Capítulo 5

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{1584 palavras}

Sob a Luz da Emergência

Segunda-feira. Mais um dia de branco, de rotina intensa e exaustiva, mas profundamente gratificante para Nicole Flints. Aos vinte e nove anos, essa morena negra de cabelos volumosos e encaracolados e um sorriso acolhedor não enxergava sua profissão como um mero ganha-pão. 

Para ela, ser técnica em enfermagem e radiologia era um dom — uma vocação preciosa para a qual poucos tinham a sensibilidade e o devido respeito. Chefe do setor de radiologia do Hospital Ânimo Centro Hospitalar, em Anápolis, Goiás, onde atuava há cinco anos, Nicole era o pilar da equipe.

Naquela manhã, o despertador tocou duas horas mais cedo. Ela precisava consolidar o relatório do plantão anterior antes de entregá-lo aos superiores. Assim que colocou os pés fora da cama, Letto, seu amado vira-lata, saltou em seu colo exigindo o carinho matinal de praxe.

— Calma, meu amor... — murmurou ela, alisando a testa e o focinho do cão até que ele se acalmasse e a deixasse trabalhar.

Às seis e meia, já vestida e com a mochila preta nas costas, Nicole depositou um beijo carinhoso na testa do cachorrinho e caminhou até o ponto de ônibus. O percurso de vinte minutos a deixou na recepção do hospital às seis e cinquenta.

— Bom dia, Nick! Como está? — cumprimentou Carmen, a colega que encerrava o plantão noturno e caminhava para o vestiário.

— Tudo bem, Carmen. E como foi a noite? Muitos X's?

Carmen fez uma careta cômica: — A noite foi calma demais! Fiquei no tédio!

Nicole ruiu da frustração da amiga. Bateu o ponto às sete e meia e deu início à sua jornada.

O dia começou frenético. Fraturas de todos os tipos chegavam sem trégua: tornozelos torcidos, punhos estilhaçados, costelas trincadas e maxilares desalinhados. Nicole não parou nem para o almoço. 

Por trabalhar com radiação, sua jornada regular era de apenas quatro horas diárias. No entanto, ela retornaria na madrugada seguinte para cobrir a folga de Carmen. Ao chegar em seu apartamento, foi recebida pelos saltos e latidos eufóricos de Letto.

— O Letozinho está com fome, meu anjo? — disse ela, servindo a ração enquanto o cão abanava o meio rabo de nascença.

Após um banho revigorante e um lanche rápido — pão francês com manteiga e um copo de achocolatado —, Nicole deitou-se disposta a descansar. 

Mas, assim que encostou a cabeça no travesseiro, o celular tocou. — Nick! Você não sabe quem vai fazer um show em Goiânia! — berrou Vera do outro lado da linha, quase estourando o tímpano de Nicole.

— Se você não falar, não tem como eu saber, Vera!

— Jared Leto! — Nicole arregalou os olhos. 

Gostava das músicas da Thirty Seconds to Mars, mas era fascinada mesmo por suas atuações no cinema. — Que incrível! E você vai?

Nós vamos!

— Ah, amiga... Sem chance. Estou zerada, no meio do mês, com contas e aluguel para pagar.

Vera soltou uma risada misteriosa: — Bobinha! Você não paga nada. Meu padrasto vai bancar os nossos ingressos e o transporte!

— Como assim? Que milagre foi esse?

— Peguei ele e minha mãe num momento... comprometedor no sofá — explicou Vera, triunfante. — Prometi guardar segredo em troca das nossas entradas VIP no Master Hall!

Contos da Gel ReevesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora