Capítulo 19 - Último pó de estrela

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Emma se aproxima da maca em que seu pai estava internado, não sabendo exatamente como dizer para ele o que havia acontecido. Ela, muito relutante, apoia-se na beirada da maca. Logo ao lado, numa espécie de mesinha, ela via um papel dobrado, que aparentemente seu pai havia escrito como forma de testamento para seus filhos. Ela o pega e abre, contendo-se muito para não lacrimejar.

O testamento do pai de Emma. Os principais pontos abordados eram que ele sentia muito por ter dado tanto trabalho para os dois irmãos, e que, mesmo não sendo totalmente a favor da ideologia de Armstrong, estava contente em ver quão fortes e determinados Emma e Michael estavam se tornando. Se ele pudesse dizer algumas últimas palavras seria que ele estava orgulhoso. O texto se encerra com o pai dizendo que os ama e dizendo para Emma cuidar de Michael até ele acordar.

Aparentemente ele havia escrito essa carta antes de entrar em coma, mas, por não saber que acabaria nesse estado, nunca teve a chance de entregar a carta para seus filhos.

Emma termina de ler e não consegue conter as lágrimas mais. Ela aperta a mão que estava segurando a carta e se apoia na maca, dizendo com muita dificuldade:

- Me desculpa... Eu não consegui... Eu não... Michael, eu não consegui... Pai... – Emma diz olhando para seu pai e derramando as lágrimas no lençol. Ela logo cede à emoção e acaba-se ajoelhando de tristeza. – Eu não sou seu orgulho... Eu não sou forte o bastante... Eu não sou uma boa irmã! – Ela então soca o chão, rachando-o. Sua mão tremia de tão emocional que ela estava, junto disso, as lágrimas não paravam. – Eu não tenho mais nada agora...

Emma se levanta e olha mais um pouco seu pai antes de tomar uma decisão. Ela segura a mão dele mais um pouco, apenas para sentir aquele calor humano uma última vez. Ela respira fundo e diz algumas últimas palavras.

- Pai... Guie o Michael em minha ausência. Eu vou lutar... Assim como você me ensinou... – Emma diz enquanto secava as lágrimas de seus olhos e assumia um olhar mais determinado, apesar de não haver tanta esperança nele. – Diz pro irmão... que eu amo ele. – Emma se aproxima e beija a testa de seu pai, logo depois encostando-a em sua testa. – Tchau pai... Eu te amo.

Emma se controla para não chorar novamente e levanta seu olhar, virando-se para a porta e abrindo-a, saindo do quarto. Logo na porta haviam os médicos responsáveis pelo ente querido da AP. Emma apenas acena com a cabeça. Os dois médicos se olham e também acenam com olhares cabisbaixos e então, eles adentram no quarto e fecham a porta, enquanto Emma vai na direção da saída do hospital.

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Durante o dia todo, Ruby, Alice e Sunny se consertavam, descansavam e refletiam. Apenas algumas frases eram trocadas nesse meio tempo.

- Ai... – Ruby dizia enquanto Alice suturava os machucados no rosto dela.

- Não se mexe, os ferimentos vão abrir. – Dizia Alice com um olhar sério e calmo.

Sunny fazia café para as três após fazer a manutenção em suas costelas. Durante todo o resto do dia o que fizeram foi se consertar, e Ruby, claro, chorar. A garota estava sentada na beirada do terraço do prédio, abraçando a si mesma com os joelhos encolhidos. Ela observava a cidade e, enquanto o vento balançava seus cabelos, ela refletia sobre tudo que passou para chegar até ali. Suas memórias sobre seus pais biológicos eram confusas, então o que prevalecia eram as lembranças de Alice, Sunny e Kevin.

Ela se lembrava desde quando fora colocada como objeto de compra, até ter um mínimo lapso de felicidade ao se apaixonar por Kevin. A nova chance que recebeu de Alice e Sunny, que pouco a pouco foram se mostrando mais do que somente suas mestras, mas também como verdadeiras mães que se preocupavam com ela, que a corrigiam, mesmo que algumas broncas fossem na base do tapa.

Cyber Nature: AscensãoOnde histórias criam vida. Descubra agora