Ana

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Pré: Stefan

{285 palavras.}

28 de outubro de 2014.

O relógio de parede na cozinha da casa dos Stefan não corria; arrastava-se com a preguiça típica das tardes no interior. Ana tinha quatorze anos e uma urgência bonita e perigosa no peito. Era um espinho de rosas encravado na alma: a certeza de que o mundo, vasto e secreto, não cabia nos limites poeiradas daquela cidadezinha sem nome.

Enquanto a poeira dançava no feixe de luz que cortava a sala, Ana olhava para as próprias mãos. Não havia nelas o peso do ouro, nem as marcas de sobrenomes importantes. Faltavam-lhe recursos, sobravam-lhe tropeços — e, sejamos honestos, a vida parecia ter um prazer quase cômico em lembrá-la de que o destino não costuma aceitar cupons de desconto para grandes sonhos.

Mas o universo cometeu um erro crasso com Ana Stefan: esqueceu-se de avisar ao seu coração que ele deveria ser prudente.

Há uma ironia fina na tapeçaria do tempo. O mesmo vento seco que parecia fechar todas as portas daquela casa seria, em breve, a tempestade a escancarar suas janelas. Ana estava preste a aprender que as gaiolas mais apertadas costumam abrigar os pássaros de asas mais teimosas. E que a sombra de uma esquina qualquer esconde, quase sempre, o tropeço de amor — ou o mistério — que muda uma vida para sempre.

Ajuste o foco da sua lanterna, leitor. A noite está caindo, os segredos estão se alinhando, e a história de Ana está prestes a começar.

Bem-vindo ao mundo dela.


Próximo capítulo.

ANA STEFAN E O IMPOSSIVEL


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