forma e isso me fascina e me preocupa. Eu costumo adivinhar que tipo de homem meus clientes são no primeiro encontro, mas Michele parece um camaleão; ele é firme, dominador, sério, poderoso, esculpido pelos deuses e sabe disso, mas ao mesmo tempo, ao me ver chorar parou tudo e me mandou descansar. Nenhum homem jamais fez isso comigo, jamais negaram a chance de me fuder por eu estar chorando ou por estar fazendo aquilo apenas por obrigação.
Desço para o café da manhã, há uma mesa farta no jardim, mas não há ninguém nela. Sento-me sozinha e logo a empregada aparece, seu nome é Elisa pelo que descobri com um dos caras de preto que rondam a mansão.
- Buongiorno. - Elisa diz, alegre e sorridente e logo me serve um copo de suco natural de laranja. - A senhorita está bem? - Ela pergunta com um tom de preocupação e eu rapidamente abro um sorriso fingido.
- Claro, só estou cansada. - Minto, mas Elisa não parece acreditar em mim. - O Sr. Morrone já tomou o café da manhã? - Tento mudar de assunto.
- Sì, sì, ele estava com pressa, tinha alguns assuntos importantes para resolver. - Ela sorri para mim, como que para me tranquilizar e eu assinto. - Coma bem, a senhorita está muito magra. - Ela pede quando coloco apenas algumas frutas no meu prato e eu sorrio genuinamente.
Acabo comendo bem mais do que estou acostumada porque descobri que não consigo dizer não a Elisa, mas pelo menos ela ficou satisfeita. Sozinha naquela imensa mansão novamente, acabo descobrindo uma academia particular, troco de roupa e fico lá por mais de duas horas, só percebo quando Elisa me chama para o almoço. Subo para o quarto para tomar uma ducha e coloco meu vestido de volta, desço atrasada para o almoço, mas já que vou almoçar sozinha de qualquer jeito não me importo.
Vou até a sala de jantar onde a mesa do almoço está posta, farta como sempre mesmo que não há pessoas o suficiente para comer tudo, mas para minha surpresa não estou sozinha, na outra ponta da mesa está um homem que reconheço de algum lugar. Ele se levanta quando me vê e sorri abertamente como se também me conhecesse, caminha na minha direção e me dá dois beijos nas bochechas, quando nota meu semblante confuso, se apresenta.
- Etorre Macerata, do Hotel Santino. - Eu me lembro dele, mas não entendo porque ele está aqui. - Soube que você estava sozinha e vim te fazer companhia. Margot, certo? - Eu pisco, atônita, como ele sabe meu nome verdadeiro? Eu me apresentei como Angel, apenas minha família sabe sobre meu nome e Morrone.
- Como você sabe o meu nome? - Não consigo esconder minha surpresa e apreensão.
- Morrone me contou sobre você. - Etorre diz sorrindo, parece estar se divertindo, mas eu definitivamente não estou.
- O que ele te contou? - Não consigo entender, há milhares de perguntas flutuando sobre minha cabeça e nenhuma delas faz sentido.
- Algumas coisas, nada demais. - Ele volta para seu lugar na mesa e se serve enquanto estou digerindo toda aquela informação nova.
Porque Morrone falaria sobre mim para alguém? Porque ele falaria meu nome verdadeiro? O que ele falou sobre mim, exatamente? Porque Etorre está aqui?
- De onde vocês se conhecem? - Sento-me enfim na mesa, ainda confusa.
- Ah, ele não te disse nada? - Eu arqueio as sobrancelhas e me pergunto porque Morrone contaria algo para mim. O que ele sabe que eu não sei? Pelo visto tudo. - Somos primos. Na verdade sou Etorre Morrone Macerata. - Ah, isso faz sentido agora. Pelo menos uma das minhas perguntas tem resposta.
O almoço continua e as coisas não ficam tão estranhas assim, Etorre é divertido, um pouco excêntrico, mas divertido e animado, o tempo passa mais rápido conforme ele tagarela sobre as últimas festas em que foi e as modelos que "namorou", se que é uma semana pode ser considerado namoro.
