Capítulo 1 - Doces do lixo

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Dezembro de 2135.

Setor 3.

A Cidade-G, a última no mundo, comandada pela organização de aprimorados: Cybernature. Liderada com mão de ferro pelo aprimorado mais poderoso do mundo, que impôs a lei de conversão, isto é, qualquer humano que se recusasse a se tornar um ciborgue seria morto e o silenciamento total de qualquer opinião contrária ao governo.

Claro que nem todos aceitariam isso, mesmo que fosse muito complicado se manter vivo como rebelde. Pela facilidade da Cybernature em localizá-los e também por nenhum ciborgue comum conseguir bater de frente contra um aprimorado da organização. Era suicídio na certa.

Então como combater aprimorados? Criando os próprios.

- Você tem certeza? - Uma moça de estatura baixa, cabelos longos e loiros perguntava.

- Tenho, quer dizer, temos muitas opções? Acho que não. - Outra moça, de estatura média, cabelos curtos e rosa, ao lado da loira, diz.

As duas estavam diante de uma carcaça de androide com aparência feminina. O corpo estava todo destruído, o interior de fios e mecanismos estava todo exposto, saindo faíscas, alguns membros separados do corpo e uma expressão de desgosto em seu rosto. A androide destruída estava em um beco nos fundos de algum estabelecimento, possuía cabelos curtos, lisos e negros, sua estatura e rosto lembravam uma garota recém-adulta.

- Isso não vai dar muito certo, eu vou perguntar de novo, Alice. Tem certeza? - Dizia a moça de cabelos loiros e olhos vermelhos.

- Eu por acaso desisti de você quando estava toda arrebentada na minha frente, Sunny? - Dizia a moça de cabelos rosas e olhos azuis.

- Espero que saiba o que vai fazer. - Sunny, uma aprimorada do lado dos rebeldes contra a Cybernature. Utilizava um collant negro em todo seu corpo e possuía um par de braços mecânicos em suas costas que se assemelhavam a tentáculos com garras. Apesar de ela não ser tão forte, ainda era uma aprimorada.

- Pode ser nossa salvação ou a nossa queda. Temos que arriscar. - Alice, uma ciborgue, também do lado dos rebeldes. Utilizava um colete e de couro, camiseta regata, um cinto com munições e alguns outros itens, um coldre metálico em suas costas para guardar seu par de pistolas, calça jeans e botas militares.

Sunny então escaneou o corpo destruído da androide com um de seus braços, enquanto Alice retirava sua cabeça do resto da carcaça a aprimorada segurava o restante do corpo destroçado com os braços mecânicos. As duas então começam a ir em direção a algum lugar, porém param ao chegarem no final daquele beco. Encostaram-se na parede da casa ao lado e observaram de canto de olho, naquela região pacata, simples, industrial, com muitas casas amontoadas uma na outra, assemelhando-se a uma favela tecnológica. Estava de noite e com as luzes das casas e alguns neons de estabelecimentos iluminando as ruas.

Alguns guardas da Cybernature haviam bloqueado a rua e até a região, pois ali havia ocorrido um assassinato de vários outros soldados da organização. Aquele era o único caminho para o esconderijo das duas, e, como a rua estava vazia e sendo vigiada, certamente elas chamariam a atenção se passassem por ali, ainda mais carregando uma carcaça de androide.

- Ei, Sunny, leva ela, eu vou distrair esses daqui. - Alice dizia entregando a cabeça da androide para sua amiga.

- Mas Alice, eu consigo me mover bem mais rápido, posso despistar eles bem mais facilmente, deixa que eu cuido disso. - Sunny dizia, referindo-se a seus braços mecânicos nas costas.

Cyber Nature: AscensãoOnde histórias criam vida. Descubra agora