Emmelly

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{246 Palavras.}

31 de maio de 2022.

Emmelly Fletcher ostentava dezenove anos na certidão e um oceano de empatia no olhar, mas carregava no peito uma névoa densa, uma frustração sem nome nem motivo aparente. Naquele dia cinzento de maio, buscando silenciar o aperto incômodo que insistia em apertar-lhe a garganta, ela decidiu caminhar pelos corredores do shopping da cidade. Queria apenas espairecer, perder-se na multidão e dissolver a sensação ruim.

Porém, ao chegar, encontrou o lugar em puro sobressalto. O ambiente pulsava, tomado por um turbilhão de pessoas e gritos estridentes — uma balbúrdia muito além de qualquer dia comum.

Movida pela curiosidade, Emmelly abriu caminho entre os rostos ansiosos para descobrir o motivo daquele alvoroço coletivo. Mas o universo, afiado como de costume, pregou-lhe mais uma peça: ao tentar participar do momento e ver de perto a surpresa que movia a multidão, viu seus planos serem desmoronados. A frustração, que parecia trégua, bateu à porta novamente.

Determinada a não deixar que o dia terminasse com o mesmo amargor com que começara, Emmelly tomou uma decisão simples e salvadora: comprou um ingresso e buscou refúgio no escuro do cinema.

Uma escolha irretocável. Pois é na penumbra de uma sala de projeção que a realidade se dobra... e os milagres acontecem.

Bem-vindo ao sexto conto.

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