Após o almoço Etorre me convida para ir até a sala de jogos, que até então eu nem sabia que existia, é quase uma sala secreta equipada com dispositivos de última geração e mesas de jogos, acabo me soltando e me divertindo com Etorre, jogamos sinuca algumas vezes e eu ganhei todas elas, descubro que ele não gosta de perder e sempre pede revanche.
Quando saímos da sala já é tarde, quase hora do jantar, Etorre atende uma ligação no seu celular rapidamente e quando desliga, se vira para mim.
- Morrone está voltando para o jantar com o meu pai. Vamos ter um jantar em família hoje. - Ele diz divertido e eu só consigo pensar em como preciso me arrumar para impressionar Morrone e tentar converter o desastre da noite anterior.
Volto correndo para o meu quarto e procuro por algo elegante e sensual até achar um vestir colado branco que vai até pouco abaixo dos meus joelhos, é simples, elegante e sensual na medida certa. Visto saltos com pedrarias, brincos longos e anéis, para a maquiagem escolho algo simples, tons nude.
Desço para a sala de jantar quando estou pronta, ouço vozes masculinas conforme me aproximo e quando chego, vejo os três homens vestindo ternos e falando italiano num tom rude, mas eles param abruptamente quando Morrone levanta a mão ao me ver ali, parada, todos me observam da cabeça aos pés e assim que Morrone se levanta da mesa, seu tio e primo também o fazem.
- Buonasera. - Digo em italiano, dou um sorriso na direção de Morrone e quando vou puxar a cadeira para me sentar, o mesmo me para e puxa para mim. - Obrigada. - Agradeço com um sorriso no rosto, como se ele puxar a cadeira para me sentar fosse normal.
Todos voltam a se sentar na mesa, agora que cheguei a sala de jantar está silenciosa e tensa por todas partes. Me sirvo também e logo o tio de Morrone começa a falar em italiano, Morrone respira fundo tentando não se irritar, seu primo começa a falar também, parece tentar fazer o pai ficar calado, até que a conversa se torna calorosa demais e Morrone da um soco na mesa, os talheres, copos e pratos sacodem e pai e filho ficam em silêncio de cabeça baixa. Fico ainda mais nervosa, me xingo mentalmente por não ter tentado aprender italiano desde que cheguei, mas não preciso entender para saber que seu tio falava algo que irritou Michele.
Tento engolir a comida a seco, mas estou tão nervosa sobre o olhar observador do tio de Morrone que tenho que tomar quase uma taça de vinho para cada garfada de comida. O tio de Morrone tem o prato praticamente intacto, Michele come pouco já Etorre limpa o prato e está pronto para repetir quando seu pai o adverte.
- Se eu fosse você não comeria até ver o que temos para a sobremesa. - Ele finalmente fala em inglês e seu olhar cai em mim. Engulo a seco e me afundo na cadeira, tomo o resto da minha terceira taça de vinho de uma vez só.
- Pare. - É tudo que Morrone tem a dizer, suas veias estão saltadas e sua voz sai mais rouca que o normal. Porque eles estão tão tensos e irritados?
- O que está acontecendo? - Pergunto por fim, não aguento mais essa tensão e essa sensação de que estão todos me analisando e falando sobre mim.
- Meu sobrinho preparou algo para você. - O tio de Morrone diz, mas não parece nada feliz com a surpresa.
- Eu adoro surpresas. - Etorre diz animado.
- Não acho que vá gostar muito dessa. - O tio de Morrone fala novamente, rabugento.
- Calem a porra da boca. - Morrone esbraveja, suas veias parecem prestes a explodir. Ele levanta da mesa e os dois se juntam a ele.
- Vamos. - Morrone diz para mim, puxa minha cadeira, mas eu não entendo nada. Realmente há uma surpresa para mim?
Michele segura meu braço, mas apenas para me guiar até o jardim dos fundos, caminhamos até quase o limite do terreno da casa dele, há alguns homens de preto lá, seguranças de Morrone.
- Eu assumo daqui. - Morrone fala e os homens se afastam, revelando outro homem de joelhos no chão, amarrado e com um saco preto na cabeça.
Eu me desvencilho de Morrone e dou alguns passos para trás, não consigo entender que merda está acontecendo e porque eu estou fazendo parte disso.
- Margot. - Morrone volta me pegar, mas eu me desvencilho e me afasto mais.
- Que merda é essa? - Pergunto tremendo, estou nervosa e cheia de adrenalina. - Quem é ele?
- Você vai ver. - Morrone segura meu braço, me olha nos olhos como quem diz para eu me acalmar e me leva de volta de frente para o homem.
Olho em volta, para Etorre que pisca para mim e o seu pai que me observa silenciosamente. Engulo a seco, sentindo que meu coração pode explodir pelas batidas fortes e que estou prestes a chorar de nervosismo.
O homem no chão parece tentar falar, mas sua boca está tapada pelo jeito que o som sai, confuso e estrangulado. Morrone finalmente tira o saco preto da cabeça do homem e ele olha para Morrone depois para mim e assim que vejo os seus olhos, eu desmorono, como se o chão abaixo dos meus pés tivesse desaparecido. Por sorte Michele me ampara rapidamente, mas as lágrimas caem livremente e a dor volta mais forte do que nunca e eu tremo inteira, não consigo me controlar. Não consigo pensar.
- C-como? - Eu consigo perguntar em meio aos soluços, Morrone me fita de um jeito diferente, menos intenso e frio. Minha cabeça vai explodir logo, nada faz sentido. Porque ele está ali? Como Michele sabe?
- Eu pesquisei algumas coisas sobre você e acabei descobrindo isso. - Morrone continua firme, mas quando seus olhos encontram os meus, ele me olha como se me entendesse, como se me conhecesse.
Eu volto meu olhar para o homem no chão que tem seus olhos arregalados para mim, ele também me reconheceu. Eu sinto um misto de sentimentos, mas a raiva rapidamente toma conta de mim, o ódio, a mágoa, tudo que esse homem me fez sentir, toda a sujeira que ele me fez pensar ter quando na verdade o sujo era só ele. O cara que me estuprou quando eu tinha 13 anos, o cara que abusou de mim de formas inimagináveis, que me fez conviver com esse trauma por mais de uma década.
Um dos seguranças entrega uma arma para Morrone, ele pega e oferece para mim, agindo pelo impulso da raiva eu pego a arma gélida e pesada e aponto para o homem.
- Tira isso da boca dele. - Eu mando como se soubesse o que estava fazendo, Morrone rapidamente tira e o homem começa a implorar para que eu não o mate, aquilo me faz sentir mais forte, confiante.
- Pede desculpa. - Eu mando, mas ele continua choramingando para que eu o solte. - Pede desculpa, porra! - Grito, irada, poderosa e puxo o gatilho da arma, sinto a adrenalina percorrendo por todos minhas veias, fazendo com que eu me sinta invencível.
- D-desculpa. - Ele diz assustado com as mãos para cima. - Me desculpa, Margot. - Eu paraliso feito uma estátua. Sempre sonhei com esse momento e agora não sei o que fazer.
- Margot? - Morrone me chama, parece preocupado, mas não consigo me virar para vê-lo.
- Eu disse que ela não ia conseguir. - O tio de Morrone fala atrás de mim.
Eu fecho os olhos, tento me concentrar, tento respirar, mas a adrenalina me impede, ela quer que eu aja, que faça algo. Eu respiro fundo ouvindo os homens discutindo a minha volta, até que tudo vem a tona, o jeito que aquele homem me violou, me tocou, me segurou, o jeito que ele enfiou uma peça suja na minha boca para que ninguém me ouvisse, o jeito que ele ignorou o meu choro e meu corpo se debatendo, o jeito como ele me largou sangrando, suja e usada. Ele sabia muito o que estava fazendo naquela noite, ele planejou aquilo. E agora eu sei muito bem o que eu tenho que fazer.
Respiro fundo pela última vez, abro meus olhos e mirando na sua cabeça atiro de uma vez só. O disparo da bala faz um barulho estridente e depois disso vem o silêncio, a calmaria depois da tempestade e é como se a minha alma fosse lavada. Eu observo a cena do crime antes de virar para Morrone e lhe devolver a arma, antes de sair digo: - Amanhã nós conversamos.
VOCÊ ESTÁ LENDO
La Prostituta
RomanceQuando a prostituição era tudo que sempre conheceu, Angel recorreu a ela como sua profissão. Com anos de profissão, era muito profissional na sua área, sabia como lidar com cada um de seus clientes e até onde se envolver, até que Michele Morrone vir...
